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sexta-feira, 17 de março de 2017

“VAMOS CAMINHANDO!”



1- Mais de dois séculos depois do içar das bandeiras independentistas, a América Latina não se pode furtar em travar de facto e de jure, as batalhas de independência no caminho da soberania de seus estados e em prol da emancipação dos povos, da paz e do socialismo de que tanto carece a humanidade!

As batalhas têm sido duras e posto à prova o modelo das democracias representativas que tem sistematicamente servido os interesses das oligarquias coligadas ao império da hegemonia unipolar, oligarquias ciosas de seu egoísmo retrógrado, que como pintos se aninham ao quente aconchego da galinha que chocou os ovos que lhes estão nos genes!

De todos os países só Cuba, onde a revolução mais avançou em estreita unidade com o povo, tem vindo a experimentar um modelo de democracia participativa exemplar, intimamente identificado com as vitórias alcançadas sobretudo na educação, na saúde, na habitação e, ultimamente, nas ciências!

Nessas batalhas têm havido avanços e recuos sócio-políticos, mas a extensão das medidas progressistas em benefício dos povos, vai deixando a sua marca, pondo em causa o modelo caduco e procurando a criatividade constante a que se obriga o progresso telúrico dos povos que têm vindo a fermentar vanguardas corajosas, clarividentes e decididas.

Os movimentos sociais multiplicam-se, multiplicando por sua vez as frentes de enfrentamento e entre muitas metas que foram alcançadas há por exemplo a vitória sobre o analfabetismo em 4 dos maiores membros da ALBA-TCP, Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio para os Povos: Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua.

Também nesses países um novo modelo de saúde para todos tem dado passos irreversíveis.

América Latina tem sede de cidadania, de independência, de soberania, de integridade, de solidariedade, de sabedoria e de socialismo!

Por isso a luta tem já uma trilha, a trilha dum corpo que até parece ter começado por rastejar nas matrizes hostis da Organização de Estados Americanos e da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), mas que vai ganhando pernas que coligem vontade e determinação.

A América Latina progressista vai erigindo, pela via da integração, a coesão indispensável à mobilização, na dinâmica plataforma comum da imensidão de tarefas que em conjunto há a realizar, quando o desafio maior é vencer o subdesenvolvimento crónico a que têm sido secularmente votados os povos!

2- Logo no primeiro trimestre deste ano a América Latina meteu-se em brios por via da CELAC (Comunidades de Estados da América Latina e Caraíbas), da ALBA-TCP (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos), do Caricom (Comunidade das Caraíbas) e da AEC (Associação de Estados do Caribe), que realizaram cimeiras visando reforçar as iniciativas, algumas delas de carácter estratégico e já em curso.

As organizações integradoras vão delineando as capacidades e as sinergias que se complementam nos esforços comuns na luta contra o subdesenvolvimento e ali onde houver uma desaceleração outras, numa aparente assimetria, procuram encontrar forças para melhor avançar.

A ALBA-TCP propõe-se à “cooperación para el avance económico y frente a desafíos geopolíticos, complementariedad en materia energética, financiamiento para el desarrollo de los países integrantes, y solidaridad entre los pueblos”…

Se na ALBA-TCP e CELAC, a Venezuela Bolivariana tem um papel dinamizador maior, até por causa da charneira do seu espaço físico-geográfico entre a América do Sul e o Mar das Caraíbas, Cuba, com directa implicação no Caribe e sendo a maior ilha dessa região do Atlântico, tem vindo a assumir um papel reitor, aglutinando os esforços em cada uma e em todas as pequenas nações insulares de tal modo que até Porto Rico dá os primeiros sinais de associação.


No Caribe há a presença de nações como a França e a Holanda, com vários territórios insulares que preenchem na organização da Associação de Estados do Caribe uma parte significativa do quadro de membros associados, o que permite uma ampla atracção de observadores, actores sociais e até entidades financiadoras de muitos projectos correntes.

Um dos êxitos desta Organização, é o Mapa das rotas do Caribe, cuja Iª fase, já concluída, foi financiada pela Coreia do Sul e a IIª fase, em execução, está s ser financiada pela Turquia.

A Organização tem as seguintes áreas focais: redução de riscos por causa das intempéries e desastres naturais, turismo sustentável, comércio, transporte e espaço da Comissão do Mar das Caraíbas.

3- Muito embora a América latina e as Caraíbas tenha tanto a ver com a rota dos escravos e com a vida de comunidades de afrodescendentes, a presença africana nas organizações progressistas da América Latina e Caraíbas é muito pouco significativa, ou mesmo nula.

A União Africana que deveria primar pela proximidade, até por que à organização continental africana muito interessa as questões de integração e solidariedade, nem como observadora se faz constar.

Na Associação dos Estados do Caribe, de África apenas estão presentes o Egipto e Marrocos, quando toda a bacia da Caraíbas é habitáculo de comunidades de afrodescendentes oriundos de toda a costa ocidental africana, comunidades resultantes do tráfico de escravos, em 14 estados insulares, como por exemplo nas Antígua e Barbuda, nas Bahamas, em Granada, na Jamaica, sendo mesmo maioria da população!

Os afrodescendentes que habitam as pequenas ilhas das Caraíbas e as costas dos países latino-americanos (em especial as costas do Atlântico), resultam dos depósitos de escravos e são uma continuidade dum passado de trevas nos dois continentes, África e América.

O decénio de 2015 a 2024 é dedicado pela ONU aos afrodescendentes da América, existindo no CARICOM uma Comissão para solicitar uma reparação aos estados europeus que foram esclavagistas, algo em relação ao qual África se tem mantido no alheio…

É evidente que quer Cuba, quer a Venezuela (e em menor escala outros países latino americanos), têm motivos bastos para implementar os processos de integração em socorro dos pequenos arquipélagos tornados pequenos estados insulares nas Caraíbas, sem esperar que alguma vez os europeus se decidam a qualquer gesto de reparação!

Se na América Latina já se pode dizer que, apesar de tudo “vamos caminhando”, África, em vastas regiões sujeita à barbárie do caos, do terrorismo e a uma “nova” onda neocolonial, parece que nem sequer começou ainda a gatinhar!

Fotos: Ilustrações das assembleias das organizações progressistas latino-americanas realizadas desde o início deste ano de 2017 e mapa do tráfico negreiro no século XIX.

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