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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

UM LONGO CAMINHO PARA A PAZ



Martinho Júnior | Luanda 

1- Desde o momento que foi proclamada a independência de Angola, que dois objectivos prioritários, que eram inerentes ao seu programa, se impuseram ao MPLA: a unidade nacional e a paz.

A unidade nacional, “de Cabinda ao Cunene e do mar ao leste”, que distinguia o MPLA das outras organizações etno nacionalistas angolanas, elas próprias manipuláveis a partir de interesses do exterior, alguns deles vizinhos…

A paz, enquanto sublimação desse processo de formação de identidade, em íntima relação com a construção da identidade nacional e a libertação do continente africano do colonialismo, do“apartheid”, do neocolonialismo e de suas sequelas.

Ao longo dos anos, foi essa a luta de geometria e intensidade variável que empenhou os dois Presidentes, Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos.

De facto, encontrar soluções face às heranças da Conferência de Berlim no que às fronteiras dizia respeito, era inerente à luta contra o colonialismo português, contra o “apartheid” sul-africano, contra o neocolonialismo zairense e contra as suas sequelas, sempre em nome da angolanidade, procurando estabelecer nexos quer com as organizações etno nacionalistas, quer com qualquer tipo de entidades identificadas com Angola.

2- É evidente que um projecto nacional dessa natureza numa África retalhada em Berlim e dominada por poderes coloniais sempre dispostos a dividir, implicava um esforço doutrinário, filosófico e ideológico, acompanhado de capacidade geoestratégica, tendo em conta os desafios que eram impostos e as adversidades que nesse caminho o MPLA tinha de enfrentar, quer dizer: capacidade de organização, de mobilização, de logística e uma potencialidade político-militar que na prática deveria aplicar, no essencial, as obrigações decorrentes desse projecto nacional.

Na imediata sequência das derrotas do 11 de Novembro de 1975, do exército zairense, a norte e do sul-africano a sul, cada qual em suporte do “seu” etno nacionalismo e mesclando-se com interesses agregados dos poderosos serviços de inteligência dos Estados Unidos, bem como dos interesses recalcitrantes de algumas tendências de alguns portugueses alinhados no Exército de Libertação de Portugal, alcançar domínio até às fronteiras foi uma questão imediata, mas por si não conclusiva: era necessário começar a garantir a inviabilidade do território nacional, pois quer o Zaíre, quer a África do Sul e os interesses que personificavam, a seu modo não desistiriam facilmente de Angola.

O MPLA, assumida a independência, foi sujeito desde logo a uma dura prova: chegar às fronteiras, combater a desestabilização instrumentalizada a partir do exterior e, com os olhos postos na construção da identidade nacional, continuar a luta de libertação de outros povos africanos no sul e centro do continente, abrindo caminho na direcção da paz.

QUEM NOS SALVARÁ DOS ESTADOS DECADENTES?



Golpes de Estado. Sabotagem de novos polos de poder, como os BRICS. Estímulo às guerras religiosas. Destruição deliberada de Estados-Nação. Como deter os EUA, em seu declínio apocalíptico?

Nazanín Armanian | Outras Palavras | Tradução: Antonio Martins

“O que é mais importante para a história mundial? O Taliban ou o colapso do império soviético?” Foi a resposta do ex-assessor de segurança do presidente Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski, à pergunta da revista francesa “Le Nouvel Observateur” (em 21/1/1998) sobre as atrocidades cometidas pelos jihadistas da Al Qaeda.

Nesta entrevista, Brzezinski confessa algo mais: os jihadistas não chegaram do Paquistão para libertar sua pátria dos ocupantes soviéticos infiéis. Seis meses antes da entrada do Exército Vermelho no Afeganistão, os EUA puseram em marcha a Operação Ciclone. Enviaram ao Afeganistão, em julho de 1979, 30 mil mercenários, armados inclusive com mísseis Stinger para arrasar o país, difundir o terror, derrubar o governo marxista do doutor Nayibolá e atrair a União Soviética a uma cilada: o país seria convertido em seu Vietnã.

E conseguiram. De passagem, violaram milhares de mulheres, decapitaram milhares de homens e provocaram a fuga de cerca de 18 milhões de pessoas de suas casas – quase nada… O caos continua até hoje.

Esta foi a pedra angular sobre a qual se levantou o terrorismo “jihadista” e a que Samuel Huntington deu cobertura teórica, com seu Choque de Civilizações. Assim, os EUA conseguiram dividir os pobres e deserdados do Ocidente e do Oriente, fazendo com que se matassem no Afeganistão, Iraque, Iugoslávia, Iêmen, Líbia e Síria. Confirmava-se a sentença de Paul Valery: “A guerra é um massacre entre gente que não se conhece, em proveito de gente que se conhece mas não se massacra”.

Conseguiram neutralizar a oposição de milhões de pessoas às guerras e converter a empatia em ódio. Com o método nazista de que “uma mentira repetida mil vezes converte-se numa verdade”: O atentado de 11 de Setembro não foi cometido pelos talibãs afegãos. Em 2001, a CIA havia implicado o governo da Arábia Saudita no massacres. Por que, então, os EUA invadiram e ocuparam o Afeganistão?

O Iraque não tinha armas de destruição em massa. O único país no Oriente Médio que as possui, e de forma ilegal, é Israel – graças aos EUA e à França. Tampouco os EUA necessitavam invadir o Iraque para se apoderar de seu petróleo. Demolir o Estado iraquiano tinha vários motivos, como eliminar um potencial inimigo de Israel e ocupar militarmente o coração do Oriente Médio.

BRASIL | O Maestro negro e as três versões do Hino Farroupilha



Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite* | Porto Alegre | Brasil  
   
Em 11 de setembro de 1836, o general Antônio de Sousa Netto (1801-1866) proclamou a República Rio-Grandense, após vencer a Batalha do Seival, próximo à cidade de Bagé, ocorrida durante Revolução Farroupilha (1835-1845). A partir deste ato, o conflito que tinha a princípio um caráter reivindicatório, combatendo o centralismo político do império, os altos impostos sobre o charque, o couro e a propriedade rural, resultou na mais longeva guerra civil da história do Brasil.

O maestro e sua banda são presos

No ano de 1837, o maestro Joaquim José de Mendanha (1800-1885), natural de Minas Gerais, assumiu, como regente, a banda do 2º Batalhão de Caçadores de Primeira Linha, que havia se deslocado para a Província de São Pedro (RS) em apoio às forças imperiais. Em 30 de abril de 1838, o maestro se encontrava com sua banda, na Vila de Rio Pardo, quando o local foi atacado pelos farroupilhas. Neste importante combate, conhecido como o do Barro Vermelho, os liberais farroupilhas venceram e aprisionaram-no com sua banda.

Mendanha compõe o Hino

Aprisionado o maestro e seus músicos, os farroupilhas aproveitaram a ocasião para exigir-lhe que compusesse um hino para a novel República Rio-Grandense. Diante da condição de prisioneiro de guerra, compôs o que lhe foi exigido. Esta primeira versão do hino publicada, em 1955, pelo historiador Walter Spalding (1901-1976), teve a letra escrita pelo capitão farroupilha Serafim Joaquim de Alencastre e foi executado pela primeira vez no dia 06 de maio de 1838. O maestro e sua banda acompanharam os farroupilhas durante um ano

Sua 2ª versão

Em sua edição de 4/05/1839, o Órgão Oficial da República Riograndense, “O Povo” (1839-1840), publicou uma letra do Hino Farroupilha, conforme foi cantada, na 2ª Capital farroupilha, Caçapava, no baile em comemoração ao primeiro aniversário do Combate do Barro Vermelho, ocorrido, em 1838, na cidade de Rio Pardo. Esta versão é diferente da primeira letra e de autor desconhecido. O jornal denominou de Hino da Nação. Ao ser executado num baile comemorativo, com a presença de nomes importantes, consolidou o nome do maestro Mendanha na história do Rio Grande do Sul. De acordo com Walter Spalding, em seu livro “Revolução Farroupilha”, publicado em 1987, p. 146:

“Foi esta música, por se ter conservado, que deu celebridade a Joaquim José Mendanha. Não fosse isso, em virtude de sua modéstia, talvez jamais seu nome fosse recordado, pois, conforme dissemos, tudo quanto compôs se perdeu ou perdeu sua identidade ao cair em domínio público, passando para o campo do folclore”.

CARTA MAIOR SUSPENSA POR DIFICULDADES FINANCEIRAS





POR QUE CARTA MAIOR ESTÁ FORA DO AR

Prezada Página Global, prezados leitores

Como alertei pelos sucessivos e-mails encaminhados semanalmente, ao longo dos últimos meses, Carta Maior encontra-se com imensas dificuldades para continuar com suas atividades.

Prova disso é que desde o dia 11 de setembro, nosso site está fora do ar por atraso no pagamento da equipe técnica. A manutenção mensal nos sete servidores que sustentam a programação, as imagens, os vídeos e os textos da Carta Maior não pode ser realizada. Um incidente como o ocorrido na última segunda-feira, portanto, era previsível.

Nossa campanha de doação, iniciada em junho de 2016, foi exitosa, mas insuficiente. Ciente de que vivemos um momento decisivo para o nosso país, diante da conjuntura de desmonte do Estado brasileiro, não é o momento para fechar qualquer veículo da mídia alternativa, ao contrário, deveríamos estar abrindo outros para enfrentarmos o poder da mídia corporativa, o aríete do golpe.

Tenho certeza de que juntaremos esforços para colocar Carta Maior no ar novamente ainda nesta semana. Sou imensamente grato pelos e-mails e pela solidariedade recebida nos últimos dias.

Conto com sua compreensão e participação.

Abraços

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior

LEONARDO BOFF | A cidadania desafiada pelo golpe parlamentar



O grande desafio histórico é certamente esse: como fazer das massas anônimas, deserdadas e manipuláveis, um povo brasileiro  de cidadãos conscientes e organizados

Leonardo Boff, Rio de Janeiro | Correio do Brasil | opinião

Entendemos por cidadania o processo histórico-social que capacita a  massa humana de forjar condições de consciência, de organização, de elaboração de um projeto e de  práticas no sentido de  deixar de ser massa e de passar a ser povo, como sujeito histórico, plasmador  de seu próprio destino. O grande desafio histórico é certamente esse: como  fazer das massas anônimas, deserdadas e manipuláveis, um povo brasileiro  de cidadãos conscientes e organizados.

A dimensão econômico-produtiva: a pobreza material e política é; entre nós, produzida e cultivada pelas oligarquias pois  assim podem dominar e explorar melhor as massas. Isto é profundamente injusto.

O pobre que não tiver consciência das causas de sua pobreza pela exploração não tem condições de realizar sua emancipação.

A dimensão politico-participativa: se as pessoas mesmas não lutarem em prol de sua autonomia e por sua participação social nunca serão cidadãos plenos. Não tanto o Estado mas  a sociedade deve; em suas várias formas de organização e de luta, assumir esta tarefa.

TRAGÉDIA |"A Cidade do México está um caos", diz brasileiro após terremoto



Tremor de 7,1 graus na escala Richter provocou mortes e destruição na capital mexicana

Um forte terremoto sacudiu a Cidade do México, provocando pânico entre a população de 20 milhões de habitantes da capital mexicana nesta terça-feira 19, data em que o país relembra os 32 anos do terremoto que destruiu a cidade em 1985 e matou 10 mil pessoas.

O sismo, que o Instituto Sismológico do México havia estimado inicialmente em 6,8 para depois revê-lo a 7,1, teve seu epicentro localizado a 55 quilômetros da cidade de Puebla, perto da capital. O Centro Geológico dos Estados Unidos (US Geological Survey) também estimou a magnitude do tremor em 7,1.

"A Cidade do México está um caos", resumiu o jornalista brasileiro Ricardo Carvalho, que está há três semanas morando no país. Ele descreve um cenário caótico, com o transporte público funcionando com extrema lentidão, além de presenciar ambulâncias e carros de bombeiro cruzando a cidade a todo momento.

Carvalho conta que estava na saída de um hospital, próximo ao metrô Colégio Militar. Ele ouviu o alarme sísmico tocar no mesmo momento em que a terra tremeu.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

INCÊNDIOS | ESTA É A HORA!



A catástrofe de Pedrógão Grande constitui expressiva fonte de aprendizagens e ensinamentos, no que concerne ao sistema de proteção civil, tal como se encontra estruturado em Portugal. Este é o momento para se parar e refletir sobre o sistema que temos e o sistema de que o País necessita.

Duarte Caldeira | AbrilAbril | opinião

A catástrofe de Pedrógão Grande ocorrida no passado dia 17 de Junho constitui uma expressiva fonte de aprendizagens e ensinamentos, no que concerne ao sistema de proteção civil, tal como ele se encontra estruturado em Portugal.

Estão em curso múltiplos relatórios, inquéritos e estudos tendo em vista, sobretudo, apurar responsabilidades. Deste modo, procuram-se alguns bodes expiatórios sobre os quais se possam imputar todas as culpas. Com o processo em curso, corre-se o risco de se perder uma excelente oportunidade para ir ao âmago do problema. E qual é o problema?

Passaram dez anos desde a última reestruturação do sistema de proteção civil, ocorrida em 2006-2007. Após um início de século marcado pela instabilidade política e a sucessiva mudança de responsáveis dos serviços do sistema, foi possível conceber e estabilizar o modelo e a estrutura do mesmo, centrado nas competências da Autoridade Nacional de Proteção Civil, entretanto criada.

No período em análise ocorreram quatro momentos de provação do sistema, todos associados a um dos riscos identificados no território do Continente. Refiro-me aos incêndios florestais de 2003, 2005, 2013 e deste ano de 2017.

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS | Medina vence em Lisboa e Cristas passa o PSD



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O PS voltará a vencer as eleições para a Câmara de Lisboa (41%), mas não é certo que consiga a maioria absoluta. De acordo com uma sondagem da Universidade Católica para o JN, o CDS (17%) consegue o segundo lugar, ultrapassando o PSD (16%).

Sondagens não são resultados eleitorais, mas é possível apontar algumas tendências. E já é seguro que o vencedor será o PS, ainda que, até ver, Fernando Medina perca 11 pontos percentuais relativamente a António Costa, em 2013. A projeção da Católica dá-lhe entre 7 e 9 vereadores, sendo oito suficientes para lhe assegurar uma maioria.

A grande novidade é a possibilidade de Assunção Cristas e o CDS ultrapassarem Teresa Leal Coelho e o PSD. Note-se que a margem de erro é de 3,5% e, portanto, que o ponto que separa as duas candidatas corresponde a um empate técnico. A Direita considerada em conjunto cresce significativamente (mais 11 pontos percentuais que em 2013).

Mais à Esquerda, há empate, mas tendências contrárias: João Ferreira e a CDU, a confirmar-se a previsão, estão em queda, e podem perder um dos seus vereadores; Ricardo Robles e o BE estão a subir e têm um lugar quase garantido no Executivo, podendo sonhar com a ultrapassagem aos comunistas.

Portugal | O SUCESSO E O DESESPERO



João Galamba | Expresso | opinião

A célebre frase de Luís Montenegro de que “a vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor” mostra bem a diferença entre a estratégia do anterior Governo e do atual. Em nome da confiança externa, PSD adotou uma visão sacrificial dos portugueses, do seu rendimento e das suas condições de vida. O atual Governo faz o oposto: não há confiança externa que valha a pena sem que, primeiro, o Governo conquiste a confiança do povo português.

A recente subida do rating português por parte da S&P volta a mostrar que a visão sacrificial defendida por PSD não era necessária e que o país não tem de escolher entre ter a confiança dos investidores ou a confiança e o apoio dos portugueses. Na verdade, é possível ter as duas ao mesmo tempo. Essa foi (mais) uma conquista da estratégia do Governo do Partido Socialista.

Perante isto, é natural que o PSD fique desorientada e não saiba o que dizer.

Em março deste ano, quando a S&P manteve o rating de Portugal na categoria lixo, Maria Luís Albuquerque confessava não ver qualquer injustiça na decisão da agência de notação: “é uma desilusão que o país continue nesta situação e que não consiga registar, de facto, as melhorias que estávamos a registar no final de 2015”. Seis meses depois, e sem que a política do Governo se tenha alterado, antes pelo contrário, parece que a subida do rating, afinal, já se deve à continuidade de políticas e que é o reconhecimento do trabalho de dois governos.

AGÊNCIAS DO LIXO QUE NOS LIXOU E QUE CONTINUAM A LIXAR-NOS



Bom dia, hoje voltamos à normalidade do Página Global. Esteve tudo de férias e nós também. Por isso andámos a modos que aos soluços, uns dias havia uma ou outra postagem, outros não. Mas foi tudo muito pobre. Pobre como este país à beira.mar plantado e esmifrado pela alta-finança e salafrários que a servem. Um lixo. Lá está, e porque não querem ser lixo sozinhos decidiram argumentar que Portugal também era lixo. Só se assim diziam porque nos lixaram à bruta e agora estão mais meigos… Estão? Não se nota nada.

Este vai ser o habitual veículo blogado do Expresso Curto, do tio Balsemão Impresa Bilderberg. Pois. Mas enquanto não dá de caras com a prosa opinada dessa cafeína azurrapada, às vezes, que hoje é servida por Filipe Santos Costa, jornalista lá do burgo, entretenha-se a ler aquilo que poderá ser a introdução… Poderá, não quer dizer que seja.

Vamos lá então aos grãos enquanto o moinho aquece e os transforma em pó de… café. É uma máquina parecida com as fábricas e outros locais de trabalho onde moem a ralé fedida e mal-paga. Fedida porque chegam a casa a cheirar a suor – depois de tanta moídela laboral. Mal-paga porque está na cara que os vampiros patronais - gestores e outros dessa gandaia - querem comer tudo e não deixar nada. E aí a lei diz que ao menos os trabalhadores merecem umas migalhas daquilo que produzem. Pois. Isso para os que cumprem a lei. Mas como a chamada Autoridade do Trabalho passa os dias e noites a dormir e não fiscaliza como deve, nem por sombras, a lei passa a habitar o lixo. “Também tu!” Exclamam as agências de notações instaladas na lixeira….

Basta de lixeira. Vamos ao que sai em espécie de nata no tal expresso que passa a um café maricas e meio esbranquiçado. Café com leite. Talvez. Pois.

Que Portugal saiu do lixo. Ora, ora, nunca lá esteve. O que aconteceu é que uns quantos distraíram-se e roubaram demasiado, encontrando pretexto para ainda roubarem mais o povoléu. Chamam a esse estágio “crise”. E vá de roubar. Vai milhões para os ladrões habituais. Lá vai para os bancos, para banqueiros, para políticos, para os grandes salafrários, para aquilo que os antigos diziam deverem ir: para o “raio-que–os-parta”. Pois. Para partidos submarinados e etc. Mas todos partidos ficamos nós, os plebeus. E é a fome, a miséria, que fielmente passam a ser as nossas companheiras.

Quer parecer que já chega por hoje de introdução. Nota-se perfeitamente o destreino. Desculpem qualquer coisinha e vão lá ler o Curto deste senhor do burgo Balsemão Bilderberg do Quintal da Marinha do Guincho. Se é que também não se mudou para a Comporta, como os de sua laia.

Adeus, até amanhã. Boa degustação e leitura que se segue.

MM | PG

domingo, 17 de setembro de 2017

UMA LIÇÃO ECONÓMICA PARA A CHINA E A RÚSSIA



Paul Craig Roberts

Haverá alguém no governo Trump que não seja imbecil? 

Depois de anos de infindáveis ameaças militares contra a Rússia – recordem o vice-director da CIA Mike Morell a dizer na TV (Charlie Rose show) que os EUA deveriam começar a matar russos para enviar-lhes uma mensagem, e do chefe do Estado Maior do Exército Mark Milley a ameaçar "Nós bateremos vocês mais duramente do que alguma vez já foram batidos antes" – agora o secretário do Tesouro Steven Mnuchin ameaça a China. Se a China não obedecer as novas sanções de Washington à Coreia do Norte, Mnuchin diz que os EUA "aplicarão sanções adicionais sobre eles [China] e os impedirão de avaliar os EUA e o sistema internacional do dólar" .

Eis portanto o insolvente (broke) governo dos EUA com US$20 milhões de milhões (trillion) em dívida pública, tendo de imprimir moeda com a qual comprar seus próprios títulos, a ameaçar a segunda maior economia do mundo, uma economia em termos de paridade de poder compra que é maior do que a economia estado-unidense.

Tome uns instantes para pensar acerca da ameaça de Mnuchin à China. Quantas firmas dos EUA estão localizadas na China? Não é só a Apple e a Nike. Sanções à China significariam que firmas dos EUA não poderiam vender seus produtos fabricados na China nos EUA ou em qualquer parte fora da China? Pensa que corporações globais dos EUA defenderiam isto?

E se a China respondesse pela nacionalização de todas as fábricas dos EUA e de todos os bancos possuídos pelo ocidente na China e em Hong Kong?

Mnuchin é como a imbecil Nikki Haley. Ele não sabe quem está a ameaçar.

Considere a ameaça de Mnuchin de excluir a China do sistema internacional do dólar. Nada poderia fazer mais dano aos EUA e mais bem à China. Um enorme montante de transacções económicas simplesmente sairia do sistema dólar, reduzindo seu âmbito e importância. Ainda mais importante, isto finalmente começaria a fazer entender aos governos chinês e russo que ser parte do sistema dólar é um passivo maciço sem benefícios. A Rússia e a China deveriam há anos atrás ter criado o seu próprio sistema. Ser parte do sistema de Washington simplesmente permite a Washington fazer ameaças e impor sanções.

A razão porque a Rússia e a China são cegas quanto a isto é que elas loucamente enviam estudantes para os EUA a fim de estudarem ciências económicas. Estes estudantes retornam com o cérebro completamente lavado com teoria económica neoliberal, "junk economics" na expressão de Michael Hudson. Esta teoria económica americana torna economistas russos e chineses em bonecos (stooges) americanos de facto. Eles apoiam políticas que servem Washington ao invés dos seus próprios países.

Se a China e a Rússia quiserem ser países soberanos, eles devem rezar para que o imbecil Mnuchin os corte fora do sistema dólar que os explora. Nessa altura a Rússia e a China terão de por em prática o seu próprio sistema e aprender teoria económica real ao invés da propaganda que posa como ciência económica e serve os interesses de Washington. 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

Portugal | PRODUTIVIDADE E SALÁRIOS



Manuel Carvalho da Silva* | Jornal de Notícias | opinião

Não é difícil adivinhar que o debate em torno do Orçamento do Estado será bastante constrangido pelo peso da dívida e pelo espartilho das regras orçamentais da União Europeia (UE), que restringem a capacidade de recuperação do investimento e a implementação de serviços públicos de qualidade. Tal constatação desafia o Governo a procurar argumentos e propostas que se distanciem dos fundamentalismos da UE. Por outro lado, confirma a necessidade de tornar a questão da dívida num tema constante da agenda política. Em Portugal ele deve ser persistentemente estudado e polemizado de forma dinâmica e ativa.

Há, entretanto, neste tempo de debate orçamental, outras sombras preocupantes a necessitarem de mais exposição e debate.

Congratulamo-nos com os números do crescimento económico e do emprego, mas interrogamo-nos pouco acerca do tipo de crescimento e de emprego criado. Tudo indica que a recuperação da atividade económica e do emprego está a ser acompanhada por uma significativa alteração da estrutura da economia. O peso de setores de baixa produtividade e baixos salários (agricultura, serviços às empresas, alojamento, restauração, etc.) no emprego e no produto está a reforçar-se. Em consequência, não obstante o aumento da produtividade noutros setores, nomeadamente na indústria, a produtividade agregada, ou seja, a produtividade média observada no conjunto dos setores de atividade privada estagnou. Este facto ajuda a perceber a razão pela qual o ritmo de crescimento do emprego é superior ao ritmo de crescimento do produto e porque os salários, em média, se mantêm estagnados.

Este padrão de crescimento intensivo em trabalho mal remunerado é alimentado, fundamentalmente: i) pelo desemprego que se mantém elevado; ii) pela reconfiguração regressiva das instituições que enquadram as relações de trabalho, desde logo a imposição de um quadro legislativo que fragilizou os trabalhadores e diminuiu e empobreceu a negociação coletiva; iii) por impactos decorrentes de manipulações e práticas perversas presentes nos processos migratórios.

O DIABO DAS BOCAS PREVALECE



Passos anunciou-se: "Vem aí o diabo." Outra vez? Querias!

Mário Motta, Lisboa

Da Lusa em Sapo 24, as notícias para quem não as viu ou gosta muito de ler sobre coisas de interesse e/ou futilidades.

MARCA DE TRAMPA

Passos reclama para o seu primado governativo “uma marca de água”… Só se for água do esgoto, pestilenta, choca e cheia de resíduos malignos, de trampa.


O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, desafiou hoje o primeiro-ministro a dar explicações, em Viseu, sobre obras programadas e não concretizadas no distrito, e defendeu que existe "uma marca de água" da gestão social-democrata.

PCP INCITA A “PORTAREM-SE MAL”

O arco da governação - que tem sido o arco da desgraça - incitado pelo PCP a “portar-se mal” e a reporem os 25 dias de férias na função pública. Na pública e na privada, era só votarem em consonância na AR. Bonito incitamento, mas só isso, eles andam a pensar é em encurtar ainda mais os dias de férias, como perfeitos neoliberais que são… Talvez alguns, do PS, nem tanto.


O secretário-geral do PCP desafiou hoje PS, PSD e CDS-PP a reporem o direito dos trabalhadores da função pública a 25 dias de férias, prometendo que as autarquias CDU vão repor essa situação aos seus trabalhadores em 2018.

PASSOS A VER-SE AO ESPELHO

Passos, o labrego doentiamente neoliberal - a razar o fascismo - que desgraçou milhões de portugueses em prol dos ricos passarem a ser mais ricos, classifica Costa de sectarismo e mesquinhez. Credo, o labrego decerto que se estava a ver ao espelho!


O presidente do PSD acusou hoje o primeiro-ministro de "sectarismo e mesquinhez" sem paralelo na história democrática portuguesa ao dizer "nada" sobre o papel do anterior Governo na subida do 'rating'.

ARMÉNIO INEVITÁVEL

Arménio, da CGTP, referiu-se ao facto da subida do tal rato dos truques capitalistas, perdão, “rating”, dizendo que era inevitável o nojento subir. Pois claro, a resposta era inevitável, como foi inevitável que os servidores do atual capitalismo selvagem tivessem de ceder e fazer só agora o que já deviam há tempos ter feito: subir o rato que roí a soberania dos povos e dos países com criações de caca que por eles são manipuladas para cumprirem a máxima  de “os ricos cada vez mais ricos...”. Os tais que criam crises para enriquecerem muito mais. Inevitável, senhores vampiros.


O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou hoje que face à evolução positiva da economia portuguesa, era "inevitável" a melhoria do 'rating' atribuído à República Portuguesa pelas agências de notação financeira.

UNITA À LA PALICE

Não há volta a dar, a UNITA, em Angola, anuncia que vai ocupar o parlamento com os seus deputados eleitos. Pois claro, nem outra coisa havia a fazer, até os que neles votaram vomitavam, para além de os eleitos passarem a ver menos kuanzas nas suas contas bancárias. Seria motivo de divórcio para os deputados casados. Ai, ai. Afinal a UNITA deu uma de La Palice, disse o que é evidente. Mas que raio de notícia.


O maior partido da oposição em Angola, a UNITA, anunciou hoje que os seus deputados eleitos nas legislativas de agosto assumirão os lugares no Parlamento, uma decisão tomada dias depois de o Tribunal Constitucional ter validado as eleições.

BARCELONA INDEPENDENTE… E O NEOLIBERAL NORTE EM PORTUGAL, NÃO?

Os de Barcelona continuam na deles, querem a independência. E são muitos a quererem isso mesmo, Os castelhanos andam numa fona a trabalhar para evitar a separação da importante "praça financeira" da chamada Espanha, dali saem impostos e mais impostos para os castelhanos… Ora assim não pode ser, “mas qual independência da galinha dos ovos de ouro?” teimam os de Castela. Pois.

Num aparte é de acrescentar que o norte de Portugal também um dia vai tentar o mesmo contra os “mouros” do sul. Já ameaçaram por várias ocasiões. E andam sempre a chorar porque sustentam os calaceiros do sul. Pois, como se fosse verdade... Tá bem, dêxa.


Mais de 700 autarcas da Catalunha reuniram-se hoje em Barcelona para demonstrar união pela realização do referendo independentista, convocado para 01 de outubro, mas suspenso pelo Tribunal Constitucional de Espanha.

Por hoje basta, isto, estas “bocas” são só um “ensaio”. Tudo e mais alguma coisa no SAPO 24 com a LUSA – ou vice-versa. Vão lá, porque há muito mais.

UE nauseabunda e asquerosa | Governos europeus investem no tráfico de refugiados



José Goulão [*]

Aqueles que se proclamam faróis dos direitos humanos financiam terrorismos com o dinheiro dos contribuintes e varrem o problema dos refugiados para debaixo do tapete, tratando-os como lixo.

Não é oficial, porém é uma verdade comprovada: governos europeus financiam redes de traficantes no Norte de África para tentarem impedir que os refugiados cheguem às costas europeias.

A muitos poderá parecer indigno que damas e cavalheiros tão apessoados, fluentes como ninguém na homilia dos direitos humanos, assertivos sem rival no discurso da guerra contra o terrorismo, sejam capazes de untar as mãos de senhores da guerra, da tortura e do terror com o dinheiro dos contribuintes. Eles lá sabem por que o fazem, dirão alguns; pois bem, também nos convém apurar o que eles fazem, para melhor os conhecermos para lá da farpela e do verbo.

Há poucas semanas, o governo italiano, tão democrático que até veste as cores do Partido Democrático, um braço político da NATO situado "à esquerda" no "arco da governação", enviou dois credenciados espiões para negociar com os cappos da família mafiosa Dabashi, que têm quartel-general em Sebrata, no território que outrora se designou Líbia e hoje é considerado um "Estado-falhado", melhor dizendo, um não-Estado. Situação que resulta da operação devastadora conduzida por uma aliança militar não disfarçada entre a NATO e grupos terroristas ditos "islâmicos" das linhagens Daesh e Al-Qaida.

A família Dabashi é um exemplo de empreendedorismo orientado pelo mais elevado sentido da modernidade, extraindo proveitos múltiplos e gordos do caos implantado no território da antiga nação, que chegou a ser uma das mais prósperas de África.

Dois irmãos repartem a chefia do clã: um comanda a milícia Al-Ammu, ou Brigada do Mártir Annas al-Dabashi, constituída por cinco centenas de mercenários e parcialmente financiada pelo Ministério da Defesa de um governo sediado em Tripoli, o de Fayez al-Sarraj, reconhecido pela ONU e dito de "união nacional".

Existem pelo menos outros dois governos na antiga Líbia, enovelados entre centenas de milícias, grupos terroristas, gangues mafiosos, bandos de mercenários, traficantes multifacetados e empresas privadas de segurança. O outro irmão Dabashi chefia a Brigada 48, esta financiada pelo Ministério do Interior do mesmo governo.

As duas organizações mafiosas Dabashi obtêm as suas receitas mais compensadoras através do tráfico de refugiados. Administram campos de concentração para encafuar milhares de seres humanos que fogem das guerras fomentadas pela NATO e seus principais Estados membros no Médio Oriente, Eurásia e África, ora alegando combater ora apoiando grupos terroristas; nesses campos ditos "de acolhimento", a tortura, os abusos sexuais e as privações de necessidades mínimas como alimentação, saúde e higiene fazem parte do quotidiano e são métodos corriqueiros para extorquir os bens aos fugitivos como pagamento de viagens em embarcações que mal navegam com destino mais do que duvidoso às costas mediterrânicas europeias.

"Foi com estes empresários, expoentes de um neo-humanismo cada vez mais na moda, que os dois agentes secretos enviados de Roma se sentaram para negociar, e ao que parece com êxito."

QUEM DOMINA A AMÉRICA?



A elite do poder na era Trump

James Petras

Nos últimos meses, vários sectores políticos, económicos e militares competidores – ligados a diferentes grupos ideológicos e étnicos – emergiram claramente como os centros de poder.

Podemos identificar alguns dos competidores chave e centros entrelaçados da elite do poder: 

1. Propagandistas do mercado livre, com a presença generalizada do grupo "Israel First".
2. Capitalistas nacionais, ligados a ideólogos de direita.
3. Generais, ligados à segurança nacional e ao aparelho do Pentágono, bem como à indústria da defesa.
4. Elites dos negócios, ligadas ao capital global.

Este ensaio tenta definir os detentores do poder e avaliar a amplitude e impacto do seu poder.

A elite do poder económico: Israel-Firsters e presidentes da Wall Street

Os Israel Firsters dominam as posições económicas e políticas de topo dentro do regime Trump e, de modo interessante, estão entre os opositores mais vociferantes da administração. Estes incluem: a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, bem como seu vice-presidente, Stanley Fischer, um cidadão israelense e antigo (sic) governador do Banco de Israel.

Jared Kushner, genro de Trump e judeu ortodoxo, actua como seu conselheiro principal em Assuntos do Médio Oriente. Kushner, um magnata imobiliário de Nova Jersey, posicionou-se como o arqui-inimigo dos nacionalistas económicos do círculo próximo de Trump. Ele defende todo o poder israelense e a captura de terra no Médio Oriente e trabalha estreitamente com David Friedman, embaixador dos EUA em Israel (e apoiante fanático dos colonatos ilegais judeus) e Jason Greenblatt, representante especial para negociações internacionais. Com três Israel-Firsters a determinar a política do Médio Oriente, não há sequer uma folha de figueira para equilibrar.

O secretário do Tesouro é Steven Mnuchin, antigo executivo da Goldman Sachs, que lidera a ala neoliberal de livre mercado do sector da Wall Street dentro do regime Trump. Gary Cohn, durante muito tempo influente na Wall Street, encabeça o National Economic Council. Eles constituem o núcleo dos conselheiros de negócios e lideram a coligação neoliberal anti-nacionalista de Trump comprometida a minar políticas económicas nacionalistas.

Uma voz influente no gabinete da Procuradoria-Geral é Rod Rosenstein, o qual nomeou Robert Mueller como investigador chefe, o que conduz à remoção de nacionalistas da administração Trump.

O padrinho visionário da equipe anti-nacionalista de Mnuchin-Cohn é Lloyd Blankfein, presidente da Goldman Sachs. Os "Três banksters Israel First" estão a encabeçar o combate para desregulamentar o sector bancário, o qual tem devastado a economia, levou ao colapso de 2008 e ao arresto de milhões de lares e negócios americanos.

A elite "Israel First" do livre mercado estende-se por todo o espectro político dominante, incluindo democratas no Congresso, liderados pelo líder da minoria no Senado, Charles Schumer e o responsável democrata do Comité de Inteligência da Câmara, Adam Schiff. Os Israel Firsters do Partido Democrata aliaram-se aos seus irmãos do livre mercado para pressionar por investigações e campanhas de mass media contra apoiantes do nacionalismo económico de Trump e o seu expurgo final da administração. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

“Discurso econômico, arma da minoria rica”



Grupo de economistas rebeldes insurge-se contra narrativas hegemônicas que exigem, diante da crise, novos sacrifícios do povo. Para eles, é hora da redistribuição de riquezas

Theotonio dos Santos e outros | Outras Palavras | Imagem: Tse Yim On

O debate econômico no Brasil encontra-se profundamente bloqueado e vem sendo insistentemente usado como chantagem contra o povo. Diariamente governo e imprensa exigem o sacrifício popular dizendo que não há saídas sem retrocessos, como a proposta de “reforma” da previdência, que na prática acaba com a aposentadoria. Por isso, as propostas que visam solucionar a crise através da distribuição de riqueza precisam voltar à tona com urgência e de maneira contundente.

É dentro desse “espírito” que um conjunto de economistas e profissionais da área econômica apresentam um manifesto para aprofundar o diálogo social sobre a economia, que deve servir ao povo. A iniciativa visa promover uma inserção mais organizada no debate público e desmontar as narrativas hegemônicas da economia que oferecem como única saída o sacrifício do povo trabalhador.

Apresentamos o manifesto “Economistas pelo Brasil”, que condensa, em linhas gerais, o que seria uma política econômica da maioria. Trata-se de um documento assinado por economistas e profissionais da área econômica, aberto a novas adesões (acesse aqui).

Angola | Gorbatchov e Deng Xiaoping, igual a Mudança!




«Como o título acima dá a perceber, vou tratar de uma expressão e o seu contrário que levou João Lourenço a se pronunciar quanto à sua linha de pensamento político para o País»

1. Como ponto prévio, dizer que estas linhas estão a ser escritas antes da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) apresentar os resultados definitivos do acto eleitoral do passado dia 23 de Agosto, pelo que não sabemos se, de facto - e tudo parece indicar que sim - o MPLA venceu as eleições e, por extensão, o general João Manuel Gonçalves Lourenço e o Doutor Bornito de Sousa Baltazar Diogo foram eleitos, respectivamente, Presidente e Vice-Presidente da República. Ainda que a empresa de rating Moody"s já admita como definitivos os resultados provisórios e que o País vai entrar numa onda de estabilidade política. O que não parece pelas tomadas de posições da Oposição. E que, também, este texto é um pouco um lamento...

2. Como o título acima dá a perceber vou tratar de uma expressão e o seu contrário que levou João Lourenço a se pronunciar quanto à sua linha de pensamento político para o País, caso se confirme a sua eleição como o Mais Alto Magistrado da Nação.

3. Quando, em entrevista/análise ao matutino português Público, de 25 de Agosto e publicada no dia 26, logo após os primeiros números apresentados pela CNE, eu aventei que João Lourenço poderia ser um Gorbatchev (ou Gorbatchov) angolano, como intitulou o Público a minha entrevista/análise «Se o deixarem, João Lourenço "pode ser o Gorgatchov do MPLA"»; esta minha ideia, foi repetida na análise que concedi à secção portuguesa da emissora alemã Deutsche Welle quando, ma mesma linha do Público e segundo os primeiros resultados da CNE, me solicitou essa «Só haverá mudanças em Angola se o futuro Presidente tiver força para se impor, defende analista ouvido pela DW, que vê em João Lourenço um possível "Mikhail Gorbachev angolano" (..) criando uma "Glasnost". Espera-se uma "glasnostização" da política angolana».

4. De notar que a expressão "Glasnostização da política angolana" apareceu, pela primeira vez num artigo académico que escrevi para o Africa Monitor.

5. Surpreendentemente, logo no domingo seguinte num programa de análise política, onde o humor, não poucas vezes, prevalece, de uma televisão portuguesa, um comentador referiu que, citando-me sem me identificar, "alguns esperam que ele seja uma espécie de Gorbachov, (foi a expressão utilizada pelo comentador e por mais de uma vez...)".


VER MAIS EM PULULU - As minhas intervenções no período eleitoral – antes e depois

*Eugénio Costa Almeida, Ph.D (DSSc | Investigador/Researcher/Pós-Doutorando

**Eugénio Costa Almeida – Pululu - Página de um lusofónico angolano-português, licenciado e mestre em Relações Internacionais e Doutorado em Ciências Sociais - ramo Relações Internacionais - nele poderão aceder a ensaios académicos e artigos de opinião, relacionados com a actividade académica, social e associativa.

Angola | OS MALANDROS ROUBARAM AS ELEIÇÕES



Raul Diniz | opinião

Apesar da unilateralidade decisória no controle das eleições do passado dia 23 de Agosto de 2017, o pensamento inflectido nelas, teve um condão binária de interesse reprovável na combinação entre a CNE e o MPLA. Apesar dessa indisfarçável combinação dos autores dessa Mega fraude, eles esqueceram-se da vontade de mudança do soberano indecentemente roubado pelos malandros espertalhões do MPLA/CNE.

Nenhum candidato ao cargo de presidente da republica é respeitado quando carece de legitimidade para sê-lo, sobretudo quando se trata de um candidato desbotado feioso e pau mandado, feito chimba e/ou sipaio ao serviço de interesses que nada têm haver com a defesa dos interesses do povo.

João Lourenço não só se vale da fraude, como também ele representa o indigesto anacronismo de uma ditadura em ebulição a caminho do fim. Que fique claro, que João Lourenço não é nenhum líder com carisma inegável. Ninguém se transforma em líder de um povo ou de um país por indicação de um ditador gatuno e corrupto.

Aliás, João Lourenço não foi indicado como candidato pelo presidente gatuno da republica das banas, pela excelência nobre da sua integra capacidade de servir o povo com altruísmo, e extremoso voluntarismo.

De um lado assistimos a conhecida posição mentirosa da CNE, e do outro a visão indecorosamente promiscua do MPLA. A dureza da nossa realidade demonstra a adversidade incongruente da megalomania intrínseca dos assoberbados gatunos do MPLA. É uma vergonha um partido no poder a 42 anos ter que roubar eleições como principio basilar para ganhá-las.

Angolanos lideram matrículas estrangeiras em universidades brasileiras



A nacionalidade angolana é a campeã das matrículas de estudantes estrangeiros em universidades brasileiras, revela o Censo da Educação Superior, recém-divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação do Brasil.

om 1.928 estudantes matriculados em universidades brasileiras, tanto públicas como privadas, número que representa quase o dobro da segunda nacionalidade mais expressiva - a paraguaia, com 1.091 alunos -, Angola lidera a lista de países estrangeiros presentes nas instituições de Ensino Superior do Brasil.

O pódio das principais nacionalidades estrangeiras é completado pela Guiné-Bissau, que tem 1.017 alunos em faculdades brasileiras.

Os números, referentes a 2016, constam do Censo da Educação Superior, recém-divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação do Brasil.

Segundo o estudo, 45% dos estudantes estrangeiros matriculados nas faculdades brasileiras são do próprio continente americano, enquanto 28% saem de África, 14% da Europa, 11% da Ásia e 2% da Oceânia.

Depois de Angola, Paraguai e Guiné-Bissau as nacionalidades que mais frequentam as instituições de Ensino Superior do Brasil são do Japão (927), Argentina (905), Bolívia (855), Peru (795), Portugal (634), EUA (574), Cabo Verde (561), Uruguai (499), Colômbia (452), Chile (402) e Haiti (352).

Angola | PARABÉNS MPLA!



As eleições em Angola já lá vão, distanciadas no tempo de quase três semanas, no PG pouco abordamos o tema... E agora já é despropositado, por isso é preferível ficarmos só pelos resultados oficiais. O que se possa aqui incluir está fora da atualidade e decerto é do conhecimento da maioria dos que aqui nos visitam.

Venceu o MPLA por uma grande margem de percentagem. Já era de prever.

Que houve batota, dizem uns. Que as eleições se processaram com toda a transparência, afirmam outros. Os observadores às eleições disseram que tudo foi muito democrático e transparente...

Que a diferença é enorme entre os vencedores e os vencidos não há como duvidar. Preponderância do MPLA continua a ser o futuro de Angola e dos angolanos. Agora com novo Presidente da República. Caso para acompanhar mais de perto por todos os que se interessam pelo que acontece em Angola. É o que no PG faremos. Parabéns MPLA. 

Vamos ver a partir de agora se há novos enriquecimentos "espontâneos e inexplicáveis" ou se continua a ser canalizado tudo para os mesmos... Para os carenciados é que vai difícil chegar-lhes a riqueza e vidas de nababos.

Democracia "ma non tropo".

MM | PG

TIROS NA DEMOCRACIA



Manuel Carvalho da Silva | Jornal de Notícias | opinião

No último ano, assistimos a um certo enfoque mediático e político no tema do futuro do trabalho, sem dúvida de crucial importância para a democracia. Embora a OIT tenha uma agenda com interesse sobre o tema, a discussão foi introduzida carregada de enviesamentos, fruto do crescente desequilíbrio nas relações de poder entre o trabalho e o capital, provocado por fatores diversos, que vão desde a financeirização da economia, à progressiva organização subversiva de estruturas empresariais ou às alterações regressivas na legislação do trabalho em muitos países, como foi o caso de Portugal. Mas, na determinação do futuro do trabalho, as questões políticas podem vir a mostrar-se mais determinantes do que as tecnológicas, hoje tão em voga graças aos impactos da robotização e da inteligência artificial, quer no plano externo quer no nacional.

Em França, país de importância histórica na conquista de direitos individuais e coletivos no trabalho, Macron, enquanto encena aparentes ideias inovadoras para o projeto europeu, desencadeia uma ofensiva antilaboral sem precedentes, apoiado pelos poderes dominantes da União Europeia (UE). Draghi expressou, esta semana, a expectativa de tais reformas "eliminarem o dualismo no mercado de trabalho", o que pelas experiências conhecidas significa generalizar a precarização e acentuar a desproteção dos trabalhadores. Muito do futuro do trabalho no continente europeu joga-se em França.

As "ordennances" de Macron - decretos previstos constitucionalmente, mas que raramente são utilizados por permitirem mudanças profundas sem debate e voto parlamentar - pretendem introduzir a negociação na empresa "à la carte", servindo o interesse imediato dos patrões e possibilitando derrogar direitos consagrados ao nível da negociação coletiva setorial e até ao nível nacional, eliminar praticamente a negociação coletiva nas pequenas e médias empresas, estoirar a autonomia coletiva dos trabalhadores e facilitar despedimentos introduzindo mecanismos de proteção das multinacionais.

AINDA QUEREM MAIS? | Autoeuropa produziu 18 vezes mais em agosto face a período homólogo



A fábrica da Autoeuropa, em Palmela, produziu 6.241 automóveis em agosto, aproximadamente 18 vezes mais (+1.683,1%) do que no mesmo mês de 2016, segundo a Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP).

No mês marcado pelo início da produção do novo modelo, o T-Roc, e de uma greve a 30 de agosto, a fábrica do grupo Volkswagen produziu 6.241 ligeiros de passageiros , o que representou 72,5% do total da produção automóvel em Portugal. Em agosto de 2016 foram produzidos 350 veículos, numa altura de paragem de verão.

Este ano, a paragem decorreu na última semana de junho e na primeira de julho.

A ACAP divulgou hoje terem sido produzidos 8.610 unidades totais em agosto, num crescimento homólogo de 211%.

No acumulado de janeiro a agosto, a fábrica de Palmela tem um registo de 59.296 viaturas produzidas, o que traduz um crescimento de 3,5%. O acumulado da indústria automóvel nacional é de 102.314, numa subida de 5,3%.

Por marcas e no segmento da produção de ligeiros de passageiros, em agosto, a Volkswagen somou 4.480 viaturas (+1.983,7%), a Citroen 207 (-14,8%), a Seat 1.761 unidades (+1.204,4%) e a Peugeot 349 (-24,6%).

Em agosto, a Peugeut Citroen registou uma queda na produção de 8,6% para 1.992 unidades, somando no acumulado do ano uma evolução positiva de 2,4% para 34.927 veículos.

A Mitsubishi Fuso Truck Europe contabilizou 377 veículos produzidos (+58,4%) e no acumulado do ano 6.620 unidades (+50,1%).

A Toyota Caetano não registou produção em agosto, tendo no total acumulado 1.471 veículos produzidos em Portugal (+7,8%).

Nos comerciais ligeiros, a Citroen produziu 778 veículos (-7%), Peugeot 658 (+3,3%), a Mitsubishi 151 (+30,2%).

A Mitsubishi produziu ainda 226 veículos pesados (+85,2%).

Lusa | Notícias ao Minuto | Foto: Global Imagens

OS “ARISTOCRATAS” DA AUTOEUROPA



Soares Novais [*]

Os trabalhadores da Autoeuropa fizeram a sua primeira greve e isso bastou para que fossem "metralhados" em praça pública. Por comentadores e políticos. A senhora secretária-geral adjunta do Partido Socialista (PS) e Miguel Sousa Tavares (MST) foram dois dos "notáveis" que deram ao gatilho. MST foi mesmo ao ponto de dizer que eles constituem "a aristocracia operária." O comentador tem razão: "Um operador de linha traz 800 euros para casa, um técnico um pouco mais, um engenheiro cerca de 1100." Tão altos salários garantem aos trabalhadores da Autoeuropa todas as mordomias... 

Mas se as declarações do sábio MST valem o que valem, o que foi dito pela senhora secretária-geral adjunta do PS é bem mais grave. A dita ameaçou os trabalhadores da Autoeuropa com a deslocalização da fábrica e fez estalar o chicote do terror do desemprego. Isto é, esqueceu-se de que é o braço-direito do secretário-geral do partido que tem a missão de governar o país e a quem cumpre dizer aos accionistas da Autoeuropa que são obrigados a dar condições de vida digna ao seus trabalhadores. E a respeitar as leis vigentes no país.

Para a secretária-geral adjunta do PS, MST e todos os outros opinadores, mesmo aqueles que são tão "aristocratas" como os trabalhadores da Autoeuropa, a greve foi uma "brutalidade" cometida contra aqueles que fazem o "favor" de dar emprego e que para tal foram alvo dos maiores apoios, benefícios e isenções do Estado português, isto é, de todos nós.

Acresce: a greve resultou da falta de sensibilidade e de maleabilidade da administração da Autoeuropa para, ao longo dos tempos, ir ao encontro dos alertas e propostas dos trabalhadores e das suas organizações sindicais. Mais: a greve foi decidida pelos trabalhadores da Autoeuropa e esse é um direito que está consignado na Constituição da República. Quer a administração da VW Autoeuropa, a senhora secretária-geral adjunta do PS e o comentador MST, e todos os outros sábios, queiram ou não.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

RACISMO | “A presença de negros na academia é nula” - entrevista



Professora universitária, Inocência Mata defende quotas para assegurar a representatividade racial em várias áreas. “Não é verdade que a classe social elimine o racismo. Vou a lugares onde sou a única negra e sou discriminada.”

Inocência Mata é a única professora negra na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecciona desde 1990, no departamento de Literaturas Românicas. Está há três anos a dar aulas temporariamente em Macau. Isso não impede que quando chegue ao aeroporto de Lisboa seja chamada para ser revistada ou conduzida à fila dos passaportes não-europeus. Ainda há pouco tempo, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, andava à procura de uma secção, e a pessoa começou a descrever-lhe as direcções. “Quando vir uma placa a dizer consultas externas, vira — sabe ler?”

É a única professora negra na Faculdade de Letras. Por que acha que esta ausência de representatividade acontece em Portugal?

Entre os académicos, conheço pessoas que respeito que falam da desigualdade de género, mas não lhes passa pela cabeça que igualmente tão grave é a desigualdade étnico-racial. A presença de negros na academia é nula. Isto é um grande problema, mais grave porque acontece na academia.

Mesmo que existam pessoas com um óptimo trabalho sobre questões de racismo na sociedade portuguesa, por exemplo, não vêem a falta de representatividade étnico-racial como um problema de justiça social como no caso da desigualdade de géneros. Por muito que estejam atentas, não são vítimas de racismo, e é isso que se tem de perceber quando se pede que a sociedade reflicta a vários níveis a sua diversidade. Houve uma colega, querendo dizer que não era racista, que um dia me disse: “Não me lembro da cor das pessoas.” Eu respondi: “Sorte a tua, porque eu não consigo esquecer-me da minha cor. Mesmo que me esqueça, o quotidiano lembra-me.” O racismo é sobretudo uma questão de cor da pele (embora o racismo cultural seja também um problema a considerar).

Ainda não houve a tomada de consciência dessa necessidade?

No Brasil, os académicos assumiram como questão sua essas desigualdades e forçaram a agenda política. É o que tem de acontecer em Portugal. Não estou à espera de que a Dona Maria comece a pensar assim. Eventualmente nunca pensará. Enquanto a academia não assumir isso como um problema, essa mudança nunca vai acontecer.

Não me falem de meritocracia, das maiores armadilhas na luta contra a desigualdade: é pôr o filho do médico que mora em Cascais e anda nas melhores escolas a fazer o mesmo teste que o jovem que mora no Bairro 6 de Maio (Amadora), esperando que tenham a mesma performance. É preciso dar ao jovem do 6 de Maio as mesmas oportunidades. A meritocracia é um dos mais perversos mitos que fazem perpetuar a exclusão de grupos.

Defende então quotas?

Defendo um tipo de discriminação positiva em várias áreas. Tem de haver uma política de representatividade, através da diversidade, porque está mais do que provado que é um aspecto importante para a democratização e a harmonia social.

As quotas têm de ser vistas apenas como uma estratégia que visa a promoção social de grupos mais excluídos, não uma medida que vai perdurar. A preocupação da representatividade deveria estar presente nas instituições públicas. Quantos professores universitários negros existem nas universidades? Não é estranho num país que se orgulha da sua “experiência” africana? Quantos deputados? Quantos directores de serviços públicos? Quantos ministros não-brancos teve este país? Não me venham falar da Francisca van Dunem. E antes também que venham com o exemplo de António Costa, digo que me parece significativo que tenha sido precisamente no seu Governo a haver uma ministra negra no elenco governativo.

Ser negra interferiu na progressão da sua carreira?

Durante algum tempo houve quem tudo fizesse para me fazer crer que eu não deveria estar onde estava, como professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ora, entrei mediante um concurso público, faço questão de o dizer.

Num concurso interno, uma professora chega-se ao pé de mim para me dizer que tinha gostado muito do meu relatório, que estava excelente, e acrescentou: “Não estava à espera.” Fiquei varada. Não estava à espera por eu ser negra? Na faculdade vivi episódios muito tristes. Uma vez ia a entrar para uma sala onde haveria uma reunião e ouvi uma colega, que não me tinha visto, dizer “não sei o que é que esta preta veio para aqui fazer”. Ficaram todos constrangidos quando entrei, mas fingi que não tinha ouvido nada. Entre muitos outros episódios, inclusive nos serviços administrativos.

Recentemente, há três anos, impugnei um concurso. Custa-me falar disso porque me considero ostensivamente discriminada, prejudicada. Não quero acreditar que seja uma questão de racismo. Não me conformei. A questão foi objecto de acção judicial no competente Tribunal Administrativo, encontrando-se a aguardar decisão.

Não é fácil progredir na carreira na universidade portuguesa porque não é questão de mérito mas de vagas — e não tem havido vagas, o que é uma perversidade do sistema, pois o “sinal” que a tutela envia é que não importa o quanto trabalhes não serás promovido.

O racismo desaparece com a ascensão social?

Não é verdade que a classe social elimine o racismo. Vou a lugares onde sou a única negra e sou discriminada. Não é uma questão de discriminação social, é da cor da pele. Só diz isso quem não passa pelos constrangimentos pelos quais os negros passam.

Quais foram os desafios de trabalhar temas como as literaturas africanas?

Trabalho numa área que, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é considerada “menor” por muita gente. Infelizmente, gente com algum poder — e que não sabe nada dos Estudos Africanos e do que se passa no mundo académico, as mudanças que se vêm operando.

Mas a área foi ganhando espaço também por causa da importância que os países africanos vêm ganhando. Fomos conseguindo conquistar espaço, obviamente com o apoio de colegas das áreas afins, e hoje a faculdade tem nos seus planos curriculares no âmbito das literaturas e culturas não apenas uma unidade curricular de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, mas várias disciplinas de Literatura Angolana, Moçambicana, Literaturas Insulares, Literatura Colonial, Literaturas Pós-Coloniais (entre outras). Sem falar de unidades curriculares sobre culturas e civilizações africanas. Foi uma conquista e também uma evidência de que as mentalidades estão a mudar. Ainda que acredite que em muitas cabeças as disciplinas de literaturas e culturas africanas ainda sejam “matérias menores”, quero crer que essas pessoas são passado.

Joana Gorjão Henriques | Público

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