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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

DOENÇAS PSICO-SÓCIO-POLÍTICAS QUE VÊM DE LONGE



 Martinho Júnior, Luanda

1 – A campanha que os seguidores de Gene Sharp estão a congregar hoje, dentro e fora das fronteiras de Angola, é algo que obriga a relembrar a própria história do MPLA e dos primeiros anos de Angola independente e soberana.

É evidente que o Movimento de Libertação não foi entendido e vivenciado por todos em uníssono e algumas das correntes, evidenciavam interesses de muitos que procuraram a todo o transe desvirtuar o rumo que se seguia.

Durante a guerrilha e antes do 25 de Abril de 1974 o MPLA viveu:

- Em Kinshasa, a crise provocada por Viriato da Cruz;

- Em Lusaka, a crise providenciada através de Daniel Chipenda;

- Em Brazzaville, a crise encomendada por via da Revolta Activa.

Todas elas tinham suportes que contrariavam a linha seguida por Agostinho Neto, suportes esses que tinham também vínculos com mecanismos de serviços de inteligência de algumas potências e até, no caso de Lusaka, de cartéis integrantes de “lobbies” tão poderosos como o dos minerais, que na África do Sul foram formados por Cecil John Rhodes por alturas da formação da própria União Sul Africana!

A própria trajectória de Daniel Chipenda acabou por ser sintomática: foi ele que conduziu efectivos que começaram por participar na “Operação Savanah” integrando as South Africa Defence Forces (SADF) do “apartheid” e estiveram na origem do Batalhão 32, o Batalhão Búfalo!

2 – Durante o período entre o 25 de Abril e o 11 de Novembro, outras correntes fermentaram, entre elas:

- Os Comités Amílcar Cabral, os “CACs”;

- A Organização Comunista Angolana, a “OCA”;

- O “fenómeno fraccionista” que viria a eclodir a 27 de Maio de 1977.

Se os dois primeiros focos acabaram por ser neutralizados e muitos dos seus componentes, apesar de suas ideologias, integrados nos esforços do MPLA, o terceiro foco pôs em causa o poder soberano da República Popular de Angola por via de processos violentos, utilizando as armas e acabando por assassinar alguns dirigentes do estado angolano e do MPLA, o que motivou uma repressão sangrenta em algumas regiões, repressão impossível de controlar que alguns, na maior parte com insuficiente ou oportunista autoridade e fundamento, evocam até hoje!

3 – Há síndromas que foram marcando comportamentos, atitudes e o emprego de ideologias, espelhados e encadeados uns nos outros por que esse tipo de sensibilidades buscaram duma forma ou de outra conexões externas que se manifestaram com maior ou menor intensidade e por isso foram mais ou menos impulsionadas para o radicalismo e até, em alguns casos para o ódio (os compromissos ao trazerem responsabilidades recíprocas podem vir a ser assumidos desse modo).

Esses síndromas constatavam-se no radicalismo de sua expressão, como no comportamento e na atitude psicológica de seus instrumentos humanos, de forma excludente e não integradora, que fogem ao diálogo, ou à busca de alargados consensos, antes se fecham, mobilizando quantas e quantas vezes no sentido do ódio e não no sentido da esperança, uma esperança que tinha todo o sentido de ser por que motivada pelo rumo que Angola, livre de colonialismo, livre de “apartheid” e livre de suas mais importantes sequelas, acabou por vir a assumir com o início da construção do estado democrático e de direito conforme hoje…

4 – A Universidade de Chicago, que é preciso não esquecer é uma criação do clã Rockefeller, está intimamente associada a estes comportamentos, manifestos em várias doutrinas e escolas; evidencio aqui duas delas:

- Escola Económica de Chicago, (tendo como expoente máximo Milton Friedman, Prémio Nobel em Ciências Económicas de 1976, incentivando o capitalismo neo liberal);

- Escola de “pensadores Straussians”, (responsável pela aplicação de comportamentos que evoluem abrindo espaço ao caos, a partir da Faculdade de Ciências Sociais, tendo como notável o Professor Emérito Leo Strauss);

A essas correntes juntam-se por exemplo o Instituto Albert Einstein, com a doutrina de Gene Sharp, referente à “teoria da resistência não violenta” e George Soros, um híbrido de filantropo e especulador financeiro, com a “Open Society” (por mim referenciado como fctor de desestabilização desde os artigos que publiquei no Actual em 2003)…

5 – A esperança própria dum estado jovem, de 40 anos, independente, soberano, estreando consensos e diálogos possíveis com o exercício da paz, da democracia e do direito, não satisfaz portanto alguns, empurrados por interesses e correntes com expressão internacional.

Ao assumirem radicalismos que não respeitam a história de Angola, não respeitam o Movimento de Libertação em África, não respeitam o estado democrático e de direito, nem as suas instituições, aqueles que assumem a filosofia de qualquer uma das referências acima enumeradas (e outras mais) e seus apoiantes internos e internacionais, comportam-se e demonstram atitudes que Angola e o MPLA já experimentaram noutras eras, com outras formas e em conjunturas distintas, transportando-se para as conjunturas da actualidade agora inspirados por acontecimentos como as“revoluções coloridas”, as “primaveras árabes” e os golpes de estão a verificar-se em África como na América Latina, em muitos casos com ingredientes comuns com comportamentos e atitudes que já foram vistos e sentidos no passado!

A exclusão que aqueles que demonstram esses comportamentos e atitudes radicais elegem por que é o “produto energético para a sua luta”, são o resultado duma cadeia de processos egoístas, filtrados do carácter das sociedades capitalistas neo liberais e encontram eco e apoio desde alguns especuladores financeiros internacionais que se dizem filantropos, até conspiradores profissionais indexados a processos de inteligência, ou “média de referência” de representantes dum elitismo como o de Bilderberg, num emparceiramento privilegiado.

Esperaram a ocasião para que a corrente que integram, uma corrente psico-socialmente doente por que movida por interesses egocêntricos típicos nos países do norte que não podem esconder, para colocar a tónica de sua presença onde quer que seja…

Em Angola esperaram pela crise do preço do barril do petróleo, esperaram pelas repercussões humanas, económicas e financeiras dum Orçamento Geral do Estado vulnerável e debilitado, para melhor se poderem fazer sentir, correspondendo aos estímulos de seus donos e de seus inspiradores, conforme tenho continuado a chamar a atenção em “O Laboratório AFRICOM”…

O “cavalo de Tróia” dos 15+2 que estão a ser julgados pressupõe que há mais “células adormecidas”que esperam sua ocasião para despontar, entre elas as que aguardam sua vez conforme à série de minha autoria, “Ainda o Vale do Cuango”…

As doenças psico-sócio-políticas, agravadas por traumas acumulados, não vão deixar de existir em Angola tão cedo, pelo que há que se preparar para se lidar com elas, de forma tão preventiva quanto é possível os angolanos!…

Foto: Presidente Agostinho Neto, segundo desenho a carvão da autoria de Henrique Nogueira e Presidente José Eduardo dos Santos, pintura a óleo sem veludo de Marcos Ntangu, em exposição lado a lado à entrada da sala de exposições do Centro Cultural Brasil-Angola (património da ENSA).

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