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quinta-feira, 18 de maio de 2017

PR timorense deverá ser eleito líder de novo partido horas após terminar mandato


Díli, 18 mai (Lusa) - O Presidente timorense, Taur Matan Ruak, deverá ser eleito no sábado, horas depois de terminar o seu mandato, como presidente do Partido de Libertação Popular (PLP), que se candidatará às eleições parlamentares de 22 de julho.

"Deve ser eleito no sábado de manhã. Não tenho qualquer dúvida disso", disse à Lusa Adérito Soares, intelectual timorense e um dos fundadores do PLP que se apresenta como uma alternativa aos partidos históricos e mais consolidados, Fretilin e CNRT.

O congresso do PLP começou hoje em Díli, praticamente sem publicidade fora das estruturas do partido, com 1.363 delegados e "35 mil fundadores", como disse à Lusa Abel da Silva, da comissão organizadora do encontro.

Taur Matan Ruak foi, ao mesmo tempo, a ausência mais evidente e a presença mais marcante - pelo menos nas camisolas e nos discursos dos congressistas - no primeiro dia do Congresso do partido que se diz assentar num "princípio de justiça social".

Praticamente todos os discursos se referiram a Taur Matan Ruak, com alguns militantes a garantirem que, a partir de sábado, o chefe de Estado e ex-guerrilheiro comandará o partido, que nasce sob o lema "Hisik Kosar Ba Moris Diak", "Suar pelo desenvolvimento e bem-estar".

'Vivas' aos veteranos, ao PLP e a Taur Matan Ruak ouviram-se repetidamente durante o dia.

Inclusive no momento em que um ex-guerrilheiro, L4, chamou os veteranos do PLP, homens que lutaram contra a ocupação indonésia e que serviram, no mato, sob Taur Matan Ruak - o último comandante das Falintil, o braço armado da resistência.

O encontro, que decorre num salão de festas em Díli, arrancou sem que grande parte da imprensa tenha sido informada, sem a presença de dirigentes de outros partidos ou do corpo diplomático.

Taur Matan Ruak confirmou em novembro de 2015, um mês antes do registo oficial do PLP no Tribunal de Recurso, que não se recandidataria à presidência, deixando em aberto a aposta numa corrida ao executivo.

A dúvida passou a certeza quando, já durante a campanha para as presidenciais, Taur Matan Ruak aproveitou uma pergunta de uma observadora eleitoral da União Europeia sobre qual seria o seu futuro para confirmar o que todos em Timor-Leste já discutiam abertamente.

"O Presidente tem um plano para o futuro: o meu partido é o PLP. Quando eu ganhar eu vou ser chefe do Governo. Eu sei que não posso deixar de combater com o CNRT e a Fretilin", disse Taur Matan Ruak, no encontro em Baucau, em resposta à pergunta da observadora, a lituana Ruta Avulyte Jelage.

O PLP nasce ainda sem que sejam conhecidas as suas políticas e aparenta reunir, por um lado, alguns veteranos da luta e, por outro, um grupo de intelectuais timorenses de entre 30 e 45 anos, formados em grande parte no estrangeiro.

Entre os presentes na sala do congresso estavam, por exemplo, Hugo Fernandes, académico e um dos membros do Conselho de Imprensa e Fidelis Magalhães, ex-chefe da Casa Civil de Taur Matan Ruak, além de elementos da equipa de media do ainda chefe de Estado.

"É uma boa combinação entre veteranos e intelectuais. O programa do partido, a estratégica eleitoral foi um trabalho conjunto de todos, em que todos colaboram", frisou.

Para já, e entre outros aspetos logísticos, os delegados escolheram a mesa do Congresso. Mesmo antes dos resultados da votação serem conhecidos, já se sabia que a mesa do congresso seria liderada por Saka'Onar (Deométrio Amaral Carvalho) - o seu nome estava no topo das três listas apresentadas, tendo ganho a primeira com 698 votos.

Adérito Soares, que terminou hoje - com a eleição da mesa do Congresso - o seu cargo como presidente interino do partido, explicou à Lusa que o PLP teve um orçamento de pouco mais de 30 mil dólares, reunido com doações de alguns dos "intelectuais" e de "privados".

"Estamos otimistas de que seremos um poder forte no cenário político de Timor. Terão de contar connosco. Se o voto fosse já daqui a uma semana, conseguiríamos no mínimo 15 lugares", disse.

Obter 15 lugares no parlamento de 65 implica conseguir, aproximadamente, 126 mil votos.

ASP // FPA

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