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segunda-feira, 29 de maio de 2017

EDUARDO DOS SANTOS JÁ ESTÁ EM ANGOLA E O FILHO GASTA MAIS MEIO MILHÃO DOS ANGOLANOS



Eduardo dos Santos já regressou a Luanda após tratamento médico em Espanha

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, de 74 anos, regressou hoje a Luanda, após uma ausência de 28 dias em Espanha, onde habitualmente recebe tratamento médico, período que ficou marcado pelas dúvidas sobre o seu estado de saúde.

De acordo com o relato da comunicação social pública, presente no aeroporto 04 de Fevereiro, em Luanda, José Eduardo dos Santos foi recebido ao final da tarde de hoje, para os habituais cumprimentos de boas vindas, pelo vice-Presidente da República, Manuel Vicente, pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, e pelo juiz presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, entre outras entidades do Governo.

O chefe de Estado angolano, no poder desde 1979, deslocou-se a 01 de maio a Barcelona, Espanha, para uma visita privada, informou na altura a Casa Civil da Presidência da República, não tendo sido divulgada outra qualquer informação oficial desde então.

Na nota distribuída na altura à imprensa, a Casa Civil da Presidência da República referia que José Eduardo dos Santos havia interrompido a sua estadia naquele país, em novembro de 2016, na sequência do falecimento, por doença, do seu irmão mais velho, Avelino dos Santos, ocorrida na África do Sul.

"Está em Espanha e quando ficar melhor vai regressar", disse hoje o ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti.

Esta foi a primeira vez que um membro do Governo angolano confirmou oficialmente que o chefe de Estado recebe habitualmente tratamento médico em Espanha, para onde viaja desde pelo menos 2013, regularmente, várias vezes por ano.

Alguma imprensa em Portugal e Angola referiu insistentemente, nas últimas semanas, que José Eduardo dos Santos terá sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) já em Espanha e chegou a ser criada uma página na rede social Facebook dando conta da morte do Presidente angolano.

ANGOLA DEVE REEQUACIONAR AS ABORDAGENS PARA REFORÇAR AS INICIATIVAS DE PAZ


Martinho Júnior | Luanda
  
1- Desde 4 de Abril de 2002 que em Angola se calaram as armas e as políticas de Reconstrução Nacional, Reconciliação e Reinserção Social (integrando os combates à fome, às doenças, ao analfabetismo e à pobreza), estão na ordem do dia com êxitos minguados (se comparados às imensas aspirações nacionais) e em geometria variável.

Está a ser bastante penoso a Angola fugir da cauda dos Índices de Desenvolvimento Humano para os Índices Médios de Desenvolvimento Humano, apesar dos esforços ao longo dos últimos quinze anos de luta contra o subdesenvolvimento no país e isso por causa dos nocivos impactos do capitalismo neoliberal por via do choque, primeiro, depois por via da terapia.

Para além da luta contra o subdesenvolvimento decorrente dessa paz relativa, Angola só pode ser um activo advogado da paz em África, em várias direcções: Golfo da Guiné, África Central, Grandes Lagos e África Austral…

As suas projecções contudo têm falências gritantes enquanto Angola não introduzir uma geoestratégia de desenvolvimento sustentável para o seu próprio espaço nacional (com fulcro na Região Central das Grandes Nascentes, conforme tenho advogado) e não se incluir em pelo menos duas iniciativas que se devem incrementar na África Sub-Sahariana: a “Congo Basin Initiative” e a “Zambezi Basin Initiative”, que poderão melhor aglutinar os esforços comuns a partir do espaço SADC, no sentido de melhor equacionar as aproximações e abordagens em relação às regiões dos Grandes Lagos, à “Niger Basin Initiative” e à “Nile Basin Initiative”, onde Angola deveria ser pelo menos país observador.

As abordagens angolanas carecem das componentes de análise dos factores antropológicos, de forma a melhor compreender as divisões, tensões e conflitos (e assim trabalhar por via da lógica com sentido de vida e da paz), ao mesmo tempo que carecem de abordagens físico-geográficas-ambientais que traduzam a interpretação correcta da dialéctica entre as regiões desérticas ou semi-desérticas e as regiões tropicais ou equatoriais, para além das abordagens históricas, sociológicas e outras que se deveriam fazer (como por exemplo a constante análise das tendências migratórias dentro do continente e as razões dessas migrações humanas, que se têm intensificado sob os impactos do capitalismo neoliberal e dos decorrentes fenómenos de tensões, conflitos e guerras).

A norte Angola deveria privilegiar as relações com a Nigéria e com o Egipto, tendo em conta os seus papeis geoestratégicos nas suas regiões, com o Egipto também por causa do potencial papel na “rota da seda” para dentro de África.

CONTRA ILEGALIDADES | UNITA CONVOCA MANIFESTAÇÃO EM ANGOLA PARA 3 DE JUNHO




A UNITA, maior partido da oposição angolana, convocou para sábado, 3 de junho, uma manifestação nacional para exigir que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) inicie novo processo contratual das empresas para prestar apoio tecnológico às eleições gerais de agosto.

Segundo o líder da bancada parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto da Costa Júnior, foram hoje enviadas cartas a dar conhecimento da ação ao Governo da Província de Luanda, ao ministro do Interior e ao Comandante-Geral da Polícia Nacional.

"Convido todo o país, de Cabinda ao Cunene, do Lobito ao Luau a iniciar esta semana, e das mais diversas formas, uma série de manifestações, que só devem terminar quando a CNE corrigir completamente o que fez mal", referiu, em conferência de imprensa realizada em Luanda.

Em causa estão alegadas ilegalidades no procedimento contratual de duas empresas, SINFIC, portuguesa, e INDRA, espanhola, para a elaboração dos cadernos eleitorais e o credenciamento dos agentes eleitorais e o fornecimento de material de votação e da solução tecnológica, respetivamente, e que já participaram nas eleições de 2012.

ANGOLA | UMA TRIPLA PRESIDÊNCIA


O semanário Folha 8 solicitou-me, enquanto académico e investigador angolano, uma análise – um balanço – aos quase 38 anos de tripla presidência de José Eduardo dos Santos, como mais Alto Magistrado da Nação como Titular do Poder Executivo e como Presidente do, partido maioritário que desde a independência, em 11 de Novembro de 1975, governa os destinos e algumas insânias da nossa grande Nação angolana.


José Eduardo dos Santos, como se sabe, antes dos cargos que ainda ocupa, foi um destacado representante do MPLA junto das cúpulas militares das então FAPLA – Forças Armadas Populares de Libertação de Angola –, braço armado do então movimento emancipalista e anti-colonialista, MPLA, e que, após a independência, se tornaram nas forças armadas da então República Popular de Angola (RPA).

Recorde-se o papel que teve, enquanto major, no conflito pré-27 de Maio de 1977, entre a facção, dita fraccionista – ou fraccionismo –, de Nito Alves – à época, Ministro da Administração Interna da RPA – e a via oficial do então presidente do MPLA e do País, Agostinho Neto, quando liderou a Comissão criada para estudas as chamadas 13 Teses de Nito Alves. (poderão ler mais desenvolvidamente no meu ensaio, “Angola, Potência Regional em Emergência”, páginas 67 a 71).

Sintetizar os quase 38 anos de liderança de José Eduardo dos Santos, como líder do MPLA, desde 10 de Setembro de 1979, após falecimento do Dr. Agostinho Neto, à época presidente do Partido e 1º Presidente de Angola independente, como Presidente da República, desde 20 de Setembro de 1979 – provavelmente deverá mesmo completar os 38 anos na Presidência da República, porque desde as eleições a 23 de Agosto próximo, dias antes do Presidente Eduardo dos Santos completar 75 anos de idade, até à confirmação oficial, pela Comissão nacional de Eleições e pelo Tribunal Constitucional do partido vencedor e, por inerência, do cabeça de lista como Presidente eleito, dificilmente haverá um novo Presidente antes de 20 de Setembro – e os longos anos como Titular do Poder Executivo – não esquecer e, independentemente do que os analista políticos possam interpretar (eu faço-o como investigador e não como analista político) que durante alguns períodos o Poder Executivo foi liderado por Primeiros-ministros, alguns dos quais fizeram valer as suas competência e autoridade como tais – é, em tão pouco tempo e espaço, muito difícil.

ANGOLA | José Eduardo dos Santos está em Espanha por motivos de saúde


O governo angolano confirmou, esta segunda-feira, que o presidente José Eduardo dos Santos está em Espanha por motivos de saúde.

Em entrevista telefónica a um programa da emissora de rádio francesa RFI, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, não especificou o tipo de tratamento que José Eduardo dos Santos recebe em Espanha e não confirmou que o presidente tenha sofrido um AVC, como refere alguma imprensa em Portugal e Angola.

Contudo, esta foi a primeira vez que um membro do Governo angolano confirmou oficialmente que o chefe de Estado recebe tratamento médico em Espanha, para onde viaja desde pelo menos 2013, regularmente, várias vezes por ano.

"Está tudo bem. Mas sabe, na vida, isso acontece com todos nós em algum momento, não nos sentirmos totalmente bem. Mas ele está bem. Está em Espanha e quando ficar melhor vai regressar", disse o ministro angolano, em entrevista para um programa sobre os conflitos étnico-políticos na vizinha República Democrática do Congo.

Alguma imprensa em Portugal e Angola tem referido insistentemente nas últimas semanas que José Eduardo dos Santos, atualmente com 74 anos, terá sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) já em Espanha e chegou a ser criada uma página na rede social Facebook dando conta da morte do presidente angolano.

No entanto, na mesma entrevista, Georges Chikoti não confirma qualquer problema de saúde grave com José Eduardo dos Santos, chefe de Estado desde 1979.

PELA PAZ COM INCLUSÃO EMERGENTE E MULTIPOLAR


Martinho Júnior | Luanda 

TROCA DE MENSAGENS COM SUA EXCELÊNCIA A EMBAIXADORA DA VENEZUELA EM LUANDA, DEPOIS DE SEU CONTACTO A AGRADECER A MINHA INTERVENÇÃO SOB O TÍTULO "UM ASSALTO ININTERRUPTO À VENEZUELA BOLIVARIANA"

Caríssimo amigo e companheiro

Desde a Embaixada da Venezuela queremos manifestar o nosso agradecimento pelo excelente trabalho. O mesmo significa uma importante mostra de ánimo e forças para todos os que somos solidários e cada dia damos o nosso melhor pela Revolução Bolivariana que há muito tempo deixou de ser uma luta do povo venezuelano para se tornar num espaço de luta de todos os povos do mundo que desde a persepectiva do Sul queremos uma nova forma de convivência cheia de liberdade, igualdade, justiça e solidariedade.

O povo venezuelano é consciente da responsabilidade que temos de proteger a nossa Revolução Bolivariana, porque detrás de nós existem muitos outros povos do planeta que veem neste projecto criado pelo Hugo Chavez como uma esperança para termos um mundo melhor.

Obrigado pela solidariedade com o povo venezuelano. Obrigado por contribuir para que outros possam entender, querer e defender desde o seu espaço o mais sublime projecto que veio para dar esperança ao Sul neste novo milénio.

Receba o meu mais forte abraço que vem a significar uma mostra de carinho entre dois povos irmãos o angolano e o venezuelano.

Cumprimentos.

Lourdes Pérez

Embaixadora da Venezuela

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Viva Excelência!

É apenas meu dever juntar a minha à corrente de vozes solidárias por todo o mundo!

A paz na Venezuela e em toda a América Latina, uma paz que dignifica os povos, é a paz que é tão precisa para toda a humanidade, pelo que uma Angola que procura manter acesa a perspectiva de paz em África, só lhe pode ser solidária!

Vou continuar a manter atenção à Venezuela e a dar a minha modesta contribuição desde Luanda.

Votos de muita coragem e dignidade em todos os actos de luta perseverante que vêm pela frente, com todos os sentidos postos nos benefícios que essa luta irá trazer a favor da Venezuela Bolivariana, do povo bolivariano e também dos povos de todo o mundo.

CONVERSA DA TRETA DE MERKEL | “AR RESPIRÁVEL, VENDE-SE” - Trump


Retirado do Expresso Curto apresentamos o balanço que foi dado a Martim Silva fazer esta manhã. Pela nossa parte não dizemos bom dia aos que nos estão a ler porque já é hora do lanche (para os que lancham). Evidentemente que Martim vai direitinho ao Glorioso da Luz, de Portugal, de arredores e dos confins do mundo. Esse é o Benfica. Adiante.

Logo de seguida Martim Silva, do Expresso, “atira-se” à Merkel. Não o faz por falta de gosto mas sim porque Merkel disse que “Está na hora de tomarmos o nosso destino nas mãos”. Nas mãos? Nas mãos de quem? Nas nossas mãos, dos europeus, obviamente. Ah pois está! Até já devíamos há muito ter tomado essa coisa de destino nas nossas mãos, nas nossas decisões… e tratar da nossa vida sem estar dependente dos traques que os EUA dão, nem dos rateres anais do Reino Unido. O que Merkel não disse foi que se antes assim não aconteceu a razão colhe-se no sindicato dos crimes contra a humanidade com sede nos EUA (principalmente) e por todas as sucursais globais de proteção ao capitalismo selvagem em vigor. E ela tem imensas responsabilidades nisso, assim como todos os governantes e deputados legisladores europeus – pelo menos esses. E então agora vamos acreditar em Merkel? Tudo vai ser diferente e melhor? Não. Aquilo foi só um desabafo num comício. Conversa da treta. Conveniente, já se sabe. Por  tal… tudo como antes… e para pior, se deixarmos. Se não abrirmos a pestana.

Trampas de Trump é o abraço seguinte na prosa de Martim. Quase nem vale comentar. Saliente-se que o enxertado em corno de cabra e milhões de cifrões no que diz respeito à defesa do ambiente prefere optar por rebentar com tudo com vista à má qualidade do ar, torná-lo irrespirável, para dar vantagens e lucros medonhos aos comparsas que venderão oxigénio, máscaras e demais traquitanas imprescindíveis para sobrevivermos. “Ar respirável, vende-se”. Assim havemos de ver por aí em lojas e etc. Talvez até Trump e similares fundem empresas de distribuição de oxigénio como agora existem as de eletricidade, de gás e outras. Ao domicilio, perconiza-se. E assim será com a água e etc. Olho para o negócio, dirá o estafermo com o coro de outros estafermos. Olho para serem uns grandessíssimos sacanas. Dizemos nós. Adiante e a caminho do fim.

Mais abordagens são apresentadas pelo autor, do Expresso que é Curto. Interessam. Há um caso de homofobia na prosa e muito mais, se continuar a ler.

Semana o melhor possível, principalmente para os plebeus fartos de sofrer por via dos Trampas que há por aí, espalhados por este mundo a dar cabo de vidas. De povos e de países.

MM | PG

Portugal | AVANÇAR COM OS PÉS NA TERRA


Manuel Carvalho da Silva* | Jornal de Notícias | opinião

Os dados sobre o crescimento económico no primeiro trimestre deste ano, a redução do desemprego e a criação de emprego que se vão observando, o surgimento de investimentos pontuais em áreas estratégicas para o desenvolvimento, os sinais de vitalidade em alguns setores de atividade e os efeitos práticos e simbólicos da saída do país do Procedimento por Défice Excessivo são, sem dúvida, boas notícias para os portugueses. Contudo, a análise objetiva aos fatores que estiveram na base desses resultados, as fragilidades em que alguns assentam e, acima de tudo, uma observação atenta das carências com que se continua a deparar uma parte significativa das famílias portuguesas aconselham uma travagem nas euforias e devem conduzir-nos a uma reflexão sobre as opções políticas a assumir no imediato, com vista a um horizonte estratégico mais seguro.

Fala-se muito de crescimento económico mas pouco do desenvolvimento da sociedade, teoriza-se sobre como atrair investimento mas não avançam políticas para atração das pessoas, e Portugal precisa, urgentemente, de reparar a grave rutura geracional que sofreu nos últimos 10 anos. Não se discutem suficientemente as desigualdades nem a distribuição da riqueza.

Entretanto, perante aqueles resultados positivos, o discurso dominante nos meios de comunicação social foi rapidamente tomado por alertas quanto ao perigo de um "regresso ao passado" de despesismo orçamental. Impressiona ver como, quase 10 anos passados desde o início da crise financeira internacional, a maioria dos comentadores económicos continua presa a um diagnóstico errado quanto às causas da crise - voltam a atribuí-las erradamente a problemas de contas públicas - e prossegue uma análise que ignora os efeitos destrutivos da austeridade imposta pela troika e seus executores nacionais.

ÓH DA GUARDA! | Universidade lisboeta é notícia lá fora por causa de cabeça de assassino




A cabeça de Diogo Alves está exposta no teatro anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

A faculdade de Medicina de Lisboa está a ser notícia lá fora. Em causa está o facto de numa das suas salas se encontrar algo que é considerado fascinante mas igualmente estranho.

Referimo-nos à cabeça de Diogo Alves, que segundo a Atlas Obscura, “permanece ali, simplesmente”, sendo já “indiferente e familiar” aos físicos e técnicos anatómicos que percorrem os corredores da faculdade todos os dias.

Diogo Alves terá sido um dos primeiros 'serial killers' e o último homem a ser enforcado em Portugal. A mesma publicação recorda que nasceu na Galiza, em 1810, e viajou para Lisboa ainda novo. Ficou conhecido como o assassino do Aqueduto das Águas Livres já que de 1836 a 1839 perpetrou nesse local vários crimes hediondos. Quando foi apanhado, em 1840, foi sentenciado à forca.

Andrea Pinto | Notícias ao Minuto

Portugal | 28 DE MAIO, BENFICA VENCE A TAÇA | GOLPISTAS FUNDAM A DITADURA... EM 1926




Ontem, domingo, 28 de Maio, foi mais um dia grande para o Benfica na disputa com o Guimarães da Taça de Portugal. Aconteceu no Estádio do Jamor, como habitual. O Benfica venceu por 2 – 1 e para além de se ter sagrado tetracampeão nacional na Liga de Futebol arrecadou mais um título, mais uma taça.

A data, 28 de Maio, é uma das de piores recordações para os portugueses. Recorrendo às memórias verificamos que há 91 anos foi implantada a ditadura que daria a Salazar a oportunidade de se manter no poder por mais de quatro décadas. Não é a desproposito aqui ficar mencionado o facto, já que desses anos negros de Portugal quase nunca vêm à baila citações. Da ditadura de quase 50 anos os media fazem o branqueamento que convém aos que desse regime são saudosos. Saudosos da exploração e desumanização que permitiu arrecadar (roubar) fortunas e condenar a maioria à subalimentação e à miséria. Por tal deixamos aqui um breve apontamento da efeméride tenebrosa para o país e para as populações:

Golpe de 28 de Maio de 1926 ou Movimento de 28 de Maio de 1926, também conhecido pelos seu herdeiros do Estado Novo por Revolução Nacional, foi um pronunciamento militar de cariz nacionalista e antiparlamentar que pôs termo à Primeira República Portuguesa, levando à implantação da Ditadura Militar, depois autodenominada Ditadura Nacional e por fim transformada, após a aprovação da Constituição de 1933, em Estado Novo, regime que se manteve no poder em Portugal até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974. – da Wikipédia

E agora sim, o desporto, o futebol, a saga de campeão do Sport Lisboa e Benfica (porque Benfica antes não era Lisboa mas sim arredores).

Se continuar a ler saberá, por via da Lusa, no Negócios, sobre a 26ª conquista da Taça de Portugal e mais pormenores. (PG)

sábado, 27 de maio de 2017

UM ASSALTO ININTERRUPTO À VENEZUELA BOLIVARIANA



“Imprimo mis dedos vivos en algún lugar
Y veo el mundo a través de un agujero
Mi reflejo, Chávez, es verte buscándome,
Tantos ojos, tú... y las de muchos otros que, como tú, edificaron los Pilares
de un nuevo mundo con palabras,
con gestos, con actitudes
con amor”…

“Conversaciones con Chavez”, poema da moçambicana Tânia Tomé, em homenagem ao Comandante Hugo Chavez.

Martinho Júnior | Luanda 

1- Desde que o Comandante Hugo Chavez faleceu a 5 de Março de 2013, que a Venezuela Bolivariana jamais sossegou, sucedendo-se uns aos outros e em crescendo, os processos de desestabilização e subversão estimulados pela hegemonia unipolar.

Muitas dúvidas recaem sobre o desaparecimento físico do Comandante, dúvidas que têm sido expressas por diversas entidades como Eva Golinger, ou Atílio Borón e o que se afigura certo é que, a partir daí, a partir de 5 de Março de 2013, a desestabilização e a subversão da Venezuela Bolivariana tem acontecido em escalada galopante, ininterrupta, com sinais evidentes que na sombra os serviços de inteligência dos Estados Unidos ditam as regras dum jogo que é por si e ao mesmo tempo, uma autêntica negação de processos próprios dum quadro de viabilidade democrática e um assalto ininterrupto ao poder da Venezuela Bolivariana.

A jornalista Eva Golinger em Abril de 2016 (entrevista à revista “Counterpunch”), considerava:“Creo que hay una fuerte posibilidad de que el presidente Chávez fuera asesinado. Hay notorios y documentados intentos de asesinato contra él durante toda su presidencia. El más notable fue el 11 de abril, el golpe de Estado en 2002, durante el que Chávez fue secuestrado e iba a ser asesinado, de no haber sido por el levantamiento sin precedente del pueblo venezolano y las fuerzas militares leales que lo rescataron y lo devolvieron al poder 48 horas después. Yo misma conseguí pruebas irrefutables utilizando la Ley de Acceso a la Información en EEUU, de que la CIA y otras agencias estadounidenses estaban detrás de ese golpe y apoyaron económica, militar y políticamente a los golpistas. Luego, hubo otros atentados contra Chávez y su Gobierno, como en 2004, cuando decenas de paramilitares colombianos fueron capturados en una finca en las afueras de Caracas que era propiedad de un activista antichavista, Robert Alonso, pocos días antes de que fueran a atacar el palacio presidencial y matar a Chávez.

Había otro atentado, menos conocido, contra Chávez que fue descubierto en la ciudad de Nueva York durante su visita a la Asamblea General de las Naciones Unidas en septiembre de 2006. De acuerdo a la información proporcionada por los servicios de seguridad, durante los reconocimientos de seguridad estándar de un evento en el que Chávez se dirigiría al público estadounidense en una universidad local, se detectaron altos niveles de radiación en la silla en la que se habría sentado. La radiación fue descubierta por un detector Geiger, que es un dispositivo de detección de radiación de mano de la seguridad presidencial utilizado para asegurar que el presidente no estaba en peligro de exposición a los rayos radioactivos. En este caso, la silla fue retirada y las pruebas posteriores demostraron que emanaba cantidades inusuales de radiación que podrían haber causado un daño significativo a Chávez si no lo hubieran descubierto. De acuerdo con la seguridad presidencial, una persona estadounidense que había estado involucrado en el apoyo logístico para el evento y había proporcionado la silla  de Chávez, pertenecía a la Inteligencia de Estados Unidos.

Hubo numerosos otros atentados contra su vida que fueron frustrados por los servicios de Inteligencia venezolanos y, sobre todo, por la unidad de contrainteligencia de la Guardia Presidencial que se encargaba de descubrir e impedir este tipo de amenaza. Otro intento conocido ocurrió en julio 2010, cuando Francisco Chávez Abarca (sin relación), un criminal terrorista que trabajaba con el terrorista de origen cubano Luis Posada Carriles, responsable por bombardear un avión cubano en 1976 y matar a los 73 pasajeros a bordo, fue detenido entrando a Venezuela y luego confesó que había sido enviado para asesinar a Chávez. Sólo cinco meses antes, en febrero de 2010, cuando el presidente Chávez estaba en un acto cerca de la frontera con Colombia, su seguridad descubrió a un francotirador a poco más de dos kilómetros de distancia de su ubicación que fue neutralizado posteriormente.

Si bien estas historias pueden sonar como ficción, están ampliamente documentados y son muy reales. Hugo Chávez desafiaba a los intereses más poderosos, y se negó a arrodillarse. Como jefe de Estado de la nación con las mayores reservas de petróleo del planeta, y como alguien que desafiaba abiertamente y directamente de Estados Unidos y el dominio occidental, Chávez fue considerado un enemigo de Washington y de sus aliados.

Entonces, ¿quién podría haber estado involucrado en el asesinato de Chávez, en caso de haber sido asesinado? Ciertamente, no resulta difícil imaginar que el Gobierno estadounidense estaría involucrado en un asesinato político de un enemigo que ellos claramente - y abiertamente - querían ver desaparecer. En 2006 el Gobierno de Estados Unidos creó una misión especial de Inteligencia clandestina para Venezuela y Cuba bajo la Dirección Nacional de Inteligencia. Esta unidad de Inteligencia de élite estuvo encargada de expandir las operaciones encubiertas contra Chávez y de dirigir misiones clandestinas desde un centro de fusión de Inteligencia (CIA-DEA-DIA) en Colombia. Algunas de las piezas clave de esta historia incluyen el descubrimiento de varios colaboradores cercanos a Chávez que tenían acceso privado a él, sin obstáculos, que huyeron del país después de su muerte y están activamente colaborando con el Gobierno de Estados Unidos. Si él hubiera sido asesinado por algún tipo de exposición a altos niveles de radiación, o por la inoculación o infección por un virus que causara el cáncer de otro modo, habría sido hecho por alguien con acceso cercano a él, en quien confiara”…

Toda essa retrospectiva antecipava a suspeita principal que recai sobre o ex-Capitão de Corveta, Leamsy Villafaña Salazar, Ajudante-de-Campo do Comandante e um prófugo protegido nos Estados Unidos.

Sobre a morte do Comandante Hugo Chevz, Atílio Borón por seu turno, adverte publicamente:“… Creo que mataron a Chávez, cada día estoy más convencido y creo que van a seguir matando (…) pueden continuar con el presidente (Nicolás) Maduro, con Evo (Morales) y (Rafael) Correa”…  

2- Logo a 22 de Fevereiro de 2014 o bem fundamentado jornalista portugués Miguel Urbano Rodrigues considerava: “… o projeto inicial de implantar no país uma situação caótica fracassou. Os apelos à violência de Leopoldo Lopez que assumiram caracter insurreccional na jornada de 12 de Fevereiro tiveram a resposta que mereciam das Forças Armadas e das massas populares solidarias com a revolução bolivariana. Os crimes cometidos pelos grupos de extrema-direita suscitaram tamanha repulsa popular que até Capriles Radonski – o candidato derrotado à Presidência da Republica - optou por se distanciar de Lopez e sua gente, mas convoca novas manifestações "pacíficas". Inviabilizada a tentativa de golpe com recurso à força, o esforço para desestabilizar o país prosseguiu, mas o projeto de tomada do poder foi alterado. O governo define-o agora como "um golpe de estado suave".

Uma campanha de desinformação, que envolve os grandes media dos EUA e da União Europeia, transmite diariamente a imagem de uma Venezuela onde a violência se tornou endémica, manifestações pacíficas seriam reprimidas, a escassez de produtos essenciais aumenta, a inflação disparou e a crise económica se aprofunda.


O “golpe suave” todavia, mesmo que o estado bolivariano conseguisse vencer as sucessivas conjuras que se foram desencadeando, tornou-se endémico sob o ponto de vista sócio-político, tendo muito que ver com um constante agenciamento das classes sociais mais poderosas na Venezuela Bolivariana, que sustentam a contrarrevolução, com sinais públicos constantes evidentes nas manobras dos “media” afins.

Em princípios de 2015, o jornalista Diego Olivera reportava sobre os acontecimentos de Janeiro em Caracas: “Los días 23 y 24 de enero de este 2015, marcaron de manera muy diferenciadas, las propuestas políticas, económicas y sociales, que desarrolla el gobierno bolivariano, dirigido por el presidente Nicolás Maduro, con los distintos sectores de la denominada Mesa de la Unidad Democrática (MUD), porque no podemos hablar, de unidad, menos de articulación de políticas, entre los miembros de la ultraderecha, la derecha, como pequeños sectores democráticos de la misma, pero que son manipulados por la extrema derecha venezolana.

Estas fechas muestran, dos visiones marcadas de Venezuela, mientras hoy la visión popular, tienen una visión del Caracazo, en aquel aciago 23 de enero 1988, donde el pueblo de manera espontánea salió a las calles, buscando una salida a su crisis económica, asaltando negocios de comida, mientras recibían las balas de la policía y el Ejercito, ordenadas por el hoy extinto presidente Carlos Andrés Pérez. Este 23 de enero 2015, los bolivarianos salieron a denunciar los asesinatos del 88, festejando en la avenida Bolívar, de Caracas, con una gran feria de alimentos, a precios regulados justos, con actividades sociales y culturales, ante los efectos de una guerra económica.

Por su parte la MUD, salía este 26 convocando una marcha de la cacerola vacías, en alusión a las colas que hoy existen en esta nación, los llamativo es que la ausencia de una decena de productos de la canasta familiar, aparecen en los operativos que realizan las autoridades venezolanas, son de los empresarios y testaferros de las empresas privadas, donde toneladas de alimentos y enseres, son descubierto, muchos de ellos sin facturas, demostrando la impunidad de estos sectores capitalistas, ante las necesidades del pueblo.

La oposición venezolana apuesta a la desestabilización y la niega publicamente”…

O processo numa primeira etapa tornou-se polarizado e os esforços de subversão em escalada visavam a montagem de cada vez maiores obstáculos à governação até chegar ao clímax de instalar os expedientes de violência, procurando multiplicar as “Maidan” nas praças das maiores cidades venezuelanas, de modo a que a todo o transe e a partir das ruas o poder fosse assaltado, pondo de lado a viabilidade democrática no país, buscando por fim o reforço da subversão a partir do exterior.

Em 2016 com a escalada em curso nas ruas das principais cidades venezuelanas o “The Washington Post” dava o mote: “Venezuela is desperately in need of political intervention by its neighbors, which have a ready mechanism in the Organization of American States’ Inter-American Democratic Charter, a treaty that provides for collective action when a regime violates constitutional norms. But the region’s leaders are distracted: Brazil is suffering its own political crisis, while the Obama administration is preoccupied with its outreach to Cuba. While the White House courts the Castros, they are using their control over Venezuela’s intelligence and security forces, and longtime acolyte Mr. Maduro, to foment his kamikaze tactics. An explosion is probably not far off”.

Em 2017 é o próprio Chefe de Estado bolivariano, Nicolas Maduro, que em Abril concluía: “… hay una razón geopolítica fundamental para el golpe de Estado en Venezuela, la llegada de los extremistas al poder de los Estados Unidos, no podemos ocultarlo, es la razón geopolítica fundamental para la agresión de los gobiernos fracasados de la derecha latinoamericana contra nuestro país, para el intento fracasado y derrotado de aplicación de la carta de la OEA (Organización de Estados Americanos) contra Venezuela.

El Departamento de Estado anuncia un golpe de Estado en Venezuela, hoy (martes) en un comunicado, 18 de abril (…) estuvimos leyéndolo ahora, analizandolo en sus partes, está el guión”…

3- A decisão de convocar a Assembleia Nacional Constituinte por parte do poder legalmente instalado que tem à frente o Presidente Nicolas Maduro, é uma tentativa de por via pacífica se fazer face ao terrorismo que está a ser concretizado já com recurso a infiltrações visíveis nos últimos acontecimentos no Estado de Táchira.

O objectivo da Constituinte em defender a paz e a democracia, está sumariamente inscrita no texto de proclamação: “o objetivo é obter um novo desencadeante histórico, como o ocorrido em 1998, quando escolhemos a nosso Comandante Chávez, que permita a nosso povo seguir o rumo pacífico das transformações profundas que necessita nossa sociedade, deixando de lado as ameaças de golpe de Estado, guerra civil ou intervenção estrangeira.”

Torna-se contudo evidente que não será apenas coma Assembleia Nacional Constituinte que a Venezuela Bolivariana se poderá defender.

No que diz respeito, por exemplo, à necessidade de cortar os vínculos dos tentáculos da CIA dentro da Venezuela, o exemplo russo impõe-se: “O Procurador-geral da Rússia declarou como indesejáveis as três «ONGs humanitárias» criadas pela família de Mikhaïl Khodorkovski :
Open Russia (Reino-Unido) (administradores : Henry Kissinger e Lord Jacob Rothschild), Open Russia Civic Movement (Reino-Unido), Institute of Modern Rússia (Estados Unidos).

Estas juntam-se às outras 7 ONG interditas pela lei de Julho de 2015: National Endowment for Democracy (NED), OSI Assistance Fondation (George Soros), Fundação Open Society (George Soros), Fundação USA-Russia for Economic Advancement and The Rule of Law, International Republican Institute (IRI/NED), Media Development Investiment Fund (Otan), National Democratic Institute for International Affairs (NDI/NED)”.

Por outro lado é necessário banir as organizações de manifesto carácter terrorista, a nível interno e deter os implicados na instauração do caos e nas acções de desestabilização e subversão, com a legitimidade democrática que se impõe.

A “Mesa de Unidade Democrática”, criada a 23 de Janeiro de 2008, é uma coligação de tendências que está longe de ser unitária e por isso se apresta à desestabilização e à subversão.

O MUD, a nível interno, terá de “separar o trigo do joio”: ou se afirma como plataforma sócio-política democrática, ou envereda pela rua, pela constante obstrução à democracia e pelo golpe.

Toda a América Latina deve cerrar fileiras em torno de Venezuela Bolivariana face à situação corrente e tendo em conta outros processos de desestabilização e subversão recentes, que são efectivamente muitos e estão a procurar avassalar os estados ao domínio fascista da hegemonia unipolar.

Os Estados Unidos continuam a considerar que a América Latina é “seu pátio traseiro” e os agenciamentos em curso, sendo um processo de ingerência, destinam-se a inviabilizar o ambiente progressista que dá luta a todo o tipo de desequilíbrios e desigualdades.

A América Latina jamais deve abandonar sua capacidade de independência, de soberania, de aprofundamento da democracia, de integração, de solidariedade recíproca e de inclusão!

É nesse sentido que nossos olhos se voltam para a CELAC, Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe, como para a UNASUR, para a ALBA e para o próprio MERCOSUR, sabendo que a Organização de Estados Americanos vai continuar a cumprir com o “diktat” de Washington, enquanto “Ministério do Ultramar” na desesperada tentativa de reger por via dum domínio neocolonial, os destinos comuns da América Latina!

Consultas próprias:

Outras consultas:
Poema de la intelectual Tania Tome, de Mozambique, realizó en homenaje al Comandante Chávez –http://saberesafricanos.net/noticias/cultura/1583-poema-de-la-intelectual-tania-tome-de-mozambique-realizo-en-homenaje-al-comandante-chavez.html 
La muerte de Chávez cumplió los objetivos de Washington –  https://actualidad.rt.com/opinion/eva_golinger/200948-muerte-chavez-cumplir-objetivos-washington 
Chávez asesinado por su asistente personal? EE.UU. trata de cubrir sus huellas en el caso –  https://actualidad.rt.com/actualidad/202529-chavez-asesinado-jefe-guardia-eeuu-huella 
La muerte de Hugo Chávez un magnicidio preparado por la CIA – https://actualidad.rt.com/actualidad/view/103501-muerte-hugo-chavez-magnicidio-cia 
Destruir a Revolução Bolivariana, objectivo do imperialismo – http://resistir.info/mur/mur_23fev14.html 
La oposición venezolana apuesta a la desestabilización y la niega públicamente
El gobierno bolivariano enfrenta la guerra económica de los empresários – http://www.rebelion.org/noticia.php?id=194881 
Diario de EEUU pide una intervención de los países vecinos en Venezuela –  https://actualidad.rt.com/actualidad/204746-periodico-intervenir-venezuela-maduro
Cómo se usa el Manual del golpe suave contra la Revolución Bolivariana –  https://actualidad.rt.com/opinion/erika-ortega-sanoja/237219-causas-violencia-venezuela-manual-golpe
Departamento de Estado norteamericano anuncia golpe de Estado contra Venezuela en un comunicado –http://www.correodelorinoco.gob.ve/departamento-de-estado-norteamericano-anuncia-golpe-de-estado-contra-venezuela-en-un-comunicado/   
Defesa: três "ONGs" anglo-saxónicas interditas na Rússia – http://www.voltairenet.org/article196268.html 

Ilustrações retrospectivas: Cartaz Chavez vive; De que se trata el golpe suave?; Vítimas da violência do MUD; Que diz a Constituição da Venezuela sobre a Assembleia Nacional Constituinte?; O Presidente Nicolas Maduro convoca a Constituinte.

VERDADE QUE SE VÊ | “A esquerda está com os trabalhadores, a direita está com o capital”


Jerónimo de Sousa frisou esta sexta-feira, em Setúbal, que as melhorias registadas nos últimos meses na economia portuguesa só foram possíveis devido à actual correlação de forças políticas no Parlamento e que «os direitos dos trabalhadores são zona de fronteira entre a esquerda e a direita».

«Quando o PS se recusa a admitir o fim da caducidade da contratação colectiva e o tratamento mais favorável dos trabalhadores, é preciso lembrar que os direitos dos trabalhadores são zona de fronteira entre a esquerda e a direita», disse Jerónimo de Sousa no encerramento de um jantar de apresentação da lista de candidatos da CDU aos órgãos autárquicos de Setúbal.

«A esquerda está com os trabalhadores, a direita está com o capital. O PS tem de se decidir, ficando do lado dos trabalhadores e não derrotando as nossas propostas por mais justiça no trabalho, pelo respeito e valorização dos direitos individuais e colectivos dos trabalhadores», acrescentou.

Jerónimo de Sousa frisou ainda que «hoje está cada vez mais claro que as novas aquisições, os avanços, os progressos conseguidos, mesmo que limitados, só foram possíveis no quadro da alteração da correlação de forças» no Parlamento.

Houvesse «outra correlação de forças na Assembleia da República, que não existe» e, admite o secretário-geral comunista, «muitos dos avanços conseguidos não estariam concretizados».

MIGUEL URBANO RODRIGUES FALECEU | ANTIFASCISTA, HOMEM DE LETRAS E DE LUTA


Miguel Urbano Rodrigues, fundador do Resistir.info, faleceu hoje em Vila Nova de Gaia. A nota de profundo pesar de Resistir.info surpreendeu-nos e transportou-nos para a tristeza habitual nestas circunstâncias.

Ali não vimos nada sobre a obra do antifascista Miguel Urbano Rodrigues mas fomos procurar à Wikipédia, que passamos a citar:

Miguel Urbano Tavares Rodrigues  (Moura2 de Agosto de 1925 – Vila Nova de Gaia, 27 de Maio de 2017) é um jornalista e escritor português.

Foi redactor do Diário de Notícias entre 1949 e 1956, chefe de redacção do Diário Ilustrado (1956 e 1957), antes de se exilar no Brasil, onde foi editorialista principal de O Estado de S. Paulo (1957 a 1974) e editor internacional da revista brasileira Visão (1970 a 1974). 

Regressado a Portugal após a Revolução dos Cravos, foi chefe de redacção do Avante! em 1974 e 1975 e director de O Diário entre 1976 e 1985. Foi ainda assistente de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1974-75), presidente da Assembleia Municipal de Moura em 1977 e 1978, deputado à Assembleia da República pelo PCP entre 1990 e 1995 e deputado às Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental, tendo sido membro da comissão política desta última. 

Tem colaborações publicadas em jornais e revistas de duas dezenas de países da América Latina e da Europa e é autor de mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil.

Miguel Urbano Rodrigues é filho de Urbano Rodrigues e irmão de Urbano Tavares Rodrigues.

CABO VERDE | Sinais complicados


Expresso das Ilhas | editorial

Na semana passada o Governo deu o dito por não dito. O custo dessa inversão de marcha foi logo contabilizado em cerca de 45 mil contos anuais a serem permanentemente acrescidos ao orçamento do Estado a partir de 2018. O volte-face do governo surgiu no dia seguinte à ameaça de greve de zelo seguido de greve geral a partir de Junho por parte do sindicato dos oficiais de justiça. Na declaração pública, o governo voltou a afirmar que “é a favor da não generalização do subsídio de exclusividade” mas em vez de ponderar como agir na sequência do pronunciamento do Tribunal Constitucional e do veto presidencial, como prometera menos de 24 horas antes, apressou-se em concordar em incluir o subsídio, deixando forte impressão que o fazia por pressão do sindicato.

 Em Março último acontecera algo similar. O sindicato da polícia tinha ameaçado greve geral de três dias no fim desse mês se as reivindicações salariais feitas não fossem cumpridas. Era uma ameaça que não se justificava, considerando que o governo já tinha feito aprovar no orçamento de 2017 mais de 178 mil contos para resolver velhas disputas salariais na polícia nacional. Mesmo assim a imagem do sindicato saiu reforçada do confronto porque ficou a impressão de que o acordo de entendimento teria sido conseguido sob pressão da ameaça, sem precedentes na história do país, de deixar as ruas inseguras durantes três dias. Ninguém ganha com a percepção de que o governo, perante a mínima pressão, cede a interesses corporativos ou sindicais ou que é forçado a agir por causa de manifestações de indignação nas redes sociais como se viu no caso do passaporte diplomático do desportista  Matchu Lopes.

A reforma da administração pública é fundamental para se construir o futuro do país. Há um consenso geral que para que Cabo Verde dê saltos de produtividade e se torne competitivo é de maior importância que haja ganhos de eficiência na gestão dos recursos do Estado e que a relação com os cidadãos e com as empresas se deixe guiar por objectivos, agindo com eficácia para conseguir os melhores resultados. Sabe-se que após anos sucessivos de estagnação de carreiras e da falta de perspectiva na função pública muitos trabalhadores anseiam por recuperar o tempo perdido e naturalmente que se apressam logo a avançar com as suas reivindicações. Cabe ao novo governo transmitir a real situação do pais, definir as prioridades e saber criar a vontade geral que permita que se faça hoje sacrifícios para que o potencial de crescimento seja elevado e o país possa produzir riqueza e criar empregos sustentáveis.

CABO VERDE | S. Nicolau: Líder adverte para o elevado nível desemprego e abandono da ilha


O novo presidente da Comissão Política Regional (CPR) do PAICV em S. Nicolau denuncia aquilo que considera ser a situação difícil por que está a passar a ilha do Chiquinho. Hipólito Barreto critica que a população está abandonada à sua sorte, por causa do fraco desempenho das duas Câmaras – Ribeira Brava e Tarrafal -, com o agravante de muitos dos seus dirigentes terem, ultimamente, permanecido muitos dias fora de S. Nicolau.

«É preocupante a forma como as Câmaras Municipais da Ribeira Brava e do Tarrafal vêm sendo geridas, com a manifestação do desagrado por parte de munícipes pelo fraco desempenho das respectivas equipas camarárias. É que estas estão mais preocupadas com constantes viagens para fora da ilha, em detrimento da gestão municipal», acusa o dirigente tambarina.

Para Hipólito Barreto, a situação de abandono é mais grave no Município do Tarrafal. «O caso mais preocupante teve lugar na Câmara Municipal do Tarrafal, em meados do corrente mês de Maio, em que se constatou a ausência de todo o colectivo dirigente, nomeadamente do Presidente e dos Vereadores, deixando a Câmara ao Deus dará.

Essa foi uma situação gravíssima que a Comissão Política Regional do PAICV - S. Nicolau não podia deixar de denunciar, publicamente, para que tal não venha a ter lugar, jamais, no Município. A ausência do colectivo camarário foi um desrespeito pelos munícipes e uma total falta de responsabilidade de quem dirige os destinos do Município do Tarrafal», contesta.

O presidente da Comissão Política Regional do PAICV - S. Nicolau manifesta ainda a sua preocupação pelo elevado nível do desemprego que se regista nas terras do Chiquinho. «A CPR tem constatado que muitas famílias passam por enormes dificuldades e por isso apela às Câmaras Municipais e ao Governo para que tomem medidas urgentes para criação de postos de trabalho, acudindo às populações em situação de extrema necessidade por falta de rendimentos. A Comissão Política Regional do PAICV relembra às Câmaras Municipais e ao Governo que a questão do emprego foi um compromisso que deve ser cumprido, porque foi com essa promessa que chegaram ao poder, contando com os votos das populações».

GUINÉ-BISSAU | ONG alerta para riscos do turismo para o arquipélago dos Bijagós


O diretor-executivo da organização não-governamental guineense Tiniguena, Miguel Barros, disse hoje que tornar o turismo no arquipélago dos Bijagós numa vantagem para a promoção do país é um "grande risco".

"A questão de tornar o turismo na Guiné-Bissau, em particular o arquipélago dos Bijagós, como uma vantagem de promoção do país constitui um grande risco, porque não estão acautelados todos os elementos que permitam uma maior valorização do espaço, mas também conservação daquilo que existe no sentido de proteger as comunidades que lá estão e a economia nacional", afirmou o sociólogo guineense.

Para Miguel Barros, a promoção do turismo na Guiné-Bissau começou ser feita de forma invertida.

"Nós começamos a fazer o turismo de fora para dentro e não numa perspetiva de estruturar o setor", explicou, salientando que ainda não foi feito o quadro legal, faltam infraestruturas, nem foram definidas as oportunidades e rotas de investimento.

Segundo o sociólogo, também não foi definido como é que a economia nacional e a do turismo se vão estruturar "dentro da lógica de produção económica", incluindo criação de emprego.

PORRADA | Doze manifestantes assistidos no hospital após confrontos com a polícia da Guiné-Bissau


Pelo menos 12 manifestantes do Movimento Jovens Inconformados da Guiné-Bissau deram entrada no Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, com ferimentos, revelou fonte hospitalar.

Durante uma manifestação, que começou por não ser autorizada, mas acabou por receber luz verde das autoridades, os polícias entraram em confronto com os manifestantes, depois de estes terem atirado água, pneus e pedras aos agentes, numa tentativa de se aproximarem da Praça dos Heróis Nacionais, onde está situada a Presidência da República.

A polícia tentou impedir a passagem dos manifestantes para aquela praça, mas estes continuaram a tentar avançar para a zona da Presidência, segundo constatou a Lusa no local, o que levou a polícia de intervenção rápida e a Guarda Nacional a disparar gás lacrimogéneo e a usar a força física.

No local, encontravam-se também presentes muitas crianças, algumas das quais encaminhadas para o hospital devido a alegados ferimentos.

O protesto do Movimento de Cidadãos Inconformados com a crise política na Guiné-Bissau foi inicialmente proibido, mas acabou por ser autorizado pela polícia.

Os Inconformados exigem a renúncia do Presidente, José Mário Vaz, que acusam de ser o principal responsável pela crise no país.

O movimento, constituído essencialmente por associações de jovens e de mulheres, tem promovido manifestações de rua para exigir ao chefe do Estado guineense que abandone o poder.

MSE/VP // JPF // Lusa

CAVALOS E CÃES | Forte dispositivo policial trava manifestação de ativistas em Luanda


Um forte dispositivo policial, incluindo polícia a cavalo e patrulhas cinotécnicas, impediu hoje uma manifestação que pretendia contestar, no centro de Luanda, contra alegadas "ilegalidades no processo democrático angolano", com denúncia de dez ativistas levados pelas forças de segurança.

A manifestação estava agendada para as 09:00 de hoje, no largo 1.º de Maio, prevendo uma marcha pacífica até ao palácio da Justiça, mas durante toda a manhã, conforme a Lusa constatou no local, um forte aparato policial, com dezenas de agentes e polícia de intervenção vedaram o acesso àquela praça emblemática da capital angolana.

Durante a manhã, foi igualmente visto um helicóptero das forças de segurança em patrulhamento a baixa altitude, na mesma zona.

"Foram levados pela polícia dez ativistas. Quatro, incluindo eu, foram, entretanto, libertados, mas estão a bloquear-nos na igreja da Sagrada Família e não nos deixam marchar até ao Palácio da Justiça", explicou à Lusa Albano Bingo-Bingo, um dos promotores da manifestação agendada para hoje.

A Lusa não conseguiu obter uma reação da Polícia Nacional até ao momento, mas foi possível confirmar que alguns jovens foram levados pelas autoridades, quando estavam na posse de cartazes.

BATOTA | Detetado candidato por dois partidos nas eleições gerais angolanas de 23 de agosto


O Tribunal Constitucional de Angola pretende multar em 500.000 kwanzas (quase 2.700 euros) um cidadão nacional que estava inscrito em simultâneo por dois partidos nas listas candidatas a deputados nas eleições gerais de 23 de agosto.

De acordo com o teor da decisão tomada em plenário na sexta-feira e à qual a Lusa teve hoje acesso, em causa está um auto de impugnação "por duplicidade de candidaturas às eleições gerais de 2017", apresentado pela Aliança Patriótica Nacional (APN) contra Ezequiel dos Santos Conde.

Aquele cidadão figurava, em simultâneo, no primeiro lugar da lista da APN pelo círculo provincial do Moxico e no número quatro da Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE) no mesmo círculo eleitoral.

O plenário do Tribunal Constitucional declarou o candidato em causa como "inelegível" nestas eleições e, "uma vez que a candidatura plúrima é uma infração eleitoral", prevista e punida com a pena de multa de 500.000 kwanzas, foi ainda mandado extrair "as competentes certidões para efeitos do devido procedimento criminal pelo Ministério Público".

Na reunião de sexta-feira, os juízes do Tribunal Constitucional analisaram ainda a reclamação da jornalista angolana Luísa Rogério, que viu o nome incluído nas listas de candidatos da CASA-CE às eleições gerais, neste caso na posição número 18 do círculo nacional.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

UMA FARSA ASSASSINA


Em pouco mais de duas palavras: os familiares dos inocentes de Manchester, Londres, Paris e Nice deveriam antes pedir responsabilidades aos governos dos seus países por fomentarem o terrorismo que os vitimou.

José Goulão | AbrilAbril | opinião

Segundo informações oficiais norte-americanas, corroboradas pelo governo Macron em França, divulgadas perante o silêncio abespinhado de Londres, o principal suspeito do atentado terrorista de Manchester é um indivíduo filho de refugiados líbios, residente nos subúrbios da cidade, que se terá convertido ao terrorismo islâmico numa viagem à Líbia. Em torno destes dados adensam-se especulações, contra informações, silêncios oficiais e enxurradas de relatos sensacionalistas vomitados pelos tablóides e outros meios de comunicação que também o são, embora se considerem «respeitáveis».

O retrato sumário do suposto autor do atentado é paralelo ao de outros terroristas europeus dos anos mais recentes: nascidos nos países onde cometem os crimes, inseridos nos contingentes de excluídos e marginalizados das sociedades desses países, transformados em agentes de violência no convívio com os cenários de guerras alimentadas pelos governos desses países.

O caso particular do bombista de Manchester parece ser ainda mais explícito: dizem-no filho de «fugitivos» ao regime líbio de Muammar Khaddaffi, agora cidadão britânico que se terá «licenciado» em terrorismo islâmico junto dos grupos de assassinos que a NATO usou para derrubar o mesmo Khaddaffi e a seguir transformaram o território líbio numa anarquia produtora de terroristas. O terrorista de Manchester é, pois, um fruto da «libertação da Líbia» pela Aliança Atlântica, desencadeada com especial envolvimento do governo de Londres.

Em pouco mais de duas palavras: os familiares dos inocentes de Manchester, Londres, Paris e Nice deveriam antes pedir responsabilidades aos governos dos seus países por fomentarem o terrorismo que os vitimou.

Outros atentados se seguirão – falta saber quando, como e onde – e então ouviremos palavas indignadas e definitivas dos mesmos ou de outros dirigentes políticos geminados, seremos inundados pela repetitiva verborreia de uma comunidade mediática vampiresca, ficaremos reféns de mais sentenciamentos de medidas arbitrárias que nos confiscarão e militarizarão direitos cidadãos – para que seja possível eliminar o terrorismo.

Porque em pleno rescaldo do atentado de Manchester…

A primeira-ministra britânica, Theresa May, decidiu tomar as medidas de excepção a que ainda resistira na sequência do atentado em Whitehall, junto ao Parlamento, e decretou a militarização da segurança através da atribuição de funções policiais aos militares, isto é, à NATO…

… E o recém-empossado presidente francês, Emmanuel Macron, aproveitou a oportunidade para prolongar o estado de excepção no seu país, que vigora há quase dois anos, pelo menos até 1 de Novembro. Em cinco meses, por certo e para fatalidade dos cidadãos que tais governantes têm, não faltarão ocasiões para novas prorrogações porque nesta Europa há governos que são, ao mesmo tempo, expoentes do terrorismo e da «guerra contra o terrorismo». Uma Europa onde o terrorismo e a abolição gradual de direitos dos cidadãos se tornaram tão certos como a morte.

Sem qualquer margem de erro, permitam-me que deduza o seguinte: Theresa May e Emmanuel Macron castigam civicamente os seus povos na sequência de actos bárbaros perpetrados por concidadãos oriundos dos grupos de mercenários usados pelos seus antecessores Sarkozy, Hollande e Cameron, através do aparelho da NATO, para «libertar» países como a Líbia, a Síria, o Afeganistão, o Iraque e alguns outros.
Enquanto isto…

Mais de 1500 presos políticos palestinianos estão há 40 dias em greve de fome lutando pela aplicação dos seus direitos, reconhecidos como universais mas que ainda não chegaram ao farol da democracia, dos direitos humanos e do «nosso modo de vida» que se chama Israel.

Essa luta cidadã contra o terrorismo praticado pelo regime israelita não cabe no universo mediático internacional que se alimenta do sangue gerado pelo terrorismo. Alguém já disse, com absoluta razão, que estamos perante uma omertà, o silêncio dos cúmplices mafiosos para protegerem práticas e ligações criminosas. Uma cumplicidade que vale por mil censuras.

Os presos políticos palestinianos estão sujeitos, por exemplo, ao regime de «detenção administrativa». No muito peculiar direito israelita, esta medida significa que os detidos podem penar sem culpa formada, acusação ou julgamento durante seis meses, período indefinidamente prorrogável através da arbitrariedade de juízes, quase sempre militares. Isto é, os presos políticos palestinianos cumprem prisão perpétua sem que seja pronunciada qualquer culpa contra eles. Apenas porque lutam pela independência do seu país, um direito que lhes é reconhecido pela generalidade dos dirigentes políticos aliados de Israel, mas que não mexem um dedo para que isso se cumpra.

A luta de morte contra o terrorismo, travada pelos presos políticos palestinianos, prossegue em silêncio enquanto a generalidade dos dirigentes mundiais, agora com Trump à cabeça, continuam a entoar um mantra vazio de conteúdo fazendo crer que defendem a solução de dois Estados na Palestina.

A crueldade desta farsa é reforçada pelo sadismo implícito, porque nenhuma das vozes que tal recita corresponde a um gesto firme capaz de contribuir para pôr fim à colonização sistemática da Cisjordânia praticada por Israel durante os últimos cinquenta anos, acelerada por Benjamin Netanyahu, até agora imparavelmente.

Ao mesmo tempo continua a falar-se de «processo de paz» em tom papagueado, sabendo nós que a credibilidade desse voto é medida pelo facto de à cabeça do «quarteto» pacificador, constituído por Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU, estar um criminoso de guerra e mentiroso contumaz chamado Tony Blair.

Enquanto isso, o governo de Israel prossegue a ocupação até deixar de haver território em condições compatíveis com a criação de um segundo Estado soberano e independente na Palestina, isto é, uma nação que não seja um protectorado ou uma autonomia fictícia.

No entanto, este cenário que tornaria os palestinianos reféns de tutelas alheias, com a cumplicidade de sectores internos, começa a desenhar-se com nitidez. A Administração «autónoma» de Ramallah, sob um mandato há muito expirado do presidente Mahmud Abbas, está cada vez mais isolada internamente, além de manietada pelas cumplicidades com Israel e os compromissos com um cadáver a que ainda chamam «processo de paz».

A realidade desta situação torna-se dia-a-dia mais penosa e teve um episódio recentíssimo que fere a memória e mina a energia de quantos lutaram e lutam pela independência palestiniana. Nas 48 horas que se seguiram ao encontro de Abbas com Donald Trump o regime de Ramallah prendeu 12 compatriotas por se manifestarem solidários com os presos políticos em greve de fome nas cadeias israelitas. Entre eles o próprio Abu Khamis, que há três meses foi libertado do cárcere de Israel onde passou 12 anos.

Poucas horas depois de ter estado com Mahmmud Abbas, o presidente norte-americano preferiu voltar a sublinhar uma «amizade com Israel», construída «sobre o nosso amor comum à liberdade e o nosso respeito pela dignidade humana».

A farsa assassina representada pelos dirigentes mais poderosos do mundo continua.