Drop Down MenusCSS Drop Down MenuPure CSS Dropdown Menu

sábado, 22 de abril de 2017

O FUTURO DA EUROPA JOGA-SE EM FRANÇA


Pedro Silva Pereira* | Jornal de Notícias | opinião

Quem vai às urnas no domingo para escolher o seu presidente são os franceses, mas o que se vai decidir é o futuro da Europa. A verdade é esta: depois de duramente golpeada pelo Brexit, a União Europeia, tal como a conhecemos, dificilmente resistiria à saída de um segundo peso pesado. Dito isto, que é claro como água, não será preciso dizer mais para explicar que é também o nosso futuro que se joga nestas eleições francesas.

A candidatura de Le Pen, que tanto anima a extrema-direita e parece levar de arrasto uma legião de eleitores incautos, não é apenas perigosa pelo que significa de populismo nacionalista, xenófobo, securitário e protecionista - é também uma autêntica ameaça de morte para o projeto europeu. Derrotá-la é, por isso, a prioridade número um de todos os democratas e humanistas, mas também, e de forma muito especial, de todos os que acreditam na construção europeia como projeto notável de paz e prosperidade, capaz de contribuir, de forma decisiva, para as causas dos direitos humanos, do desenvolvimento sustentável e de uma globalização mais justa e mais regulada.

Enquanto a candidatura de Le Pen se apresenta assumidamente antieuropeia, no outro extremo do espectro político a retórica esquerdista, e crescentemente populista, do candidato da "França insubmissa", Jean-Luc Mélenchon, não deixa de envolver também um certo tom de ameaça para o futuro do projeto europeu: se o seu Plano A preconiza uma profunda revisão dos tratados e acordos europeus, de mais do que duvidosa viabilidade política, a sua verdadeira proposta, o Plano B, incita a França a promover, em alternativa, nada mais nada menos do que uma saída unilateral - e certamente tumultuosa - da moeda única.

Entre os dois extremos, perfilam-se três versões europeístas: o europeísmo crítico do socialista Benoit Hamon, o europeísmo relutante do candidato do centro-direita François Fillon e o europeísmo reformista de Emmanuel Macron. Felizmente, e pesar das aparências que a doentia sedução mediática pelos protagonistas do populismo vai construindo, tudo indica que estas diferentes correntes europeístas congregam ainda a maioria da sociedade francesa. Têm, por isso, encontro marcado para, na segunda volta das presidenciais, unirem forças de modo a garantir o mais importante: o futuro do projeto europeu.

* Eurodeputado

DA FUNDAÇÃO SAINT-SIMON A EMMANUEL MÁCRON


Thierry Meyssan*

O súbito aparecimento de um novo partido político, «En Marche!», no cenário eleitoral francês, e a candidatura do seu presidente, Emmanuel Macron, à presidência da República não devem nada ao acaso. Os partidários da aliança entre a classe dirigente francesa e os Estados Unidos não aparecem aqui pela primeira vez.

É impossível compreender o súbito aparecimento na cena política partidária de Emmanuel Macron sem conhecer as tentativas que a precederam, as de Jacques Delors e de Dominique Strauss-Kahn. Mas, para compreender quem manobra nos bastidores, é necessário dar uma volta ao passado.

1982 : a Fundação Saint-Simon

Académicos e directores de grandes empresas francesas decidiram, em 1982, criar uma associação afim de promover «o encontro entre os pesquisadores em ciências sociais e actores da vida económica e social, [e] de difundir para o público os conhecimentos produzido pelas ciências humanas e sociais». O que deu na Fundação Saint-Simon [1].

Durante quase vinte anos, este organismo impôs o ponto de vista de Washington em França, criando o que os seus detractores chamaram «o pensamento único». A Fundação decidiu dissolver-se, em 1999, após as greves de 1995 e o fracasso da reforma do sistema de pensões.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A ABSOLVIÇÃO DE DONALD TRUMP


Agora sim, o presidente dos Estados Unidos age como lhe compete: trata a Rússia como o inimigo que, com todo o descaramento, procura impedir a balcanização da Síria, assim contrariando o incontrariável Israel; e aponta o dedo ameaçador à China, usando a Coreia do Norte como intermediário.

José Goulão* | opinião

As reprimendas duras de amigos e aliados, a revolta caricaturada em manifestações inconsequentes e mesmo as conjecturas sobre um hipotético impeachment de Donald Trump cessaram como por encanto.

Secaram as lágrimas de crocodilo sobre a tragédia dos imigrantes que a Administração norte-americana declara ilegais; os muros e cercas erguidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México passaram a ser compreendidos, como tolerados são os levantados na Europa contra a «praga» dos refugiados (David Cameron dixit); o triste fim do pueril Obamacare perdeu o significado como bandeirinha de um protesto hipócrita, acomodada agora nos fundos de uma qualquer gaveta perdida.

Dissolveu-se assim a tempestade sobre Washington, soprada a partir do mundo que se auto define como civilizado durante os primeiros 100 dias da presidência imperial de Donald Trump. Para alcançar tão pacífica acalmia bastaram um bombardeamento contra o território soberano da Síria; o lançamento de uma superbomba contra o Afeganistão supostamente independente – um feito heróico cantado numa babel de línguas, ainda que viole algumas normas básicas da ONU; um piedoso acto de contrição declarando que «a NATO já não é obsoleta»; e uma arenga com ameaças de guerra contra a Coreia do Norte proferida in loco pelo vice-presidente Mike Pence, imitando uma pose do rambo.

UMA SÍRIA A RETALHOS



A Síria, um país com 185.180 km2 situado no Médio Oriente (Ásia do Sudoeste), é actualmente (desde a eclosão induzida da “Primavera Árabe” em 2011), uma manta de retalhos, um labirinto onde se multiplicam os agentes de caos e de terrorismo, que se cruzam com os mais diversos e sensíveis grupos étnicos e religiosos que povoam toda a região, alguns dos quais desde há milénios.

Os manifestantes, conduzidos por agitadores profissionais apoiados pelos ocidentais e seus aliados das monarquias arábicas wahabitas, “produziram” múltiplas “praças Maidan” em todas as cidades sírias praticamente em simultâneo em 2011 e 2012, institucionalizando a subversão a partir de então numa escalada que obrigou a passar do estágio civil para o estágio militar, pois uma parte do recrutamento, incluindo o recrutamento do Estado Islâmico e da Frente al-Nusra, ficaram assim garantidos a partir de rectaguardas múltiplas: Turquia, Israel, Jordânia e Iraque.

Por outro lado a injecção de mercenários nos vários instrumentos da subversão, podia-se então começar a fazer em função das necessidades e da evolução da situação militar, na medida em que também eram fornecidos os armamentos aferidos ao desenrolar das batalhas.

Apesar disso o governo do Partido Árabe Socialista Baath que tem à frente Bashar al-Assad, apoiado pela força-tarefa russa de geometria e sensibilidade variável, assim como pelo Irão e grupos afins que se encontram espalhados desde o Líbano até fronteira iraniana-síria, dominam no essencial do território, nas regiões mais densamente povoadas do país e nas cidades mais cosmopolitas e importantes, como Damasco, Alepo, Homs, Latakia, ou Tartus.

IRÃO: CASO EUA NÃO PARE AQUI O ATAQUE NA SÍRIA SERÁ SÓ O COMEÇO


A nova doutrina da administração dos EUA na Síria é baseada nas sugestões vindas da administração de Israel: reduzir o nível de expansão da influência da Rússia no Oriente Médio, separar Moscou do Irã, colocar contra a parede tanto o Irã como as falanges do Partido libanês "Hezbollah" na Síria, deixar a força aérea russa, BKC na sigla russa, sem combatentes na terra de aliados assim como jogar o exército da Síria de Assad na beira da derrota militar.

Nicolai Bobkin*

Não há dúvidas de que o ataque de mísseis na base aérea militar da Síria sancionado por Trump faz parte desses planos ( этих планов ). Entretanto, o enfiar de uma cunha de separação na boa relação entre Moscou e Teerã não deu o resultado intencionado, ou seja, não teve sucesso. A Rússia e o Irã demonstraram um entendimento sem precedentes e isso num nível de alto escalão militar.

Em 8 de abril deu-se uma conferência telefônica ( телефонный разговор ) entre os generais-chefes do Estado Maior das forças armadas dos dois países, o general-de- divisão Mohammad Hоssеin Bagheri, por parte do Irã, e o general do exército Valério Gerasimov, por parte da Rússia. No mesmo dia o assunto foi discutido na Síria entre o secretário do Conselho de Segurança do Irã, o sr. Ali Shamkhani e, por parte da Rússia, o sr. Nicolai Patruchev. Não houve nenhum desacordo quanto ao fato de que o ataque dos EUA apresentava-se óbviamente como uma agressão planejada de antemão. A intenção do mesmo também estava clara: retardar o avanço do exército sírio e levantar a moral no quadro dos terroristas e seus protetores, patrocinadores e apoiantes.

CHINA E RÚSSIA SEGUEM MAIS UNIDAS QUE NUNCA!


Agência de Segurança Nacional de Trump só blefa

O Ministério de Relações Exteriores da China anunciou hoje cedo que o Secretário Geral de Administração do Partido Comunista da China Li Zhanshu visitará a Rússia nos dias 25-27 de abril, atendendo a convite de seu contraparte, chefe da Administração da Presidência no Kremlin Anton Vaino. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Lu Kang disse em Pequim que os dois funcionários discutirão relações China-Rússia "como foi combinado entre os líderes dos dois países" e que o lado chinês confia que a visita aprofundará ainda mais as relações sino-russos. (TASS)

MK Bhadrakumar, Indian Punchline*

Li será a segunda alta autoridade chinesa a visitar Moscou nesse mês de abril. O presidente Vladimir Putin recebeu o 1º vice-premier da China Zhang Gaoli (que é também membro do Comitê Central do Politburo do Partido Comunista Chinês) no Kremlin dia 13 de abril, um dia depois, por falar em datas, da visita do secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson a Moscou.

Zhang é um dos czares da economia no sistema chinês e a conversa com os russos focou-se nos investimentos chineses na Rússia e na cooperação no campo da energia. Mas parte de sua tarefa foi preparar a visita "de trabalho" que Putin fará a Pequim, no contexto daReunião de Cúpula do Projeto Um Cinturão Uma Estrada, dias 14-15 de maio, que será aberta pelo presidente Xi Jinping.

A “EDUCAÇÃO” PARA O RACISMO COMEÇA NA INFÂNCIA


Vídeo comprova que a crença da supremacia de uma raça superior começa em criança

M. Azancot de Menezes, Díli | opinião

Há tempos recebi uma mensagem electrónica acompanhada de um pequeno vídeo. As imagens do vídeo mostram uma mesa com duas bonecas (uma de cor preta e outra de cor branca), um “pedagogo”, e crianças de «raças» negra e mestiça que são interrogadas, uma de cada vez.

O teste é muito simples: o pedagogo pergunta à criança qual é a boneca mais bonita, ou a boneca má, e a criança tem que apontar com o dedo a sua escolha.

Pois, acredite-se, a resposta, como se pode observar no vídeo, é sempre a mesma: a boneca branca é a mais bonita, e a boneca negra, é sempre, má e ilegal.

As respostas das crianças interrogadas e a forma como respondem, refiro-me aos seus rostos, alguns tão acanhados e humilhados, são profundamente comoventes, enternecedores, um facto revoltante, e por isso convidam-nos à análise e à profunda reflexão.

AINDA E SEMPRE, OS PRINCÍPIOS DE UM ESTADO DE DIREITO


Paulo Baldaia | Diário de Notícias | opinião

A ideia de que os princípios com que se constrói um Estado de direito devem ser vistos em dois planos, o abstrato e o concreto, tem feito caminho no cada vez mais difícil debate sobre a Justiça. Não ignoro que a falta de condenações em tribunal não implica a inexistência de corrupção em Portugal. O que não posso aceitar como cidadão é que se substitua a luta por melhores leis, mais meios de combate ao crime, mais e melhores polícias e magistrados por acusações em despachos de arquivamento ou condenações na praça pública.

Percebo quando Nuno Garoupa diz, no DN de terça-feira, que "continuar a insistir, no debate público, de que só devemos falar de corrupção quando haja condenação transitada em julgado é fugir da realidade de uma justiça penal que não funciona, é ajudar à construção de uma ficção doentia (não há corrupção em Portugal), é alimentar o populismo e o justicialismo, assim como a despolitização do cidadão e o seu alheamento eleitoral, e é tolerar e perdoar a corrupção." Percebo, mas não concordo que exista aí um problema. Não conheço quem, em abstrato, defenda que não se deve discutir a corrupção sem ser em casos concretos com condenações transitadas em julgado, mas li várias pessoas contestando um despacho de uma procuradora que arquiva um processo carregado de insinuações e que nos trouxe de volta ao debate sobre o modo como funciona a Justiça. Cito três exemplos:

1 - Miguel Sousa Tavares, no Expresso: "O despacho em que o MP arquiva os autos é digno de figurar nas colectâneas de jurisprudência e nos manuais escolares como exemplo do que é a distorção da Justiça."

2 - Daniel Oliveira, no Expresso: "O despacho é um conjunto de conjecturas, deduções lógicas e insinuações para chegar ao fim e dizer que nada está provado. Temo que os magistrados já achem absolutamente natural trocarem o processo pela suspeita, a prova pela opinião, a sentença pela notícia."

3 - Pedro Adão e Silva, no Expresso: "Estava convencido de que um inquérito-crime podia ter um de dois fins: acusação ou arquivamento. Pelos vistos, em mais uma das singularidades em que o nosso país é pródigo, há uma terceira possibilidade: o arquivamento com nota de culpa."

Portugal. Passos Coelho e Paulo Portas procuraram "a desforra do 25 de Abril"




Partido Socialista celebrou 44 anos esta quarta-feira e socialista lembra que o partido é o que melhor representa os ideais de Abril.

Com o 25 de Abril aí à porta, Simões Ilharco aproveita a sua crónica na edição desta semana da Ação Socialista para defender “a cumplicidade do PS com os ideais de Abril”, que, segundo o mesmo, “não poderia ser maior”.

“O PS é, com efeito, o partido-mor da nossa democracia. A fronteira da liberdade, como dizia Soares. Celebrar mais um aniversário do PS é celebrar Abril”, começa por escrever, referindo-se ao facto de o partido ‘rosa’ ter comemorado os seus 44 anos de existência no mesmo mês em que se celebra a liberdade.

Ilharco salienta ainda que o partido “andou sempre de mãos dadas com Abril” e que o acordo de Esquerda é uma “experiência inédita da democracia”, que prova isso mesmo.

“A melhor forma de celebrar Abril é a maioria parlamentar de esquerda, que suporta o Governo, manter-se coesa e unida, evitando-se, assim, o regresso da direita anti-Abril”, atira, após de defender que o anterior Governo é responsável por um "mandato de má memória" em que Passos Coelho e Paulo Portas procuraram "a desforra do 25 de Abril, pondo em causa algumas das suas principais conquistas”.

Andrea Pinto | Notícias ao Minuto

TERRORISMO. MILHENTOS RAIOS OS PARTAM!


Mais um ataque terrorista em Paris. A saber não houve notícia de ataques terroristas dos EUA e outros a populações civis, como acontece bastante. Pelo menos não foram noticiados. Em Paris um atirador disparou indiscriminadamente sobre polícias, atingiu três. Parece que foi um que morreu e dois ficaram feridos. Às primeiras horas chegaram a dar por mortos três polícias, mas não. Holland, le president, confirmou que o “estrago” tinha sido menor do que o anunciado no “calor” do sucedido. Entretanto o Daesh reivindicou o ataque logo nas primeiras horas. Teve essa preocupação. É que por vezes, após ataques terroristas – caso da ponte em Londres – fazem silêncio e depois é que vêm reivindicar os ataques. Topa-se à distância que se “colam” a atos de loucos isolados, de esquizofrénicos, de tipos(as) que nem sequer deviam ter nascido, muito menos andarem por aí a desrespeitar as vidas. E o mesmo se aplica a dirigentes de certos países, aos fulanos das drogas e armamentos, do tráfico humano, etc. Afinal todos são terroristas com o propósito de não nos deixarem viver em paz, em harmonia. Milhentos raios os partam.

No Curto com que se vai deparar mais em baixo, se continuar a ler, tem o tema eleições em França, no domingo. Há aquela tipa fascista, a Le Pen – que também não devia de ter nascido – que pode acabar por vir a ser presidente dos “mes amis de caractère chauvin à l'épuisement” (meus amigos de caracter chauvinista até à exaustão), esses, os franceses de raiz e empedernidos. Já nem merecem mais palavras se elegerem tal megera. Depois de 70 anos idos de “levarem” com a bestialidade de Hitler muitos franceses querem voltar ao mesmo com aparentes novas roupagens. Por favor… Milhentos raios vos partam.

O Curto de hoje tem a lavra cafeeira de Miguel Cadete, saboroso e com espuma. Vá ler. Antes, porém, agarramos uma frase que mais lá para baixo, no texto, refere por autor José Miguel Júdice, e diz o homem à direita q.b.: “Passos Coelho está morto politicamente e ainda ninguém lhe disse”. 

Excelência, dom Miguel, estão fartos e refartos de dizer isso mesmo a Passos e a outros dessa nefasta trupe. O que parece é que eles padecem de autismo porque assim lhes convém. É um truque muito usado pelos Chicos Espertos da nossa praça. E agora, dom Miguel, não se ponha frente ao espelho porque de enviesado pode descobrir mais alguém e mais alguns desse jaez…

Bom dia. Bom fim-de-semana. Boa vida… Claro que estamos a brincar, a ironizar sobre essas coisas boas a que temos direito mas que nos são sistematicamente roubadas… por esses tais que falam sem se verem ao espelho.

No topo, na imagem escolhida, fomos buscar Picasso o Pablo. Apeteceu. Esta obra tem por título "Retrato de Dora Maar". Gostamos muito.

Vamos de frosques. Saúde para todos vós. Já é muito bom se assim acontecer.

MM | PG

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A DISPUTA DOS ATORES INTERNACIONAIS NA BALANÇA DO PODER


Roger Rafael Soares* | Manatuto, Timor-Leste | opinião

Os últimos acontecimentos referentes ao conflito sírio fizeram despoletar as divergências dos EUA com a Rússia, alimentadas pelo conflito de interesses entre as duas grandes potências mundiais, que de certa forma fazem relembrar o período da Guerra Fria, pelo facto de medirem forças e influências não só no território sírio, mas, também, na arena internacional.

Se, com a eleição de Donald Trump, pairava no ar a ideia de “amizade” entre os dois líderes, norte-americano e russo, com o ataque preconizado pelos EUA sobre a base militar de Assad, essa ideia desvaneceu por completo.

O alegado ataque químico supostamente cometido pelo regime Assad causou uma mudança no discurso político do líder norte-americano, Donald Trump, sobre a questão síria, levando os EUA a reagirem com um ataque contra uma base militar de Assad, o que se traduz no agravamento e complexidade do conflito, assumindo-se como um problema político e económico de grandes proporções e de difícil predisposição de resolução, em virtude da disputa de interesses políticos, geoestratégicos e geopolíticos, quer das potências mundiais, quer das potências regionais de apoio ou contra o regime Assad. Isto é, o “que mais preocupa os defensores da hegemonia norte-americana é que os EUA tenham perdido a capacidade para gerir unilateralmente a ordem e a estabilidade nessa região [Médio Oriente], e que tenha que partilhar essa tarefa com a Rússia, o Irão e, em menor medida, com a China” (Rafael Parra, 2015). Por seu lado, a Rússia usa a base Naval de Tartus, bem como a Síria importa muito armamento da Rússia, pelo que a “política russa para a Síria se circunscreve numa visão de ordem multipolar onde a Rússia possa gerir os seus interesses ou converter-se num ator com poder influente e, ao mesmo tempo, promover a implantação de normas internacionais diferentes às que promovem os aliados ocidentais” (Rafael Parra). A posição estratégica que o Médio Oriente detém na geopolítica internacional é objeto de grandes disputas pelos atores externos, sendo de realçar a Síria, um território estrategicamente colocado no Médio Oriente.

E, portanto, a resolução do conflito sírio e das consequências que lhe são inerentes, como a crise humanitária, está longe, dado que os Estados-membros permanentes que compõem o Conselho de Segurança divergem sobre o regime.

*Rojer Rafael T. Soares, Ailili, Manatuto, Timor-Leste


CUIDADO COM OS CÃES DE GUERRA | ESTARÁ O IMPÉRIO AMERICANO À BEIRA DO COLAPSO?


John W. Whitehead [*]

De todos os inimigos das liberdades públicas a guerra é, talvez, o mais temível porque inclui e desenvolve o germe de todos os outros. A guerra é o pai de exércitos; destes originam-se dívidas e impostos... instrumentos conhecidos para submeter os muitos à dominação dos poucos... Nenhuma nação poderia preservar sua liberdade em meio à guerra contínua. – James Madison

Travar guerras sem fim no estrangeiro (no Iraque, Afeganistão, Paquistão e agora Síria) não torna a América – ou o resto do mundo – mais seguros, certamente não está a fazer a América grande outra vez e está inegavelmente a afundar os EUA ainda mais profundamente na dívida.

De facto, é admirável que a economia ainda não tenha entrado em colapso.

Na verdade, mesmo se puséssemos fim a toda intrusão dos militares e trouxéssemos hoje todas as tropas de volta para casa, levaria décadas para pagar o preço destas guerras e afastar os credores do governo das nossas costas. Mesmo assim, os gastos do governo teriam de ser cortados dramaticamente e os impostos agravados.

Faça as contas.

O governo tem US$19 milhões de milhões (trillion) de dívida: Os gastos de guerra aumentaram a dívida do país. A dívida agora excedeu uns estarrecedores 19 milhões de milhões e está a crescer a uma taxa alarmante de US$35 milhões/hora e US$2 mil milhões a cada 24 horas . Mas enquanto os empreiteiros da defesa estão a ficar mais ricosdo que nos seus sonhos mais loucos, nós estamos empenhados a países estrangeiros tais como o Japão e a China(nossos dois maiores credores estrangeiros em US$1,13 e US$1,13 milhões de milhões, respectivamente).

O orçamento anual do Pentágono consome quase 100% da receita do imposto sobre o rendimento individual . Se há qualquer regra absoluta pela qual o governo federal parece operar é de que o contribuinte americano sempre é espoliado, especialmente quando chega o momento de pagar a conta da tentativas da América de policiar o mundo. Tendo sido cooptados pela cobiça dos empreiteiros da defesa, de políticos corruptos e de responsáveis incompetentes do governo, a expansão militar do império americano está a sangrar o país a uma taxa de mais de US$57 milhões por hora.

A GUILHOTINA DA EUROPA


Rafael Barbosa | Jornal de Notícias, opinião

É já no domingo que os franceses são chamados a escolher o seu próximo presidente. É o momento político mais importante dos últimos anos, a nível europeu. E também para os portugueses. No final da contagem dos boletins de voto, não estará "apenas" em causa perceber se a extrema-direita xenófoba, nacionalista e antieuropeia fica mais perto de conquistar o poder. Está também em jogo o que os franceses querem da União Europeia, com ou sem Le Pen, sabendo-se que o ideal europeu pode sobreviver ao Brexit, mas não sobreviverá sem a adesão empenhada da França. Como disse por estes dias Pascal Perrinau, diretor do Instituto de Pesquisas Políticas da célebre universidade Sciences Po, em jeito de aviso, "nunca se esqueçam que os franceses são um povo que corta cabeças. Nós fizemos isso. Literalmente". Ou seja, cortar rente, seja partidos, seja políticos, seja políticas, não constituirá um problema para os eleitores franceses. E isso é ainda mais claro por estes dias, com o cenário inédito de quatro candidatos nada ortodoxos com possibilidade de passar a uma segunda volta.

Umas eleições em que parece desenhar-se um primeiro facto político notável: pela primeira vez, podem ficar de fora, logo à primeira volta, os dois grandes partidos do Centro que governam a França desde a II Guerra Mundial. François Fillon, do centro-direita, atolou-se no escândalo dos empregos públicos fictícios que criou para a mulher e os filhos. Mas tem ainda hipóteses de sobrevivência, ao contrário do representante do centro-esquerda, o socialista Benoit Hamon, vencedor das primárias, mas entretanto renegado, com a deserção dos notáveis para o Centro e dos eleitores para a Esquerda.

Outro facto político notável é que o principal favorito, Emanuel Macron, não tem qualquer partido a suportá-lo. Aliás, procura, a todo o vapor, institucionalizar o seu movimento En Marche (note-se o narcisismo de as iniciais serem as mesmas do nome do candidato) para as legislativas de junho (uma espécie de terceira volta). Acresce que Macron é, sem dúvida, o mais europeísta dos candidatos. Defende, sem sofismas, o aprofundamento da União Europeia, seja ao nível económico (propõe um Parlamento, orçamento e ministro da Economia e Finanças para os países da Zona Euro), seja na partilha da soberania em matéria de segurança e defesa.

O oposto de dois dos seus principais adversários: Marine Le Pen (extrema-direita, que defende o fim do euro e da Europa) e Jean-Luc Mélenchon, do movimento esquerdista França Insubmissa (que quer uma revisão dos tratados e se assume eurocético). A julgar pelas sondagens, há vários candidatos ao trono, como há vários à guilhotina. E entre eles o ideal e o futuro da União Europeia. E, por arrasto, o de Portugal.

* Editor-executivo

TRÊS MORTOS EM TIROTEIO EM PARIS


Atacante, que foi abatido, abriu fogo sobre um carro das autoridades. Dois polícias morreram

Dois polícias foram mortos e um está ferido após um tiroteio em Paris, esta quinta-feira, nos Campos Elísios. A avenida foi evacuada e está encerrada.

De acordo com a Reuters, testemunhas viram um homem sair de um carro e disparar uma metralhadora contra um carro das autoridades, matando um polícia. Depois tentou fugir a pé, tendo sido atingido e morto durante o tiroteio.

Durante a fuga, na troca de tiros, feriu outros dois polícias. O atacante era referenciado pelas autoridades, de acordo com várias fontes.

Segundo fonte da polícia, citada pela Sky News, foram escutados disparos numa segunda localização em Paris, perto do local onde ocorreu o tiroteio.

Portugal. JORNALISTAS JUSTICEIROS!



Paulo Baldaia | Diário de Notícias | opinião

Este não é um texto polido, até para poder fazer justiça à cartilha que surgiu nos últimos dias para atacar o Diário de Notícias. Regista-se a coincidência de João Miguel Tavares (JMT), no Público, e José Manuel Fernandes (JMF), no Observador, terem deixado passar dez dias para procurar satisfazer os seus leitores. Dois jornalistas que precisam de se afirmar de direita para que faça sentido o populismo em que navegam. Quanto valeriam se não soubéssemos que eles são jornalistas (?) de direita?!

JMT diz que eu e outros no DN criticámos "o Ministério Público pelas suspeitas que deixou no ar ao arquivar o processo" de Dias Loureiro. No meu caso, fiz mais! Ao contrário de JMT, arrisquei ter uma posição sobre a Justiça e digo que "o Estado de Direito está a ser corrompido", apontando o dedo à hierarquia do Ministério Público e ao poder político. E faço-o em coerência com o que sempre disse, ainda não havia Daniel Proença de Carvalho na Global Media, numa altura em que JMT trabalhava comigo na chefia de redação do DN e muito antes até de trabalhar na TSF ou no DN.

JMT ataca o grupo e os órgãos de comunicação social que a ele pertencem (JN, DN e TSF), esquecendo que ele próprio é colaborador há muitos anos da TSF, dizendo livremente o que pensa no programa Governo Sombra, que também está na TVI. Como "taxista malandro", percorre vielas e atravessa pontes para chegar onde quer, cobrando mais na bandeirada. Como se apenas no DN tivesse havido críticas ao Ministério Público. Que interessa que Daniel Oliveira, Pedro Adão e Silva ou Miguel Sousa Tavares tenham feito exatamente o mesmo no Expresso? Não interessa nada, porque deita por terra a teoria mirabolante, e ofensiva para o bom nome de todos os jornalistas que trabalham no DN, de que só critica o Ministério Público quem está contra o combate à corrupção ou ao serviço de Daniel Proença de Carvalho. E o que interessa que Nuno Garoupa, também no DN, tenha escrito, ontem mesmo, um texto em que defende uma versão completamente diferente daquela que é referida pelos jornalistas (?) de direita como sendo um modus operandi dos assalariados da Global Media? Não interessa para nada, porque revela um DN plural onde é possível ser livre a pensar e a escrever.

Depois há JMF que não tem a lisura e a coragem de JMT para chamar "os bois pelo nome" e que faz de conta que fala sobre justiça e Dias Loureiro para poder atacar o DN. Basta dizer que esta espécie de guru do "Tea Party" português não se importa de mentir para atacar companheiros de profissão. No texto dele, escreve que o art.º 277 do Código do Processo Penal diz que há duas formas de arquivar um inquérito, sendo que a segunda é "concluir que os indícios recolhidos não foram suficientes para formular uma acusação, mesmo subsistindo suspeitas fundadas". Agora vejam o que diz o número 2 do art.º 277 e concluam: "O inquérito é igualmente arquivado se não tiver sido possível ao Ministério Público obter indícios suficientes da verificação do crime ou de quem foram os agentes". Onde está escrito o "mesmo subsistindo suspeitas fundadas" que JMF garante estar no Código de Processo Penal? Não está!

Daria um certo gozo ver estes jornalistas justiceiros serem vítimas do que dizem defender, mas podem estar descansados, no DN vamos continuar a bater-nos pela defesa do Estado de Direito e estaremos sempre na linha da frente para fazer jornalismo de acordo com as regras estabelecidas e não em defesa de interesses próprios.

ESTARÁ À VISTA O FIM DO MUNDO?



Paul Craig Roberts

A indiferença do mundo ocidental é extraordinária. Não são só os americanos que se permitem terem os cérebros lavados pela CNN, MSNBC, NPR, New York Times e Washington Post, são também os seus comparsas na Europa, Canadá, Austrália e Japão, que confiam na máquina da propaganda de guerra que se apresenta como media. 

 http://www.bbc.com/news/world-us-canada-39573526

Os "líderes" ocidentais, isto é, os fantoches na ponta dos cordéis puxados pelos grupos de interesses privados poderosos e pelo Estado Profundo, estão igualmente indiferentes. Trump e seus comparsas no Império Americano devem estar inconscientes de que estão a provocar guerra com a Rússia e a China, se não são psicopatas.

Um novo Louco da Casa Branca substituiu o velho louco. O Novo Louco enviou o seu secretário de Estado à Rússia. Para que? Para apresentar um ultimato? Para fazer mais acusações falsas? Para se desculpar pelas mentiras? 

Considerem a audácia do secretário de Estado Tillerson. Ele passou a semana anterior à sua visita a Moscovo a corroborar mentiras incríveis e alegações falsas de que Assad da Síria utilizou armas químicas com permissão da Rússia, o que justificava o inequívoco crime de guerra de Washington de um ataque militar a um país ao qual os EUA não declararam guerra. Com menos de 100 dias no gabinete Trump já é um criminoso de guerra, juntamente com o resto do seu governo belicista.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

BOAVENTURA: PARA QUE O FUTURO SEJA DE NOVO POSSÍVEL


E se o divórcio entre Democracia e Revolução estiver na origem dos tempos sombrios que vivemos? E se Democracia e Revolução puderem se amigar de novo?

Boaventura de Sousa Santos | Outras Palavras | Imagem: Robert Doisneau

Quando olhamos para o passado com os olhos do presente, deparamo-nos com cemitérios imensos de futuros abandonados, lutas que abriram novas possibilidades mas foram neutralizadas, silenciadas ou desvirtuadas, futuros assassinados ao nascer ou mesmo antes, contingências que decidiram a opção vencedora depois atribuída ao sentido da história. Nesses cemitérios, os futuros abandonados são também corpos sepultados, muitas vezes corpos que apostaram em futuros errados ou inúteis. Veneramo-los ou execramo-los consoante o futuro que eles e elas quiseram coincide ou não com o que queremos para nós. Por isso choramos os mortos, mas nunca os mesmos mortos. Para que não se pense que os exemplos recentes se reduzem aos homens-bombas – mártires para uns, terroristas para outros – em 2014 houve duas celebrações do assassinato do Arquiduque de Francisco Fernando e sua esposa em Sarajevo, e que conduziu à I Guerra Mundial. Num bairro da cidade, bósnios croatas e muçulmanos celebraram o monarca e sua esposa, enquanto noutro bairro, bósnios sérvios celebraram Gravilo Princip que os assassinou, e até lhe fizeram uma estátua.

No início do século XXI, a ideia de futuros abandonados parece obsoleta, aliás tanto quanto a própria ideia de futuro. O futuro parece ter estacionado no presente e estar disposto a ficar aqui por tempo indeterminado. A novidade, a surpresa, a indeterminação sucedem-se tão banalmente que tudo o que de bom como de mau estava eventualmente reservado para o futuro está a ocorrer hoje. O futuro antecipou-se a si próprio e caiu no presente. A vertigem do tempo que passa é igual à vertigem do tempo que pára. A banalização da inovação vai de par com a banalização da glória e do horror. Muitas pessoas vivem isto com indiferença. Há muito desistiram de fazer acontecer o mundo e por isso estão resignados a que o mundo lhes aconteça. São os cínicos, profissionais do ceticismo. Há, porém, dois grupos muito diferentes em tamanho e sorte para quem esta desistência não é opção.

Aeroporto internacional de Maputo é “hub” do tráfico de cornos de rinoceronte para Ásia


No passado dia 29 de Março as alfândegas de Hong Kong apreenderam dois cornos de rinocerontes, no dia 7 de Abril foram apreendidos em Kuala Lumpur outros 18, todos passaram pela capital moçambicana. Moçambique voltou a ter uma população de poucas dezenas de rinocerontes, quatro deles foram abatidos por caçadores ilegais desde Janeiro. Porém na vizinha África do Sul, desde o início do ano até a semana finda, foram abatidos 137 rinocerontes no Parque Nacional Kruger cujos cornos foram cortados e há indícios que parte deles tenham sido transportados para Maputo de onde estão a ser traficados, a partir do aeroporto internacional de Mavalane, para a Ásia. Moçambique é um dos “hubs” do tráfico, nos últimos seis anos foram traficados 797,78 quilos de cornos de rinocerontes.

Quem tenha viajado a partir do principal aeroporto do nosso País sabe que a bagagem despachada para o porão é alvo de inspecção, primeira a chamada não intrusiva através de um dos vários scanners ali instalados e, caso se observe algum objecto suspeito, agentes da Polícia da República de Moçambique(PRM) assim como das Alfândegas abrem as malas e verificam o seu conteúdo. Procedimento similar acontece no terminal de carga assim como é aplicado a bagagem que é transportada na cabina do avião.

Angola. PGR exige a Portugal desmentido sobre alegada recusa em colaborar


Angola diz que pedidos de inquérito a Manuel Vicente são “pura falácia” e pede à procuradoria portuguesa para repor a verdade.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) nega ter recebido qualquer documento por parte da procuradoria portuguesa para que Manuel Vicente fosse formalmente constituído arguido e interrogado, exigindo agora um desmentido sobre a alegada recusa das autoridades angolanas em cooperar com a justiça lusa.

Num ofício enviado pelo procurador João Maria de Sousa à congénere portuguesa Joana Marques Vidal, citado pelo jornal Público, considera-se “pura falácia” as notícias sobre uma alegada carta rogatória enviada por Portugal pedindo que Manuel Vicente fosse constituído arguido e interrogado, pelo que é exigido um “desmentido da PGR portuguesa, não apenas para evitar que se vilipendie o bom nome (…) de uma instituição congénere mas também porque se impõe o dever mortal de corrigir o que não corresponde à verdade”, lê-se no ofício com data de 28 de Março.

A situação remonta a Outubro do ano passado, durante a investigação a Orlando Figueira, no âmbito da Operação Fizz, quando as procuradoras, encarregues de perceber se o arquivamento de dois processos do ex-magistrado português tinham sido feitas a troco dinheiro, decidiram interrogar Manuel Vicente, o alegado autor dos pagamentos.

FORTE COMBATE ÀS DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS


Os líderes mundiais reafirmam comprometimento de pôr fim às doenças tropicais negligenciadas, citando avanços notáveis desde 2012. Para tal, governos e doadores privados prometem 812 milhões de dólares na cimeira de cinco dias que decorre em Genebra (Suíça).

Esta semana, líderes de governos, empresas farmacêuticas e organizações filantrópicas reuniram-se em Genebra numa cimeira de cinco dias para assumir novos compromissos aos esforços colectivos para controlar e eliminar as doenças tropicais negligenciadas (DTN).

O encontro coincidiu com o lançamento do Quarto Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre as DTNs, mostrando progressos visíveis contra estas doenças debilitantes e um compromisso do Reino Unido para duplicar o seu financiamento para as DTNs.

A reunião ocorre cinco anos após o lançamento da Declaração de Londres sobre DTN, um compromisso dos sectores público e privado para atingir os objectivos da OMS para controle, eliminação e erradicação de 10 DTN. Naquela época, bilhões de tratamentos foram doados por empresas farmacêuticas e entregues a comunidades empobrecidas em quase 150 países, alcançando quase um bilhão de pessoas em 2015.

As DTN são algumas das doenças mais antigas e mais dolorosas que afligem as comunidades mais pobres do mundo. Uma em cada seis pessoas no mundo sofre de DTN, incluindo mais de meio bilhão de crianças. As DTN incapacitam, debilitam e perpetuam ciclos de pobreza, mantendo crianças fora da escola, pais fora do trabalho, e diminuem a perspectiva de seu desenvolvimento económico.

Um novo relatório da OMS, intitulado Integração das Doenças Tropicais Negligenciadas na Saúde e Desenvolvimento Globais, revelou que, mais do que nunca, pessoas estão a ser atendidas com as intervenções necessárias para as DTN. Em 2015, cerca de um bilhão de pessoas recebeu tratamentos doados por empresas farmacêuticas para pelo menos uma DTN, representando um aumento de 36% desde 2011, um ano antes do lançamento da Declaração de Londres. À medida que mais países e regiões eliminam as DTN, diminui também o número de pessoas que necessitam de tratamento, de 2 bilhões em 2010 chegou-se a 1,6 bilhão em 2015.

Angola. Empresa integrada na construção do Porto de Cabinda acusada de destruir propriedades


Moradores afectados pedem reunião com a empresa e ameaçam com protestos

Empresa de exploração de pedras adstrita ao projecto do Porto do Caio em Cabinda, financiada pelo Fundo Soberano de Angola, está ser acusada de ter destruído propriedades de camponeses e a única nascente do rio que serve as populações da região do Ndoco, no interior da floresta do Mayombe.

Domingos Nsitu, uma das vítimas destes actos, diz que há cerca de seis meses que a empresa em causa se recusa a indemnizar os lesados e a arranjar alternativas para a captação de água potável para a população.

Nsitu revela à VOA que a população exigiu um encontro com uma autoridade da administração municipal de Belize, para amanhã, 20, na qual espera que a empresa apresente a sua versão e apresente as razões por que se recusa a indemnizar os camponeses que ficaram sem as suas culturas.

Angola. Activistas do Movimento do Protectorado da Lunda Tchokwe constituídos arguidos


Os quatro foram detidos no Cafunfo

Quatro membros do Movimento Protectoradoda Lunda Tchokwe detidos a 4 de Janeiro em Cafunfo, na província da Lunda Norte, quando participavam numa manifestação, foram formalmente indiciados no crime de tentativa de homicídio pela Procuradoria da República no Dundo.

Pedro Lucas e Zeca Samuimba, detidos durante a manifestação, e Corintio Cagezy e Cazenga Manuel, presos durante as buscas de madrugadas do passado dia 22 de Março, foram agora constituídos arguidos.

O presidente do Movimento Protectoradoda Lunda Tchokwe diz que as detenções e acusações foram encomendadas e fazem parte da estratégia do Executivo angolano para criar medo e humilhar os angolanos.

José Mateus Zecamuxima desafia a Procuradoria a dizer quem sofreu a tentativa de homicídio.

Os advogados da Associação “Mãos livres”, de acordo com o seu presidente Salvador Freire, debatem-se com recursos financeiros para suportar asdespesas de deslocação e alimentação dos defensores fora da cidade de Luanda, mas garante que irão defender os detidos depois da constituição da procuração.

Autoridades cabo-verdianas apelam para vacinação completa contra sarampo


As autoridades de saúde em Cabo Verde apelaram hoje à população para que faça a vacinação completa contra o sarampo, na sequência de uma morte associada à doença em Portugal, onde estão confirmados 21 casos.

"Com esta situação em Portugal é evidente que alertamos e apelamos à população, sobretudo àqueles que não fizeram o calendário vacinal completo, para se aproximarem dos serviços de saúde para reforçar a prevenção contra o sarampo", disse hoje o coordenador nacional de Luta Contra as Doenças de Transmissão Vetorial, António Moreira, citado pela agência Inforpress.

António Moreira assinalou a "muito forte" ligação de Cabo Verde com a comunidade portuguesa e assegurou que as autoridades de saúde cabo-verdianas estão "atentas", "vigilantes" e a acompanhar de perto o que se passa em Portugal.

Oposição cabo-verdiana alerta para riscos de derrapagem orçamental


O maior partido da oposição em Cabo Verde acusa o Governo de estar a financiar o défice orçamental com recurso ao endividamento interno, alertando para o risco de derrapagem orçamental nas contas do ano passado.

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) explica, em comunicado, que depois de avaliar as contas do quarto trimestre de 2016, constatou "uma clara, perigosa e negativa mudança na estratégia de financiamento do défice orçamental", com uma aposta no financiamento interno.

Segundo as contas apresentadas pelo Governo, a economia cabo-verdiana registou em 2016 um crescimento de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB), num ano em que o orçamento de Estado vigorou apenas durante seis meses.

O Governo conseguiu ainda uma redução do défice das contas públicas de 4,6% para 3,5%, mas viu a dívida pública aumentar de 127,8% em 2015 para 128,6% em 2016, um valor acima dos 121% estimados no Orçamento de Estado para esse ano.

Presidente guineense denuncia roubo diário de 4 mil toneladas de peixe


O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, denunciou estar na posse de informações que apontam para o roubo diário de cerca de quatro mil toneladas do peixe nos mares guineenses e exortou o governo a tomar medidas.

Num comício popular na região de Cacheu, norte do país, na terça-feira, no âmbito da Presidência Aberta, José Mário Vaz disse ser esta a "triste a realidade" que se vive no país com os recursos a serem roubados quando a população passa por dificuldades.

"Já imaginaram toda esta situação, sabendo que nós não temos peixe para comer na nossa terra", defendeu o líder guineense, que voltou a pedir que todos os cidadãos vigiem os recursos naturais do país.

José Mário Vaz afirmou que só com os recursos do mar a Guiné-Bissau "poderia resolver grande parte dos seus problemas" desde que haja controlo.

Estabilidade política está "a piorar" mas Guiné-Bissau é economia liberal


O presidente do Banco da África Ocidental (BAO) considerou hoje que apesar de a instabilidade política na Guiné-Bissau "estar a piorar", existe uma economia "escandalosamente liberal" onde os investimentos e os empresários são respeitados.

"São duas características estruturais, a instabilidade política e a economia escandalosamente liberal", disse Diogo Lacerda Machado em declarações em Lisboa, à margem do ciclo de conferências 'África Lusófona, uma visão prospetiva', que hoje debateu o tema 'Guiné-Bissau, mercado livre no contexto da instabilidade política'.

"As realidades parecem contraditórias, mas uma cria o contexto especial para a outra; a instabilidade política parece menos boa agora porque há um quadro de relativa incerteza a propósito do funcionamento das instituições políticas", disse Diogo Lacerda.

Ainda assim, acrescentou, "a Guiné-Bissau é uma economia que, por causa da instabilidade política, desenvolveu uma economia absolutamente liberal onde as coisas funcionam, o povo tem uma enorme tranquilidade e respeito pelos investimentos, pelos empresários e pelas empresas".

Vidente prevê III Guerra Mundial no centenário das aparições de Fátima


"Mensageiro de Deus" alerta que a III Guerra Mundial vai começar no dia 13 de maio.

Um vidente norte-americano, Horacio Villegas, que se considera um mensageiro de Deus, está convencido de que a III Guerra Mundial já tem data marcada e que esse dia corresponderá exatamente no 100.º aniversário das aparições da Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de maio.

As previsões, que contou ao Daily Star e que agora fazem eco em vários outros órgãos, estão a causar algum alarme, dado o 'historial' de Horacio.

Em 2015, terá previsto que Donald Trump se tornaria presidente dos Estados Unidos e que este iria fazer despoletar um terceiro conflito mundial. "A mensagem principal é que as pessoas precisam de estar preparadas para que, entre 13 de maio e 13 de outubro, a guerra irá causar muita devastação e morte", disse o vidente ao Daily Star. O dia do início da III Guerra Mundial coincidirá, segundo este vidente, com a última aparição de Fátima, em que supostamente a Nossa Senhora anunciou, supostamente, o fim da I Guerra.

O católico previu também que os Estados Unidos iriam atacar a Síria - o que acabou por acontecer depois do ataque químico - e que a Rússia, a Coreia do Norte e a China vão entrar no conflito.

A par disso, o vidente, residente no Texas, afirmou que teve um sonho em que via "bolas de fogo vindas do céu a atingir a Terra". E descreveu o cenário: via pessoas a correr de um lado para o outro, a tentar esconderem-se e a escapar de toda a destruição. "Acredito que isto simboliza os mísseis nucleares que vão atingir as cidades e as pessoas", acrescentou.

Acreditemos ou não, a verdade é que a tensão em torno de um conflito se adensou nos últimos tempos, especialmente entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Na realidade, segundo os especialistas, desde a Guerra Fria que o mundo não estava tão próximo de uma guerra à escala global, conforme o The Sun faz hoje nota.

Notícias ao Minuto

VEM AÍ NUCLEAR QUE CHEGA PARA TODOS!



Mário Motta, Lisboa

Que não tarda estala a guerra total já se sabe, o vidente norte-americano não vem adiantar nada de novo, que é na presidência de Trump e que ele a provocará também já se sabe há uns tempos, após ter sido eleito. Que a Coreia do Norte, a Rússia e a China também vão estar envolvidas nessa guerra total… Não é novidade, aliás, é o que é expectável se considerarmos o que está a acontecer na tensão atual entre todas essas potências nucleares. Que a guerra começará já neste próximo 13 de Maio… Isso aí é que é mesmo coisa de vidente. Assim como é coisa de vidente que ele antes tenha previsto que era Trump a vencer as eleições norte-americanas. E outras vidências que referiu… Como o outro: “Não acredito em bruxas. Bem, que elas existem, lá isso existem.”

Ora, assim sendo, a nossa alcunha é o estamos tramados. Todos nós, população mundial. O maluco Trump veio despejar carradas de gasolina no fogo que já existia. Também parece que esse tal vidente – notícia em post anterior – alinha na tese do terceiro segredo de Fátima. Está bem. Apesar de para muitos o aparecimento da Nossa Senhora aos pastorinhos não passar de uma grande treta e um grande negócio para os do chamado santuário da dita Senhora. Claro que os benefícios desse milionário santuário vão para outros que não para a Senhora, nem para os pobres, mas sim para o fausto e para a barbuda.

Considerando que faltam somente pouco mais de três semanas para a guerra começar e andarmos todos a correr e a fugir de bolas de fogo que vêm do céu  - o vidente diz que devem ser mísseis – o melhor é precavermo-nos e ao menos por uma vez sermos bonzinhos uns para os outros neste curto espaço de tempo. É que depois, em guerra, é a maldade que passa a andar à solta – ainda muito mais que na atualidade.

Cá por mim estava para ir pagar os impostos que estão em atraso, as rendas de casa, o que falta pagar do automóvel, dos eletrodomésticos que comprei há menos de um ano, os almoços, lanches e jantares que devo no Restaurante da Esquina… isso tudo. Mas já não vou pagar essas coisas. Não, porque depois fico sem dinheiro para aguentar a guerra com as reservas do numerário (dinheiro) que já não é muito. Além disso vou levantar o dinheiro todo que tenho nos bancos e guardá-lo no cofre de metal grosso que até estava para atirar fora, mas já não o faço. É que aquele cofre é duro de roer, nem um míssil consegue rebentar com aquilo. Se fosse maior até me metia lá dentro para escapar ao nuclear. Sim, porque, não duvidem, vem aí nuclear que chega para todos!

Enfim. Está na hora de nos prepararmos para a maior desgraça, para a guerra em que não fomos metidos nem achados para a decidir. Mas que vamos levar com ela, ai isso vamos! De certeza absoluta.

Não julguem que estou a brincar quando escrevo estas estranhas palavras. No texto, a ficção é só relativamente ao dinheiro e pouco mais. Contudo apetece-me fazer ironia sobre o que sempre soubemos que vai acontecer. Se não for neste 13 de Maio será noutra altura. Com ou sem Nossa Senhora. Noutra altura e pelos vistos para breve. É fácil de ver que o império norte-americano está a cair (como caem todos os impérios) e que vai usar o arsenal nuclear que possui para ver se assim, depois, sobreviverá e continuará a dominar o planeta. Talvez consiga, mas vai ficar é com um planeta todo escavacado, muito mais contaminado. Sem comparação. A sobrevivência será muito difícil… Ora, isso depois é um problema deles. Megeras (salvas sejam) que os pariram!

Adeuzinho, até outra oportunidade (melhor), se é que existe outra vida ou algo semelhante. Gostei muito de cá estar convosco, os da minha espécie. Perdoem-me, mas gostei muito mais dos animais a que chamam irracionais. E de povos que levo no coração são os timorenses. Sempre. Eternamente (se é que o eterno existe mesmo. Parece que não).

Até outra encarnação… Vêem? Reparam? Encarnação (Benfica), não é até outra verdiação (Sporting)… Estás a ver oh Bruno Carvalho! Que coisa, pá!

DOM RONALDO, O DO CHUTO NA BOLA E DO AEROPORTO. O RESTO É MAIS PROSA


Um Expresso Curto sem considerações da nossa parte. O que após decidido deste modo e antidemocraticamente já é uma consideração. Bom dia (e aqui está outra consideração). Adiante e vá ler Luísa Meireles, jornalista do burgo Balsemão. Pois.

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Luísa Meireles | Expresso

Hay que sufrir!

Disse Ronaldo aos microfones de uma rádio espanhola a que prestei atenção logo de manhã. Se calhar é uma lição de vida (e para a vida), mas a verdade é que o grande jogador português provou mais uma vez que é o maior do mundo (acho eu), que assumo que - sim - estou a falar de futebol logo no início deste Curto (quem me conhece sabe que este desporto não é a minha praia - será que estarei a perder qualidades?).

Acontece que sou fã de Ronaldo. Até consegui prestar alguma atenção ao intenso jogo (palavras do mais pequeno lá de casa) de ontem Bayern –Real Madrid e gostei mesmo de saber que “Cristiano Ronaldo se tornou o primeiro jogador a chegar aos 100 golos na Champions depois de ter feito um hat-trick (que eu não sei o que é) no polémico triunfo do Real Madrid por 4-2 após prolongamento”. Ganhou, é o maior e chega-me. Soberbo, fantástico, o rei, Mr. Champion, whatever, chamem-lhe o que quiserem. Que viva Ronaldo! (em registo mais poético, é isto).

Mas não perdi o tento de todo. Há hoje um país a que devemos prestar atenção: Venezuela, que está à beira do abismo da convulsão. Hoje é o aniversário da Revolução de 19 de abril de 1810, que marcou o início da luta venezuelana pela independência de Espanha, e os venezuelanos vão sair à rua, como de costume neste dia. Dada a situação que se vive, espera-se novo embate: a oposição já prometeu para Caracas “a mãe de todas as manifestações”, enquanto o Governo apela à “defesa da soberania”. Caracas é uma cidade militarizada, depois de o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ter ordenado às Forças Armadas Bolivarianas (FAB) que se dispersem por todo o país, antecipando os protestos convocado pela oposição, que deverá ocorrer na quarta-feira nos 24 estados. É um alarme geral, mas este artigo do Público que acabo de lhe recomendar explica tudo tim-tim-por-tim-tim.