quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Moçambique: SORTE DE MOÇAMBIQUE POR TER FRELIMO E FEITIÇOS NO MOÇAMBOLA

 


Moçambique "tem sorte de ser dirigido pela Frelimo" -- PR Armando Guebuza
 
23 de Agosto de 2012, 15:34
 
Matola, Moçambique, 23 ago (Lusa) - O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, disse hoje que Moçambique "tem sorte de ser dirigido" pela Frelimo, "que se reinventou" para superar o desafio da fuga de quadros portugueses da administração pública após a independência.
 
Armando Guebuza, Presidente moçambicano e líder da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), falava na abertura da sétima sessão ordinária do comité central do partido que, de hoje até domingo, vai avaliar a situação sociopolítica e económica do país e preparar o X Congresso, que decorrerá entre 23 e 28 de setembro, em Cabo Delgado, no norte do país.
 
No seu discurso, Armando Guebuza lembrou a saída de portugueses qualificados que ocupavam cargos no setor público colonial, em 1975, ano da independência, destacando o papel da Frelimo, partido no poder há 37 anos, para evitar uma possível paralisação do Estado.
 
"Moçambique não só entrou em colapso porque a nossa pátria amada tem a sorte de ser dirigida pela Frelimo, que se reinventou para superar esse desafio", afirmou.
 
Armando Guebuza defendeu a aplicação do "princípio da continuação e renovação", que prevê que 60 por cento dos atuais titulares dos órgãos colegiais do partido sejam reeleitos para continuarem a ser membros dos órgãos de direção.
 
A regra defende, no entanto, que 40 por cento dos atuais titulares dos órgãos do partido cedam lugar a novos dirigentes, implicando a renovação a vários níveis partidários.
 
"Com a aplicação do princípio de constante renovação na continuidade criámos as condições em que todos ganhamos o sentido do que somos e podemos ser, a partir do que fomos, do que fizemos e do que queremos fazer", disse Armando Guebuza.
 
"A renovação injeta sangue novo nos órgãos e traz para o nosso seio novas formas de equacionar os destinos da Frelimo, sem alterar os seus ideais e valores fundamentais", disse.
 
Guebuza assinalou ainda que "através da continuidade assegura-se a permanência nos órgãos de uma percentagem de membros apurados através de um processo eleitoral interno, em voto secreto, e com regras claras e esclarecedoras".
 
Na sessão ordinária do comité central será feito o balanço das conquistas e realizações no plano político, económico, social e cultural para aferir o grau de cumprimento do programa aprovado no 9.º Congresso, bem como será aprovada a proposta do relatório do comité central ao 10.º Congresso.
 
MMT.
 
Moçambique -- Saltar o muro é meio caminho para a vitória
 
23 de Agosto de 2012, 15:38
 
Maputo, 23 ago (Lusa) - O velho truque de saltar o muro em campo alheio para evitar os feitiços dos vovôs voltou ao Moçambola, o campeonato moçambicano de futebol, e até os que não acreditam em certas coisas admitem que elas existem.
 
A história conta-se em menos tempo do que o que leva uma equipa de futebol a saltar um muro para evitar os feitiços postos nos portões da entrada do estádio.
 
O Chibuto, uma modesta equipa do sul do país, é treinada por Abdul Omar, um homem com fama de dar mais crédito às coisas do oculto do que às "questões técnicas e táticas", como acusou o presidente do Vilanculos, antes de, na última época, o despedir.
 
Não foi para menos: uma das façanhas de Omar foi ter tirado a equipa de estágio para um banho coletivo de mar, para a lavar "de certas coisas".
 
Outra, da qual se queixam os adeptos do Sporting da Beira, que o quiseram agredir, foi ter arranjado um "trabalho" para seis derrotas consecutivas desta equipa, após ter sido despedido.
 
Este passado ressurgiu esta época quando o Chibuto se mantinha imbatível em casa, uma invencibilidade que acabou quando foi visitado pelo Costa do Sol, um "grande" de Maputo, treinado pelo português Diamantino Miranda.
 
"Curiosamente, os 'canarinhos' [Costa do Sol] saltaram o muro de vedação e, como resultado final, venceram o jogo por duas bolas a uma", relata o semanário Zambeze, na sua edição de hoje.
 
Da vez seguinte que jogou em casa, o Chibuto defrontou o Maxaquene, outro histórico de Maputo, cujos jogadores não só saltaram o muro como a vedação do relvado. Resultado, nova derrota, agora por 2-0.
 
A influência dos vovôs, como são chamados os bruxos do futebol, nos resultados dos jogos, tem como base um princípio inviolável enunciado pelo antigo internacional português Hilário da Conceição: "O gajo tem sempre razão".
 
Num depoimento ao investigador Nuno Domingos, autor do livro "Futebol e Colonialismo", o moçambicano e antigo jogador do Sporting recorda que, quando treinou o Ferroviário, já após a independência, em 1975, era um descrente nos vovôs, mas que, no final, ficava convencido.
 
"Ele dizia, por exemplo, 'não se pode entrar naquela porta' e eu passava: 'Eu não disse que não podia passar? O treinador passou, lixou tudo'", recordou Hilário.
 
Antes dele, já um outro descrente, o grande poeta moçambicano José Craveirinha, tentava perceber a ação dos vovôs nos reflexos dos jogadores, numa altura em que o futebol moçambicano era dominado pelos "doutores da macumba", como Ambrósio, Neru e Pombal.
 
Uns liam os resultados nos pássaros que sobrevoavam o campo, outros faziam os relógios pararem, punham "trabalhos" nas bolas, deitavam fumaças e obrigavam os jogadores a mastigarem raízes, proibiam relações sexuais e impunham percursos mirambolantes. Em troca do sucesso, às vezes, pediam garrafões de aguardente.
 
"A gente acredita. Até hoje a gente acredita, porque não acreditar?", pergunta outro conhecido jogador moçambicano, Ângelo, citado na mesma obra.
 
LAS.
 
*O título nos Compactos de Notícias são de autoria PG
 

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