sábado, 19 de outubro de 2013

CAVACO SILVA DEFENDE REGIME ANGOLANO COMO QUALQUER DITADOR

PARTILHAR
 


Os textos que se seguem são parte integrante do semanário angolano Folha 8 na sua última edição em 12 de outubro, que temos vindo a publicar na disponibilidade possível. A abordagem que visamos relaciona-se com as declarações de Cavaco Silva, ontem, chegadas a Portugal. Cavaco (junto com Passos Coelho) está na América Latina na Cimeira Ibero-Americana, que se realiza no Panamá. 
 
Foi evidente que aquele presidente da República Portuguesa encaixa perfeitamente na expressão “mais papista que o Papa” (mais ditador que o ditador) quando pretende proceder a uma lavagem do regime ditatorial angolano desde há mais de trinta anos, referindo simplesmente que Angola é um país democrático, que foi a eleições e tem orgãos legítimos manifestados pela vontade do povo angolano (TSF). Mas os mais de trinta anos de ditadura declarada, sem eleições presidenciais - e legislativas (menos anos) – nada contam para Cavaco. Nem a atualidade de democracia de faz-de-conta vigente em Angola (que Portugal vai procurando imitar).
 
Nem contam as muitíssimas dúvidas e incidentes ocorridos e referidos pela comunidade internacional observadora sobre o modo como decorreram as eleições presidenciais (por exemplo). E não contam também prisões de jornalistas, assassinatos de opositores, nem desaparecimentos, nem a repressão e violência policial-presidencial-governamental – para não lhe chamarmos terrorismo de estado. Nada conta para Cavaco sobre isso e muito mais que é adverso aos regimes democráticos. O que significa que Cavaco indicia que tem inveja de Eduardo dos Santos e do seu regime. Razão plausivel (e por cifrões sujos ou não) porque um PR de país europeu dito democrático defende regime angolano - mascarado de democracia - como qualquer ditador. Os angolanos (ou os portugueses) que se lixem. Quem nos dera que assim não acontecesse.
 
Seguem-se as “caixas” do Folha 8 com opiniões diversas sobre a “novela” Rui Machete em Angola e os seus armários a transbordar de esqueletos. (Redação PG – CT)
 
“PORTUGAL VAI PERDER COM ATITUDE DE SUBSERVIÊNCIA FACE AO PODER DE ANGOLA”
 
O professor de Economia na Univer­sidade Católica de Luanda e líder do Bloco Democrático Justino Pinto de Andrade disse que as declarações de Rui Machete deram “uma má ima­gem de Portugal” em Angola.
 
No quadro das relações entre Portu­gal e Angola, presente e futuro não podem ser encara­dos da mesma forma. Se, no presente, Portugal pode ga­nhar com uma cumplicidade com Angola, no futuro o mais certo é vir a “perder”. “As elites políticas” de Lisboa no relacionamento com o poder em Luanda passam a linha da cumplicidade para o campo da “subserviên­cia”. Para ele as declarações do ministro Rui Machete dão “uma má imagem” de Portugal em Angola. Algo que vem na sequência de comportamentos anteriores e que, ao contrário do que podem pensar os políticos portugueses, “não ajuda a fomentar as relações entre os dois países”.
 
A cumplicidade entre Portugal e Angola pode trazer “um maior fluxo” de comércio e investimentos, mas “só no curto prazo”, considerou o analista. “Se olhar para o futuro, Portugal vai perder muito. As autoridades an­golanas não respeitam quem se põe de joelhos. É uma forma muito negativa de relacionamento.” Esta posição “é muito má para a imagem de Portugal”, considerou ao Público Justino Pinto de Andrade. “As pessoas pensam que ficando de joelhos fomentam as relações entre os dois países”. “É o contrário.” As investigações abertas em Portugal são referentes a suspeitas de actos em território português, nota Justino Pinto de Andrade. A “promiscuidade entre a Justiça e a política” em Angola impede “o apuramento” das suspeitas de “actos ilícitos que envolvem entidades angolanas”, realça. “Se os actos ilícitos que envolvem as entidades angolanas em ter­ritório português fossem investigados, nós em Angola teríamos melhor forma de pressionar os políticos cor­ruptos”.
 
MACHETE RECUSOU RESPONDER SOBRE DIREITOS HUMANOS EM ANGOLA
 
A deputada do Bloco de Esquerda Helena Pinto considera que a situação do ministro de Estado e dos Ne­gócios Estrangeiros de Portugal, está “sem retorno e sem saída”, no caso da entrevista a RNA. “O problema reside nas funções que desempenha, um ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros não fala por si próprio nem faz interpretações pessoais e políticas quando fala aos microfones de uma estação estrangeira”, afirmou. Ainda durante a interpelação, a deputada de Esquerda, quis saber qual será a posição da diplo­macia portuguesa na próxima cimeira bilateral face às violações dos direitos humanos em Angola.
 
Após o silêncio de Machete em relação à posição que Portugal iria defender na próxima cimeira com Angola no que respeita aos direitos humanos, Hele­na Pinto voltou a questioná-lo sobre o assunto, por­que “todos sabemos o que é que se passa em Angola e não podemos fechar os olhos”, concluiu.
 
LAMENTÁVEL EXERCÍCIO DE SUBSERVIÊNCIA
 
O “pedido de desculpas” que o ministro dos Negócios Estrangeiros português efectuou à Rádio Nacional de Angola não foi um pedido de desculpas ao povo de Angola, ao contrário do que diz Rui Machete, mas um lamentável exercício de subserviência pe­rante a elite do MPLA que trata Angola como sua propriedade privada.
 
Diz o ministro que tal “pedido de desculpas” teve como objectivo contribuir para o “apaziguamento na relação entre os dois países”. Para justificar o injustificável in­ventou um problema inexistente. Não existe nenhum problema nas relações entre os dois países e muito menos entre os dois povos.
 
As declarações do ministro envergonham os portugueses. São um pedido de des­culpas, isso sim, por Portugal ser uma democracia onde é a Justiça, e não o Gover­no, que decide as investigações judiciais.
 
A economia portuguesa está a viver momentos complicados, muitos dos quais cria­dos ou agravados pelo atual Governo, mas nada permite (a começar pela dignida­de) que se estenda uma passadeira vermelha para qualquer tipo de investimento, incluindo o que tem a ver com branqueamento de dinheiro ou resulta da corrupção e pilhagem dos recursos de outros países.
 
João Semedo - dirigente do Bloco de Esquerda
 
Inserido em "caixas" no título “QUEIROZMATOZOIDE”DO DISCRIMINATÓRIO JORNAL DE ANGOLA DEFENDE MACHETE", em Folha 8 – edição 12 outubro 2013 – já publicado em Página Global
 
PARTILHAR

Author: verified_user

0 comentários: