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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

RTP – ANGOLA: PAULO CATARRO COMEU E CALOU, QUE JORNALISMO?




FERNANDO SILVA, com ANGOLA PRESS

Pelo que foi visto e relatado a partir de Luanda, o jornalista da RTP, Paulo Catarro, que no domingo (25) estava a fazer a cobertura da manifestação contra o ditador Eduardo dos Santos e a exigir a libertação dos jovens presos pelo regime do MPLA em manifestação anterior, foi agredido pelos gorilas à civil de Eduardo dos Santos com um spray não identificado que deu origem a que a câmara caísse no chão e o profissional ficasse impossibilitado de continuar o seu trabalho, indo refugiar-se na viatura de serviço da RTP… Comeu e calou, como se comenta em Luanda.

Da dita reportagem nada disso aparece a ser mostrado nas notícias da RTP. Que se saiba, o fato de a câmara cair não inutiliza só por si as imagens tomadas… Mas nada se vê de censurável sobre a agressão. O que se vê são estratos de uma reportagem contida. Bonitinha. Nem se vêem jornalistas a refugiarem-se porque assim tiveram de fazer…

Em Luanda, entre os meios jornalísticos, corre a versão de que Paulo Catarro foi posteriormente convidado a deslocar-se à residência presidencial e que “homens do ditador” lhe apresentaram redobradas desculpas pelo excesso de zelo dos gorilas em serviço na manifestação. A ter acontecido foi um muito mau precedente que põe em causa suspeições sobre a eventual contenção do conteúdo da reportagem. 

Se assim aconteceu, ou não, será impossível confirmar se Catarro não falar mais no assunto – o que é mais que provável se considerarmos que na RTP, sobre os incidentes, só faltou Catarro entrar mudo e sair calado. Por essas e outras se diz que a RTP vai ser ou já é propriedade da família Eduardo dos Santos-MPLA. Caricato e decerto um exagero… Mas, atentando no desempenho do comedido profissional Catarro, e assim sendo, porque razão continuam os contribuintes portugueses a pagar aquele Elefante de Ouro que é a televisão pública? Um monstro que tão escandalosamente sorve avultadas verbas do orçamento de estado de Portugal.

Já agora, por profissionais: Não será que os jornalistas ao calarem as agressões de que são vítimas “por engano” e ao aceitarem argumentos inadmissíveis de regimes totalitários para justificarem essas mesmas agressões, não estarão a pactuar com os excessos que vitimam jornalistas? Talvez que também por essa via “dos jornalistas simpáticos para com os regimes” assistamos ao crescendo de violência contra os profissionais de informação. Talvez que também por isso o número de jornalistas assassinados em todo o mundo seja cada vez maior. Talvez por essas e por outras sejam cada vez menos respeitados pelas elites dos poderes, pelos políticos e pela opinião pública em geral. Nada disso é o desejável. Isso mesmo Paulo Catarro sabe. Isso tudo e muito mais sobre o profissionalismo teórico e prático aquele jornalista transmitia há alguns meses em Angola num seminário. Dissertação parcial que aqui trago.

Media: Credibilidade do jornalismo investigativo implica busca diversificada de informações


Luanda – O jornalista português Paulo Ramiro Catarro disse hoje, quarta-feira, em Luanda, que a investigação jornalística implica falar com muita gente, ir a diversos locais, mobilizar vários meios técnicos e fazer registos diários que vão credibilizar a investigação e valorizar o trabalho final.
 
Paulo Ramiro Catarro fez esta afirmação quando dissertava sobre o tema “A investigação jornalística: Entre a prática e a teoria”, inserido no Seminário Internacional sobre Comunicação e Cidadania, iniciado nesta terça-feira, em Luanda.
 
Segundo Paulo Catarro, o jornalista na sua acção investigativa ou no seu exercício laboral independente, não deve ser um agente de contra-poder, mas sim um veículo de transmissão de informação e não um justiceiro, porquanto o jornalista não pode perder a capacidade crítica e a imparcialidade, de modo a preservar a sua credibilidade.
 
"O jornalismo e a investigação estão ligados de tal forma que obrigam o jornalista a ter os cinco sentidos muito activos, daí que o profissional de comunicação social deve estar atento a tudo que lhe chega, como ponto de partida para uma investigação jornalística", frisou.
 
Lembrou que o jornalista não pode se esquecer, como primeira regra antes de iniciar uma investigação, de procurar saber de onde vem a informação e que repercussão terá, enquanto premissas que vão definir se vale a pena tratar da informação ou não, tendo em conta as consequências.
 
Para si, o jornalista não se pode esquecer de questões básicas como a preservação do bom nome, porque um erro jornalístico pode manchar a reputação e a vida de uma pessoa, o que é inaceitável no exercício da profissão que serve o interesse público, mas pode colidir com interesses pessoais.

Neste contexto, o profissional deve insistir em saber com todo cuidado e independência, a origem da fonte que fez chegar a informação, tentando, a todo custo, se distanciar do caso em questão, o que se denomina pré-investigação e permite ao profissional chegar a conclusões sobre a qualidade de informação adquirida.
 
Acrescentou haver necessidade de conferir um clima de confiança as fontes, em função das repercussões do que se transmite aos receptores das mensagens, tendo sempre o cuidado sobre o que a investigação impõe, como saber se a informação vai afectar alguém, se o jornalista está a ser manipulado ou não.
 
Por sua vez, a administradora executiva da Angop para informação, Luísa Damião, que moderou o tema, considerou “a investigação como um dos géneros nobres do jornalismo e também o trunfo da imprensa democrática. São vários os autores que consideram o jornalismo investigativo como fundamental para a democracia, mas perigoso se não for ético e responsável”.
 
Para si, o jornalismo de investigação pode ser entendido como a busca da verdade oculta, ou mesmo como uma reportagem em profundidade onde a informação deve ser trabalhada mais a fundo, bem documentada, verificada, contextualizada e investigada sob todos os ângulos.
 
O jornalista, acrescentou, deve partir sempre do princípio que qualquer investigação que se preze deve primar pelo rigor e profissionalismo, bem como abrangente na busca de dados, evitando a superficialidade no tratamento das questões.
 
O Seminário Internacional sobre Comunicação e Cidadania,  sob a égide do Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor), contou com a participação de prelectores angolanos e portugueses.
 
O evento destina-se a profissionais da Comunicação Social, colaboradores, organismos nacionais e internacionais e interessados de Luanda e demais províncias, bem como Organizações Não-Governamentais.
 
O workshop analisa a problemática da responsabilidade social e os limites que orientam a prática da comunicação social, visando a salvaguarda dos direitos constitucionais dos cidadãos no âmbito da cultura da regulação.
 
Analisa temas como a problemática do jornalismo de investigação como factor de credibilização, sensibilizando os jornalistas para a necessidade de respeitarem os princípios ético-deontológicos da profissão.

O seminário, que contou ainda com a participação de jornalistas da imprensa privada e representantes de partidos políticos da oposição, no âmbito do incentivo da iniciativa privada nacional no domínio da Comunicação Social, teve igualmente como prelectores profissionais da imprensa privada.

1 comentário:

Anónimo disse...

Paulo Catarro porque queria concluir o trabalho iniciado foi simplesmente com o seu câmera trocar de câmera à TPA porque a da RTP ficou avariada e não tinham mais câmeras na RTP África.