domingo, 6 de maio de 2012

Para além da roda, também a pólvora foi descoberta pelo actual governo de Portugal




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Os investimentos que estão a ser feitos na área social vão gerar cinco mil novos postos de trabalho até ao final de 2013. Quem o diz é o secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social de Portugal e futuro candidato do PSD à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Marco António Costa.

"O conjunto de investimentos que estão a ser feitos na área social gerarão mais de cinco mil postos de trabalho e chegarão a mais de 50 mil pessoas", disse o governante, acrescentando que "muitos desses investimentos já se estão a concretizar e muitos concretizar-se-ão até ao final do próximo ano".

Falando em Pedroso, Gaia, onde presidiu à inauguração da creche do Centro Social e Paroquial de S. Pedro, Marco António Costa sublinhou o "duplo papel" do sector social, por um lado, no apoio aos cidadãos e, por outro, na criação de emprego.

"Em muitos pontos do país, a rede social e solidária é a maior empregadora dos municípios e é um dos factores mais importantes da dinamização das economias locais", destacou.

O secretário de estado assinalou também que estes projectos "não se deslocalizam com a globalização, não abandonam as populações".

Os que acreditam no sumo pontífice do Governo também podem acreditar em Marco António Costa. E por muito que o secretário-de Estado minta nunca chegará aos calcanhares de Pedro Passos Coelho.

Aliás, acreditar em Marco António Costa é também quase (quase porque não é ministro) meio caminho andando para chegar à gamela.

Em Fevereiro passado, Marco António Costa afirmou que o Governo "não aceita lições de moral" da Esquerda sobre "sensibilidade social", pois foi com este Governo que se "falou de economia social pela primeira vez". Nem mais. “Pela primeira vez”.

Marco António Costa, que falava então num jantar de apresentação da estrutura concelhia social-democrata na Trofa, afirmou ainda que Passos Coelho "conduz e governa o país a olhar para o futuro e com sentido de responsabilidade" sem "hipotecar o futuro" pelo "aplauso no presente".

Segundo o secretário de Estado da Segurança Social, foi com "este Governo" que "se falou pela primeira vez desde o 25 de Abril de economia social".

Saberá Marco António Costa o que é a economia social? Nesse âmbito já terá ouvido falar do associativismo, do cooperativismo e do mutualismo? Ou foi só agora, com este governo, que tal lhe foi ensinado?

Como exemplo da "sensibilidade social" do Governo liderado por Passos Coelho, o secretário de Estado apontou a medida que permitiu "a discriminação positiva" de quem tem uma "carreira contributiva" mais longa no acesso ao subsídio de desemprego.

Mas então“sensibilidade social” e “economia social” são a mesma coisa? Ou só contaram para Marco António Costa?

Segundo Marco António Costa, também foi o Governo liderado por Passos Coelho que "pela primeira vez tomou a iniciativa de olhar para os falsos recibos verdes protegendo-os em situação de desemprego".

E o que é que isto tem a ver com economia social, a tal de que “se falou pela primeira vez desde o 25 de Abril” e apenas com este governo?

Além destas medidas, o governante apontou o "descongelamento" das pensões de mais de um milhão de portugueses como "exemplo" da visão "sensível" do Governo.

"A verdade é que aqueles que diziam que tinham o monopólio da sensibilidade social em 2011 congelaram pensões mais baixas, de 180 euros que nós descongelamos agora", disse Marco António Costa.

Será que alguém lhe poderá explicar que ao longo dos últimos 150 anos (cento e cinquenta anos), a Economia Social tem ganho expressão e os seus objectivos passam necessariamente pela solidariedade e pelo desenvolvimento integrado da comunidade?

Será que alguém lhe poderá explicar que ao longo dos últimos 150 anos (cento e cinquenta anos) existe a Economia Social e que, afinal, não “foi com este Governo que se falou de economia social pela primeira vez"?

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.


Sem comentários:

Mais lidas da semana